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Funk

MC Menor da VG, direto da Vila Gustavo e com mais de 10 anos de história no funk

*Foto: Daniel Alves – KondZilla

Direto da Zona Norte de São Paulo, reduto do ‘funk putaria’, o Portal KondZilla fala hoje sobre a trajetória do moleque prodígio da Vila Gustavo: Renato Lima Rodrigues, 24, o Menor da VG. Junto com MC Livinho, MC Pedrinho, DJ Perera, e outros mais, Menor da VG foi um dos funkeiros que ajudaram na popularização do ritmo em São Paulo, com muita ousadia, tanto nas letras quanto nas produções. Mas você sabia que o MC já foi um monstro no funk consciente? Saca só:

MC Menor da VG – Intensidade

O MC Menor da VG começou no funk aos 13 anos, escrevendo músicas com uma levada mais consciente, vertente que estava em alta na época. O funk ainda engatinhava na capital paulista, mas já fazia sucesso na Baixada Santista, e na virada da década, Menor começava a dar as caras.

MC Menor da VG – Moleque Sinistro

As periferias de São Paulo, antes reduto quase que exclusivo do rap, começavam a abrir as portas para o funk – mais especificamente, o funk ostentação. Mas o Menor da VG continuava se aventurando em letras falando sobre a realidade da quebrada, ao invés de venerar carros, roupas, jóias e mulheres.

MC Menor da VG – Na Perereca

E foi nessa época, em meados de 2014, que São Paulo conhecia a putaria. Com batidas mais envolventes e letras ousadas, novos MCs começavam a fazer sucesso nos fluxos de quebrada. Dentre eles, o MC Menor da VG, que acertou na música “Na Perereca”.

MC Menor da VG e MC Pedrinho – Vem Piriquita

Boa parte dos MCs e produtores que entraram de cabeça na putaria vinham da Zona Norte, e tinham – ou ainda têm – uma amizade muito forte entre eles, com diversas músicas em conjunto. Naquele momento, collabs tinham grandes chances de virar hit. E O dueto Pedrinho e Menor da VG deu bom, e não foi em apenas uma música – vide ‘Papel do Mal‘, música com pegada consciente.

MC Menor da VG – Só Para as Meninas

Nessa época, os videoclipes já eram uma marca registrada no funk de São Paulo. E os trabalhos da produtora com o Menor da VG sempre foram estouro na certa, podia ser webclipe ou uma super produção. Em “Só Para as Meninas”, um formato inusitado misturou imagens que pareciam ser de celular, com imagens de drone e uma diversão gostosa na praia, com vôlei e quadriciclos. De certa forma, uma putaria com menos putaria.

MC Menor da VG – Fogo na Inveja

Mesmo com o nome já consagrado na putaria, o cantor nunca esqueceu a raiz do funk consciente e continuou compondo canções nessa pegada. Inclusive, uma das suas músicas, “Fogo na Inveja”, que foi lançada em 2013 ganhou uma repaginação em 2015, com mais força e videoclipe, contando com a participação do MC Davi.

MC Menor da VG Part. Dom Tarifi – Cheque Vai, Cheque Vem

Atento às tendências do mercado musical, VG é um cara de mente aberta. Talentoso e com “dom” para escrever letras de funk consciente, ele se juntou com o rapper Dom Tarifi para fazer a música “Cheque Vai, Cheque Vem”. É o rap com funk, mané!

MC Menor da VG – Te Conheço de Antes

Hoje, o MC Menor da VG é um dos cantores mais respeitados entre os MCs e suas músicas são sucesso tanto em bailes de elite, quanto em fluxos. Com mais de 10 anos no cenário do funk, Renato é referência para os mais novos.

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Comportamento Funk

Saiba mais da família “X-Metal” da Oakley, berço dos modelos Romeo, Mars e Juliet

Pode esquecer esse papo de que óculos escuros só servem para sair no Sol e aceita o fato de que a peça já está incorporada no visual de muita gente. E na estética do funk, quando se pensa em óculos escuros, se pensa em Oakley, mais especificamente no famoso Juliet, um dos modelos mais conhecidos e completos da marca Oakley: seja pelas lentes, seja pela resistência e durabilidade, seja pelo símbolo que o óculos representa. Ter um Juliet é a pedida certa, e o Portal KondZilla vai contar mais sobre essa peça chave do vestuário.

Criada lá nos anos 70 na garagem do norte americano Jim Jannard, a empresa – cujo nome veio em homenagem ao mascote de Jim, a cadelinha “Oakley Anne” – começou sua história fabricando manoplas anti-deslizantes para pilotos de motocross. A aderência do produto aumentava quando o produto era exposto à água, o que fazia dele a pedida ideal para dar aquela acelerada na chuva, e essa diferença na pegada que só os produtos Oakley proporcionavam recebeu um nome: “The Oakley Grip” (“a pegada da Oakley”, em tradução livre).

O produto não foi o sucesso que Jim esperava, mas, sua visão empreendedora o levou a se arriscar na criação de outros produtos, todos até então voltados para o mercado esportivo e de velocidade, como motocross e snowboard. A assinatura que Jim colocava em suas criações era o alto desempenho dos materiais nos esportes, a proteção de quem os utilizasse e, principalmente, a resistência dos materiais. O próximo passo, foi entrar no mercado de óculos de segurança, conhecidos como “Goggles” – não confunda com o buscador Google.

Os testes de resistência dos óculos – principalmente das lentes – eram tão insanos, que quando o modelo M-Frame foi criado, lá em 1980, um dos testes foi atirar neles com um Calibre 12 só pra mostrar que os óculos seguravam o rojão. E seguravam mesmo!

Esse foi um tiro certeiro da Oakley, a coisa começou a deslanchar de vez e eles caíram de cabeça no mercado de óculos. Em 1983, produziram o modelo Eyeshade, de plástico e com lentes intercambiáveis – característica que a empresa carrega até hoje em alguns de seus produtos. No ano seguinte, o ciclista Greg LeMond usou o modelo no Tour da França, principal prova do ciclismo profissional, o que ajudou a popularizar ainda mais a marca, que conquistava cada vez mais espaço no mercado. A partir daí, começaram os investimentos na produção e criação de novos modelos

Família X-Metal

Em 1997, a empresa deu um passo além e trouxe ao mundo a família “X-Metal”, que apresentava óculos criados com uma liga metálica especial, obtida através da fusão de alumínio com um material chamado de “O-Matter” (Matéria O, em tradução livre), lentes polarizadas ultra resistentes e acabamento da ponta e das hastes (as borrachinhas) feitas com o que a Oakley escolheu chamar de “Unobtanium” – um material hidrofóbico, macio e esponjoso, que adere mais à pele quando em contato com suor ou água.

Outra marca registrada da empresa, é o kit que vem junto com os óculos da linha: um estojo com uma moeda única, junto de uma capinha, lenço para limpar a lente e material reserva (como as borrachinhas). O óculos ainda vem com um número de série impresso na parte interna – que você pode verificar na internet para ter certeza de que o produto realmente bate com as características da caixa (fica a dica se você for comprar um usado).

A Família X-Metal, como já dissemos, surgiu em 1997. O primeiro modelo fabricado recebeu o nome de Romeo, seguido pelo modelo Mars, em 1998, até que em 1999, o mundo conheceu o tão famoso Juliet.

A Oakley, desde o seu surgimento, sempre priorizou a criação de produtos de extrema qualidade. A pesquisa de materiais leves e resistentes, somado ao projeto de produtos de alta tecnologia tem uma consequência salgada: o alto valor dos produtos. O preço da linha X-Metal, sempre custou algo próximo de um salário mínimo (e, dependendo do modelo, pode até ultrapassar).

Na família X-Metal, saíram 8 modelos: Romeo (1997), Mars (1998), Juliet (1999), X Metal XX – conhecido no Brasil como Double X (1999), Penny (2001), Romeo 2.0 (2004), Half-X (2008) e X-Squared (2009).

*Na foto, os 8 modelos da linha X-Metal na versão Infinite Hero. Coluna Esquerda de cima p/ baixo: X Squared, Double X, Half-X e Penny. Coluna direita de cima p/ baixo: Juliet, Romeo, Romeo 2 e Mars. – Foto: reprodução Instagram.

Para os meros mortais, os vários modelos de da linha X-Metal podem parecer “todos iguais”. Porém, para um verdadeiro fã, basta uma olhada rápida para conseguir identificar de qual série se trata. E são diversas. Só do Juliet os nomes podem variar dependendo da armação, cor das lentes e até se o óculos foi feito em série limitada ou não.

A mecânica é a seguinte, inicialmente vem o modelo, depois, vem em qual a armação ele foi feito, que pode ser: 24k, Carbon, Plasma, Polished, Polished Carbon, TiO2, Titanium ou X-Metal. Em seguida, vem a lente, que tem uma infinidade de cores, como por exemplo: Gold Iridium, Ruby Iridium, Black Iridium, Slate Iridium, Black Iridium Polarized, Titanium Clear, G30 iridium, Fire Iridium e por ai vai.

Existem, também, algumas versões exclusivas feitas em parcerias com grandes marcas, como o “Juliet Ducatti” e também com atletas, caso do “Juliet Ichiro” – que leva a assinatura do jogador de baseball “Ichiro Suzuki”. No total são mais de 40 variações de combinação dos modelos da linha X-Metal.

Falando no padrão 24K, este é o atual modelo mais desejado, sobretudo entre os fãs de funk e do MC Bin Laden, já que o próprio MC aparece usando um exemplar bem chavoso do “X-Metal XX – 24K”, conhecido também Double X, no videoclipe “Minha Ex”. A diferença desse modelo para um Juliet, por exemplo, é que a lente é um pouco maior.

Infelizmente, para os grandes fãs do modelo, a fabricação da Família X-Metal foi descontinuada em 2012 e o último Juliet foi fabricado em 2009. Porém, o modelo foi tão bem recebido no Brasil que o encerramento da produção pela Oakley abriu espaço para novos segmentos de negócios 100% BR: a fabricação de modelos “custom” (as famosas réplicas) e a restauração de óculos especializada na linha X-Metal.

Se você é um fã do modelo, sabe que desgastes na pintura e arranhões nas lentes podem acontecer, e que mesmo o X no centro do óculos pode ficar um pouco solto com o uso contínuo. Mas também, já deve ter ouvido falar de serviços de restauração, que cuidam desde a pintura no padrão original até o ajuste da armação e reposição de lentes. Esse segmento de negócios utiliza as plataformas de mídias sociais – como o Instagram e o Whatsapp – para vender seus serviços. É o caso do Rogerinho Oakley, profissional que usa seu perfil no Instagram para anunciar venda de peças e de serviços de restauração.

Então, seja pra chamar atenção ou para ter um óculos futurista e resistente, apostar na Oakley é uma boa idéia. O lance é ter cuidado pra não perder a peça num arrastão (nem ficar bem louco e esquecer em algum lugar).

X-METAL NO CINEMA

Hollywood sempre foi uma grande aliada na criação de “sonhos de consumo”, e com a linha X-Metal não foi diferente. Figurando no rosto dos maiores galãs que você respeita, a linha foi bastante difundida por grandes filmes da virada do século.


Clube da Luta (1999) – O vendedor de sabonetes e esquisitão Tyler Durden (Brad Pitt) aparece no filme usando regata, um casacão que parece ser de pele e quem mais? Ele mesmo, um exemplar do “Oakley Mars”.

Missão Impossível 2 (2000) – Ethan Hunt (Tom Cruise) aparece no começo do filme escalando uma montanha e, quando chega lá em cima, um helicóptero atira um míssil que, na verdade, era um estojo carregando um “mucho loco” Oakley Romeo”. Quando o personagem coloca o óculos, SURPRESA! Ele recebe os detalhes da missão todos direto na lente do óculos. Sério, não dá pra ser mais cabuloso que isso!

X-MEN – o filme (2000) – O personagem Cyclops (James Marsden), solta raios laser pelos olhos sempre que está com eles abertos. A única forma de controlar todo esse poder é com um óculos especial. E que óculos é esse? Acertou, é um modelo “Oakley Penny“.

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Entrevista Funk

“Eu levo, e sempre levarei a periferia comigo”, diz MC Lan, o cara das quebradas

MC Lan é a personificação do funkeiro atual. Com 26 anos e uma meta de lançar ‘uma música por dia” o cantor lança e acerta em diversas músicas, como em: “Xanaína“, “Aprendestes“, “Fila Indiana“, “Senta no Pau de Quebrada“, “Open The Tcheka“, “Rabetão“… enfim, a lista é grande e só aumenta. Presente nos sons da maior parte das quebradas do Brasil, o cantor é referência de maloqueiro e identificado com a favela, e entre uma gravação de música e outra, ele encontrou um tempinho para conversar com o Portal KondZilla e contar um pouco mais da sua história no funk, do seu jeito maloca e do seu gosto refinado para música.

Atualmente, Caio Alexandre Cruz, 26, é uma das principais referências musicais da periferia e faz questão de afirmar que ele mesmo é, e sempre será, um cara periférico – em todos os sentidos. Isso explica um pouco do sucesso do MC, principalmente nas favelas e fluxos pelo Brasil.

“Como artista, eu queria me expressar, desabafar e transmitir tudo o que sinto para o público. Como sou um cara periférico, vi que o funk era a melhor maneira de fazer isso”, conta o MC, no intervalo da gravação do seu mais novo videoclipe. “E creio que essa minha ligação com a periferia é por eu realmente ser um cara de quebrada. Eu levo, e sempre levarei a periferia comigo”.


*Foto: Leo Caldas

O MC nasceu na cidade de Diamantina, em Minas Gerais, e veio com a família para São Paulo quando ainda era criança. Lan diz que morou em várias quebradas do grande ABC, estudou pouco e sempre foi fã de música. Mas, digamos, que era um gosto um pouco diferente de funk.

“Minha formação musical é com blues e rock. Até hoje, escuto muito Little Richard, Chuck Berry, Pink Floyd, Led Zeppelin. Como artista, minha principal inspiração é o Bob Dylan, acho ele um cara muito foda, simples e reconhecido pelo mundo inteiro”, explica Lan, reverenciando o prêmio Nobel de Literatura que Dylan ganhou em 2016. “E com o tempo, vi que não importava o ritmo, se era rap, rock ou qualquer outro. O importante é você transmitir sua mensagem, e o funk me permitiu isso”.

Os mais atentos podem até reparar as menções especiais que o cantor faz em suas músicas, como ao citar, por exemplo, o álbum ‘Nevermind’, do Nirvana, na música “Open The Tcheka”.

Mas como o Caio, fã de blues e rock, se tornou o MC Lan, um dos maiores nomes do funk putaria do momento? Tudo começou quando o rapaz, há cerca de 10 anos, assumiu o papel de locutor em uma loja de departamentos no Centro de São Paulo. Um empresário de funk achou a voz daquele locutor interessante e o chamou para cantar. Ele tentou se arriscar, mas diz que não deu muito certo.

“Eu saí da loja e gravei uns vídeos cantando. Tentei no funk, no rap, no rock, mas não deu muito certo. Uma vez, como MC, fui abrir um show do Dexter [rapper, ex-integrante do grupo 509-E] e fiquei sem voz, não consegui cantar, foi um fiasco. Lembro que uma mina falou para mim que, se eu dependesse da música, ia virar morador de rua”, conta o MC.

Aquela frase parecia uma profecia. Sem emprego e com a carreira de artista empacada, Caio passou por muitos problemas e chegou a ficar um tempo sem teto.

“Há cerca de cinco anos, lá em meados de 2010, fui preso. Fiquei um ano e meio em uma penitenciária e, ao sair, estava decidido a mudar de vida. No começo, morava na casa de um amigo. Porém, pouco tempo depois, ele me disse que não dava mais para morar com ele e acabei indo pra rua. Mas eu tinha o foco em ser artista, e vi no funk uma oportunidade”, explica.

Foi então que Caio encheu o saco da dona de uma lan house no bairro Jardim Elvira, em São Bernardo do Campo, para conseguir entrar em contato com um produtor e gravar sua primeira música. Foi daí surgiu o nome artístico MC “Lan”.

E assim o MC Lan começou a trilhar seu caminho no funk. Desde o início, há cerca de dois anos, até o sucesso, que chegou com a música ‘Cala a Boca e me Mama’, em 2016, foi muito trabalho e o cantor diz que ainda não acredita no sucesso.

A partir daquele momento, as músicas do cantor foram virando hits, e começaram a se tornar algo corriqueiro na vida do MC Lan, inclusive em participações especiais e músicas em parceria com outros MCs, principalmente com o MC WM, com quem já gravou as músicas: “Sua Amiga Eu Vou Pegar“, “Ei, Psiu! Tô Te Observando” e “Quando o Grave Faz Bum“.

“Ainda tenho dificuldade para entender tudo o que está acontecendo na minha vida. Até hoje falo que não sei fazer show, eu sou só um louco em cima do palco. Aquele MC Lan, nada mais é do que o Caio de antigamente, um lado mais louco, digamos assim (risos)”.

E, além de loucura em cima do palco, outra marca registrada do MC Lan é sua vestimenta. Fã assumido das marcas que fizeram sucesso na transição para o século XXI, o cara gosta de vestir Cyclone da cabeça aos pés.

Depois do primeiro sucesso, o cantor desembestou em compor música. Neste ano, o cantor solta uma média de duas músicas por semana. Uma delas, ‘Xanaína’, se tornou um hit conhecido em todo país e foi inspirada em uma vizinha. “Essa mina aí [Janaína] colou no rolê e meteu o louco. Fiquei brincando com os moleques sobre a situação e acabou virando isso”.

Polêmico e 101% autêntico, MC Lan explica que suas músicas “picantes” são uma espécie de viagra natural e se diz responsável por um possível aumento na taxa de natalidade brasileira.

“Na moral, ladrão: eu só falo a realidade. Respeito a opinião de todo mundo e sei que muita gente me critica, falando que as letras são só baixaria. Mas é minha profissão, assim como o roteirista de um filme erótico. Meu sonho era fazer parte das vidas das pessoas com a minha mensagem, e isso eu consegui realizar”, finaliza o cantor. E ai, aprendestes?

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150BPM Funk

Seria o funk em 150BPM uma nova direção do funk no Rio?

**Texto originalmente publicado no blog O Volume Morto, escrito por Gabriel Albuquerque

Há dois anos, alguns DJs e canais de funk no YouTube começaram a introduzir uma novidade que eles chamavam de “ritmo louco” ou “putaria acelerada”. A tradicional batida do funk carioca saiu dos 130 B.P.M. (Batidas Por Minuto, em outras palavras a velocidade da música) para a faixa dos 140, até 150 BPM, criando um efeito mais caótico e frenético pro funk. Se isso é um tendência ou não, ainda é difícil de dizer, porém, é um movimento a ser mencionado e o Portal KondZilla vai contar mais dessa história.

Por não participar diretamente (moro em Recife-PE), observei que o movimento dos 150 BPM pareciam ser mais que um som: parecia mais uma causa, quase um motivo de orgulho de uma nova geração do funk carioca que queria mostrar sua marca. O que eu, e pelo visto nem mesmo os produtores imaginavam, era que a putaria acelerada fosse crescer ao ponto de, dois anos depois de ser lançada, causar a maior polêmica do momento no funk carioca, dividindo os produtores e MCs veteranos do tamborzão e os novinhos acelerados.

As primeiras faixas desse novo estilo mostravam uma produção rudimentar. Era como se o antigo tamborzão fosse incrementado com um beatbox e acelerado toscamente no Virtual DJ. E, para completar, tinha um grave que deixava o som da música inteiramente estourado. Vale notar que isso não é uma prática exclusiva do funk. No tecnobrega paraense, é comum que os DJs das festas de aparelhagem acelerem as batidas das músicas (se liga na versão de original de “Tá Faltando Homem”, da Banda Xeiro Verde, e a versão da aparelhagem SuperPop, por exemplo) como nos bailes também, mas não a ponto de distorcer os vocais e o ritmo da música.

O produtor e DJ Byano, que ficou conhecido por produzir músicas do MC Orelha, explica o movimento de acelerar o funk. “O funk do Rio de Janeiro quando surgiu era conhecido no BPM 127 pelo funk melody (Stevie B e etc.). Daí o funk foi aumentando: 127, 128, 129 e ficou um bom tempo no 129. Daí começamos a produzir em 130. E ficou durante anos, vários sucessos, e os DJs profissionais tocando em 130 BPM”. Essa marca do tamborzão consagrou o funk como um ritmo periférico brasileiro ao redor do mundo.

Desde a criação do tamborzão, aproximadamente em 1999, pouco se mexeu na batida carioca. Surgiu o beatbox do funk (conhecido como tamborzinho), mas a estrutura permaneceu a mesma. Até agora.

O MC Metade foi o primeiro a lançar uma música na onda do ritmo louco: “Ibá Ibá Ibá na Nova Holanda”, em 155 BPM. Mas ainda era o tamborzão acelerado. E essa fórmula não funcionava mais porque o som era de baixa qualidade, mal feito.

Com o tempo, os produtores do movimento foram tentando encontrar uma nova base que solucionasse o problema e atendesse às demandas específicas do novo ritmo que estavam construindo. Foi aí que o DJ Polyvox criou o seu Tambor Coca-Cola, de 150 BPM. Este sim, um beat naturalmente produzido de forma acelerada, não alterando somente a velocidade de algo já existente – o que distorce a música inteira.

“Fiz o Tambor Coca-Cola batendo com uma garrafa de dois litros na porta. Eu coloquei o gravador do outro lado e fui equalizando”, revela o DJ Polyvox. Ele conta que criou três variações da batida: o Tambor Coca (usado em “Vai Com a Boca, Vem com a Boca”, com o MC Chefinho), o Coca do Mal (de “Um Tal de Bota Tira, Um Tal de Tira e Bota”, com o MC Buret) e o Coca Swing (de “Vem, Roça a Pepeca”, música com o Mr. Catra).

Polyvox é um dos produtores mais criativos da turma, levando o funk para novos caminhos. “Um Tal de Bota Tira, Um Tal de Tira e Bota” tem uma pegada Footwork e um ponto agudo que é incrementado com um leve efeito de eco na música, o que cria um som tipo “espacialização”. Em “Rock Pras Piranha”, ele faz a mistura de gêneros que os DJs mais antigos diziam ser impossível no 150 BPM.

Quem também chama no movimento é a dupla Rennan e WM 22, da favela da Penha, no Rio de Janeiro, que criou e apelidou uma batida acelerada de “Tambor Porrada Seca”. É uma batida próxima ao Tambor Coca Cola, mas com pontos de beatboxes e muito mais focado no grave forte, aproximando-se do som dos proibidões. Já o Rodrigo Fox está mais ligado no arrocha, chegando até os incríveis 160 BPM.

Ainda é cedo para dizer se a moda veio para ficar ou não. Mas o Polyvox mandou um vídeo caseiro de sua música com o Mr. Catra cantando nos 150BPM – trabalho que já está finalizada e deve ser lançada em breve. Além dele, o vídeo apresenta mais dois MCs cantando no ritmo, mostrando que a novidade já está no Complexo do Alemão, Complexo da Maré, Nova Holanda, Parque União (PU), Penha e Antares. E Catra não apenas aderiu à putaria acelerada como deixou um toque esperto: “Criação é criação”.

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Funk

O MC Hollywood manda bem na voz! Vozeirão tipo Ópera

Essa pessoa que vos escreve pode afirmar com toda a certeza: essa voz do vídeo abaixo é natural. E Iago Ribeiro Sasso, 23, o MC Hollywood, faz questão de usar e abusar do seu dom, como é possível perceber nos seus sucessos: “Fumando e Bebendo” e “Como eu Vou Voltar Pra Casa“. Hoje, o Portal KondZilla conta um pouco mais sobre a carreira do MC, de onde saiu essa ideia de cantar, digamos, diferente e como isso se tornou sua marca registrada.

Nascido e criado na Zona Leste de São Paulo, Hollywood começou a cantar quando tinha uns 16 anos, lá em 2010. A grande sacada que Iago teve foi usar um tom diferente para cantar. E se você acha que o uso desse tom de voz em musicas de funk já é um ponto fora da curva, a explicação do cantor sobre como surgiu a ideia é mil vezes melhor.

“Um dia estava em casa, assistindo Pica-Pau na TV. Era um episódio em que ele era barbeiro e cantava aquela coisa do ‘Fígaro’, sabe? Daí pensei que era capaz de fazer aquilo, imitar aquele tipo de voz. Pesquisei na internet e vi que se tratava de uma ópera [‘Il barbiere di Siviglia’, de Gioachino Rossini] e decidi fazer uma paródia”, explica o MC.

A brincadeira abriu os olhos do MC para a música e a carreira no funk. Hollywood diz que usar esse ‘truque’ o ajudou a ser reconhecido e virou uma marca registrada nas suas músicas, que refletem bem o espírito do jovem na noite.

“Sabia que esse era um diferencial meu. Sou fã do pessoal do Rio de Janeiro, principalmente do MC Magrinho. Eu canto putaria muito por conta dele, mas sei que tenho que cantar coisas mais lights, porque tem muita gente que não escuta funk só por conta dos palavrões”, diz. Inclusive, ele avisa que em breve vem música nova do MC Hollywood com produção do DJ Jorgin.

Da TV surgiu o jeito de cantar, e você deve estar se perguntando se o nome artístico do cantor também surgiu assim. Pois bem, temos aí mais uma boa história. “Precisava de um nome artístico, né? Certo dia, me chamaram para cantar e não tinha um, não podia ser só MC Iago. Passei perto de uma padaria e vi o cigarro Marlboro, mas daí lembrei que já tinha o DJ Marlboro. Do lado, tinha o cigarro Hollywood. E foi assim que escolhi meu nome artístico. Eu até comprei o maço, e nem fumo! [risos]”, conta o MC.

“No começo, eu trabalhava como vendedor e cantava em uns bailes menores. Na primeira vez que subi num palco, tive a certeza que era aquilo que queria para minha vida”.

Morando apenas com a mãe, ele explica que o apoio da família para cantar funk não era dos maiores, porém, nunca houve falta de estímulo. “Tenho certeza que não foi só a minha mãe que não queria que eu cantasse funk. Isso acontece com muitos MCs. Minha mãe queria que eu trabalhasse e estudasse, virasse um médico, advogado. Porém, expliquei para ela que meu sonho era ser cantor e ela entendeu”.

Cansado de trabalhar e ver o sonho de ser MC cada vez mais longe, Iago decidiu largar seu emprego como vendedor em 2014 e mergulhar na carreira de cantor. No entanto, ele explica que sofreu bastante para alcançar a sobrevivência com o funk, muito por conta da falta de amparo e ganância.

“Na primeira produtora em que trabalhei, percebi que o funk é um universo muito grande e você precisa ter o olho aberto. Eu fazia diversos bailes, agenda lotada, e ganhava o mesmo salário como vendedor. Percebia que tinha algo estranho”, explica o MC, que mesmo em meio a dificuldade, não desistiu do sonho de viver da música.

Hoje, Hollywood é um dos MCs que integra o time da KondZilla Records e planeja bons trabalhos nessa sua nova jornada. O cantor já consegue sobreviver só da música e não precisa de um trabalho paralelo.

Feliz com o atual momento da carreira, Hollywood faz questão de deixar um recado para os mais novos: “Hoje em dia, a molecada acha que o percurso é fácil. Agradeço ao meu empresário, a minha antiga produtora, a GR6, e a KondZilla que me deu essa nova oportunidade. Graças a eles, consegui uma estrutura e uma oportunidade para chegar longe”, e acrescenta. “Porém, tem que ter os pés no chão, saber que as coisas são complicadas”.

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Funk

“Quem mandou tu terminar…” ouça cinco músicas de funk para superar o fim do namoro

A fossa do amor é um habitat comum para todos. Volta e meia, nos encontramos nesse limbo. Afinal, quem nunca teve aquela paixão mal sucedida? E se a música fez a união do casal na festa, ela também está aí para “aliviar essa barra que é gostar de você” (cantou junto né?!). Hoje, nós do Portal KondZilla, selecionamos cinco músicas de funks que falam sobre o término de relacionamentos. Se você conhece algum amigo que está na fossa, manda esta dica pra ele, que com certeza vai ajudá-lo.

MC Bin Laden – Minha Ex

Quem nunca trabalhou para dar amor e carinho para pessoa amada e foi feito de bobo? Nessa música, o MC Bin Laden dá uma ‘volta por cima’ e parece viver a vida adoidado após o término. Mesmo assim, ele não deseja o mal da ex, pois ela tá bem, certo? Bem longe dele.

MC Don Juan – A Gente Brigou

Existem alguns términos mais traumáticos, com brigas e discussões. Mesmo assim, às vezes bate uma saudade e tem gente que até chora. Mas, em “A Gente Brigou”, o MC Don Juan mostra que isso não é o fim do mundo. O amanhã estará sempre ali, te esperando, para superar o trauma da briga.

MC Kekel – Quem Mandou tu Terminar?

A auto-estima é muito importante no nosso dia-a-dia. Você se sentir bem com você mesmo faz toda a diferença na qualidade de vida. Romper com alguém, nem sempre ajuda nesse fator. Talvez, você fique meio abalado, sofra, se culpe… Mas fique calmo, depois de um tempo o sofrimento passa também. O MC Kekel retrata muito bem isso nessa música, porque agora ele tá bonito e o ‘perreco’ está arrependido (perdão pelo trocadilho).

MC Maneirinho – Que Saudade da Minha Ex

Sejamos sinceros: nem sempre dá para superar por completo o fim de um relacionamento. Sempre existe aquela saudade dos bons momentos, um resquício de amor e paixão. Algo que você acredita estar vivo, mas só esta vivo nas lembranças. O MC Maneirinho deixa CLARO que não esqueceu dos momentos de amor com sua ex.

MC Marcinho – Rap do Solitário

Um verdadeiro hino do funk. Só de ouvir, você fica torcendo para hora que o MC Marcinho vai falar que conseguiu convencer seu amor a aceitá-lo, parar de ser cabeça dura. Enfim, uma obra prima sobre um amor renegado, para você perceber que não é de hoje que sofremos por amor. E que, sim, há o dia de amanhã.

 

E você, conhece outra música que fala de término de relacionamentos? Conta pra gente nos comentários!

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Entrevista Funk

O DJ Yuri Martins deu uma atenção para KondZilla

É difícil falar sobre o momento atual do funk putaria sem mencionar o nome Yuri Martins. Com 22 anos, o DJ e produtor musical carioca, que vive em São Paulo há cerca de 5 anos, é conhecido como o ‘Mão de Ouro’ dessa vertente e ficou famoso por ‘não dar atenção’ ao MC Don Juan. Inclusive, a brincadeira rendeu outra música em menção a essa alcunha. Mas, diferente do que dizem por aí, Yuri deu uma atenção para o Portal KondZilla e falou sobre o sucesso como produtor de diversos hits do funk, as familiaridades do funk de São Paulo e do funk do Rio de Janeiro, entre outros assuntos.

Nascido em Salvador, Yuri Martins se mudou para São Gonçalo, no Rio de Janeiro, quando tinha 3 anos e, ainda na infância, conheceu o funk graças ao pai que escutava muito Claudinho e Buchecha.

Em meados de 2004, ainda garoto e sem saber o que fazer da vida, o DJ conheceu o BPM Studio Pro, um programa utilizado pelos produtores cariocas para produzir funk. Foi amor à primeira vista e o produtor se apaixonou por esse mundo musical.

Sem o apoio dos produtores da época, Yuri passou um tempão pedindo ajuda e nem chegou a ter retorno para suas mensagens. ”Nessa época era bem difícil, eu não ganhava atenção. Mas acho que serviu como uma provação de Deus comigo, sabe? Pois se naquele tempo eu tivesse desistido, hoje não estaria onde estou”, conta o produtor.

Decidiu, então, seguir em frente sozinho. Depois das primeiras produções e apresentações com alguns MCs do Rio, ele conheceu os MCs BW, estourados na época com a música ‘Eu Duvido’. O trabalho em conjunto rendeu a música ‘360’, o primeiro sucesso em que o produtor meteu a mão, já na pegada da putaria.

“Eu tinha um sonho de tocar MPC, e foi graças aos BW que eu pude realizar esse sonho. E eu aprendi tudo sozinho, ninguém me dava atenção naquela época [risos]”, reforça Yuri. O ímpeto do produtor em seguir em frente, poderia ter sido um problema. Assumiu uma MPC sem nunca ter mexido nela antes, correndo um risco que valeu a pena. “Uma noite antes do meu primeiro show como DJ dos MCs BW, eu fiquei a madrugada inteira mexendo na MPC, aprendendo como aquilo funcionava. Depois de muita insistência, eu aprendi”.

Como DJ dos MCs BW e produzindo músicas para outros MCs, Yuri ficou entre indas e vindas do Rio de Janeiro para São Paulo. Até que em 2014, ele recebeu um convite para fazer parte da produtora Funk de Elite, com sede fixa na capital paulista.

Ao chegar em São Paulo, o DJ afirma que não quis se arriscar em outras vertentes, se mantendo fiel a escola que o consagrou: a putaria. “Na época em que cheguei em São Paulo, o funk ostentação era estourado. Eu, vindo do Rio de Janeiro, tinha uma pegada mais para putaria e decidi que eu seria diferente, fazendo algo que eu já entendia bem”.

Mas o destino, as vezes, nos surpreende. Seu grande hit na cidade paulistana foi ‘Tá Tranquilo, Tá Favorável’, do MC Bin Laden, uma mistura entre os ritmos do Rio e São Paulo, e que de putaria não tem nada. Aliás, nem era para ele ter produzido essa música. “O Bin Laden produzia as musicas dele com o DJ Ferrugem. Essa música [Tá Tranquilo, Tá Favorável] já tinha passado pelas mãos do DJ R7 e do DJ Perera, mas não rolou”.

Enquanto o colega de casa trabalhava na música, Yuri ouviu a voz e teve uma ideia. “O Ferrugem estava com a voz dessa música e me chamou um dia para acompanhar a produção. Eu ouvi a música e arrisquei de pedir para ele deixar eu produzir. Ele deixou e fiquei uma madrugada inteira nessa música, fiz umas sete versões, mudei algumas coisas e deu no que deu. Sucesso mundial (risos)”.

De origem carioca – mais precisamente com raízes da Baixada Fluminense -, Yuri não acredita em uma rivalidade entre funkeiros do Rio de Janeiro e de São Paulo, mas acha saudável as diferenças entre os ritmos de cada estado.

O DJ também acredita que São Paulo está a um passo a frente do Rio de Janeiro, devido ao profissionalismo dos envolvidos com o funk. Para ele, hoje, a capital paulista é o principal polo de funk no Brasil. Atualmente, Yuri faz parte da equipe da Start Music.

“O circuito de São Paulo está bem mais profissional do que o Rio, e isso não é uma crítica. São Paulo cansou de ver só o pessoal do Rio de Janeiro fazendo funk, porque há tempos atrás só os MCs do Rio faziam show em São Paulo, as produtoras cariocas que mandavam. Foi então que o pessoal daqui decidiu criar seu estilo e as produtoras cresceram, se profissionalizaram. Mas isso não quer dizer que no Rio não tenha gente boa, fazendo um trabalho daora”.

Sobre a putaria, sua especialidade, Yuri diz que as produções não têm uma fórmula de sucesso e ele acredita que o funk não precisa, necessariamente, de palavrões para estourar. Pelo contrário. “Eu procuro falar com o MC que não precisa encher a música de palavrão para ele estourar. Mesmo não sendo minha área, dou algumas dicas [para as composições], falo para evitar deixar algo muito escrachado”.

E olha que o cardápio de hits do ‘mão de ouro’ é grande, e entre os mais recentes estão: ‘MC João – Vem Cá Mozão‘, ‘MC Zaac – Te Juropinga‘, ‘MC TH – Apaga a Luz e Toma’, ‘MC Don Juan – Oh Novinha’ e ‘MC Kekel – Eu Acordei Meio Sem Jeito’, entre outros.

E para você, moleque novo que sonha em ser MC e fazer uma música com um produtor foda, se liga nessa dica do Yuri Martins.

“Hoje em dia, existem muitos artistas que esperam tudo da produtora, mas as coisas não caem do céu. Você tem que correr atrás, tem que ter força de vontade. Lembro que pedia ajuda para os DJs e produtores me ensinarem, e não recebia atenção. Logo eu, pô! (risos). Mas não perdi a fé, e hoje estou na pista, Graças a Deus. Então, para resumir, a lição que eu passo é essa, ter força de vontade sempre”.

Ah, e você deve estar se perguntando: de onde veio a história de que o Yuri não dá atenção? O próprio Yuri explica:

“Pô, isso é uma história real! O Don Juan veio gravar comigo e eu gosto de deixar o cara bem a vontade. Eu deixei ele gravando e fui até uma sala que fica ao lado do estúdio, onde tem umas bebidas. Fiquei lá bebendo e ele me chamando, pedindo água, pedindo atenção, reclamando mesmo. Mas o Don Juan é assim, ele funciona se deixar ele sozinho, a vontade. E acabou dando certo, esse negócio pegou e eu levo de boa (risos)”.

Então, ao final dessa conversa, você já deve ter percebido que o Yuri Martins dá atenção sim. Portanto, galera, parem de chamar o cara no Instagram. #ficadica

O Yuri Martins veste o CapZilla Símbolos. Adquira já o seu também na nossa loja!

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Conheça a história do MC MM, o verdadeiro ‘Moleque Monstro’

Imagine você, morando em uma quebrada da Zona Norte de São Paulo, trabalhando como gerente em uma grande farmácia de São Paulo, com uma carreira promissora aos 23 anos, mas sonhando em ser MC. Até que um dia você decide largar tudo para correr atrás do sonho. Em resumo, foi isso o que aconteceu há três anos com o Márcio Rezende de Lellis, 26, o MC MM, autor dos sucessos ‘Social, Narga e Piscina‘, ‘Adestrador de Cadela‘, ‘Louco de Selvagem‘, ‘Agora é Patrão‘, além do mais recente ‘Mercenária Pé de Barro‘ – que ele jura que não foi inspirada em nenhuma mulher em especial. O MC aproveitou a boa fase no funk para viver de música, a decisão mais acertada que teve na vida adulta. Confira mais dessa história aqui, no Portal KondZilla.

Nascido na favela Serra Pelada, no bairro do Jaçanã, o MC MM – sigla para Moleque Monstro -, canta desde adolescência. Em 2005, ainda com 14 anos, subiu no palco pela primeira vez e desde então, o sonho de viver do funk virou um objetivo de vida. Até que em meados de 2014, ele decidiu tomar a difícil decisão de largar o emprego estável para viver apenas de música, contrariando o desejo da sua mãe.

“Sei que a decisão que tomei não é simples, minha mãe mesmo não acreditou quando disse que ia sair da gerência”, conta o MC, que ainda se diverte com essa história. “Mas eu acredito muito em mim e não tive medo de tomar essa decisão. Hoje tenho a certeza que foi a decisão certa”, conclui.

Mas vamos voltar no tempo e falar um pouco mais do ‘Marcinho’, o moleque que cresceu na Serra Pelada escutando – e cantando – rap, algo natural para aquela São Paulo no início dos anos 2000, que mal consumia funk.

O cantor explica que, certo dia, um amigo lhe prometeu passar uma batida de rap para ele fazer uma música. Mas digamos que não era bem uma batida de rap que MM recebeu. O cantor achou aquele beat parecido com o “Rap da Felicidade”, da dupla carioca Cidinho e Doca.

“Não era meu objetivo cantar funk”, adianta. “Mas eu já conhecia o Cidinho e Doca que tinham umas letras na pegada do rap. Quando esse meu amigo me passou a batida de funk, ao invés de uma de rap, eu me joguei nisso [no funk]” conta.

MC Lello e Marcinho – Falsidade é Mato (2010)

Com uma noção apurada para composição, MM começou sua carreira no funk caminhando na vertente do consciente/proibidão, algo mais próximo da linguagem do rap e que fazia sucesso na Baixada Santista. Na época, ele cantava com o parceiro no projeto “MC Lello e Marcinho”.

A dupla era presença garantida no CEU Jaçanã, que fica a menos de 1km da casa do MM, e o espaço serviu como uma escola de música para o MC. Lá a dupla compunha e ensaiava para os bailes, além de passar as tardes livres jogando bola.

Cantar era um hobby que o MC tinha que conciliar o sonho com o trabalho. Na época, por diversas vezes, chegou a fazer bailes de graça. “Não foi moleza chegar onde eu estou hoje. No começo, muitas vezes eu cantei de graça, não pagavam nem uma água ou uma condução”. Certa vez, ele teve que voltar a pé do Brás até o Jaçanã – mais de 13 quilômetros de caminhada. “Um dia desses estive no Brás e lembrei que um dia cantei num baile e tive que voltar pra casa, no Jaçanã, a pé. Mano, foi uma caminhada, viu?! (risos)”.

Depois de algum tempo junto do parceiro, as ideias de Lello começaram a entrar em conflito com o que Márcio pensava, e isso deu ruim no projeto. Quase na virada da década, a dupla chegou ao fim e o Moleque Monstro, apelido que herdou do tempo de escola, quando escrevia seus raps se transformou no seu artístico: MC MM.

“Nessa época, eu fazia ostentação, porque era o que tava pegando. Porém, eu sempre tive facilidade em compor. Então quando a putaria estava em alta, eu também mudei, comecei a escrever de uma outra forma”, explica o cantor, que faz questão de agradecer ao MC Menor da VG, amigo de longa data, pelo incentivo no funk. E foi graças as letras ousadas que o cantor começou a crescer no funk e alcançou o sucesso, principalmente nos fluxos de favela.

Mas, como diria o Tio Ben, “com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades”. E, após entrar em uma das produtoras musicais do segmento, ele precisou decidir entre o emprego e o funk. E Márcio escolheu a segunda opção.

Porém, o cantor mal teve tempo para ficar com dúvida se tinha feito a escolha certa ou não. O hit ‘Vai Bater o Sinal’ (2015) foi sucesso nas ruas e mostrou que o MC fez uma decisão acertada. “Sempre confiei em mim”, resume MM, orgulhoso da sua trajetória.

Filho do meio, Márcio mora com seus outros dois irmãos, sua mãe e sua namorada. A casa de hoje é a mesma da sua infância e MM diz que não pretende sair da comunidade da Serra Pelada. “Aqui, eu conheço todo mundo, meus amigos moram por aqui, meus familiares moram por aqui. Sinceramente, não vejo porque eu moraria em outro lugar”. Aliás, foi na comunidade que o MC nos recebeu para contar sua história.

Hoje, o MC MM é um dos artistas da KondZilla Records e se orgulha de ter estourado por todo Brasil e também, com o seu trabalho, ter ajudado sua família, que agora apoia a sua decisão. Principalmente sua mãe.

Aproveitando a nova fase na carreira, o Moleque Monstro está com novas ideias e parece que vem mais sucessos como ‘Social, Narga e Piscina’ por aí. Ele adianta: “Nessa minha nova caminhada, vou tentar inovar. Já estou produzindo músicas mais lights, com letras mais suaves. Esse é o futuro do funk, algo que possa agradar tanto a favela, quanto o pessoal de outras classes e lugares”.

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