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A história do Dennis DJ é mais interessante do que você imagina

Se tem um personagem que participou da juventude de quem curtiu funk com 15 anos, esse cara é o Dennis DJ. Com 36 anos da idade, sendo 20 deles dedicados exclusivamente ao funk, o produtor já trabalhou com toda a trupe de artistas carioca, tem uma festa chamada “Baile do Dennis” (que mais parece um festival), é um dos poucos artistas que tem uma licença poética para produzir um “Funk EDM” e ainda teve tempo para criar o hit “Malandramente” em 2016. Acha pouco? Confira mais da história do produtor aqui no Portal KondZilla.

Dennison de Lima Gomes, 36, pode não ser tão conhecido quanto deveria. Natural de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, o cara já foi da Equipe Furacão 2000 e produziu os maiores hit’s do funk carioca: “Cerol na Mão”, “Um tapinha não dói”, “Dança da Motinha”, “Jonathan da nova Geração”, “Vai Lacraia”, “Já é Sensação” e muitas outras que você já ouviu, mas não sabia que era dele.

Ao contrário do que se imagina, ele não vive só das glórias do passado. O produtor, depois de passar mais de 10 anos nos bastidores do funk, resolveu tomar a frente e apresentar o seu trabalho como artista. Com o programa de rádio “Baile do Galerão”, que posteriormente virou “Baile do Dennis”, o produtor ajudou a escrever a história do funk carioca. E agora, como Dennis DJ se joga em turnês pelo Brasil.

Dennis é quase um pop-star. Sempre com o cabelo e a barba arrumada, ele é mais que DJ e produtor musical, ele agora se tornou um empreendedor do funk. Com um radar para talentos, o cara vem abraçando artistas para colaborarem em suas produções. Nesse time já passaram: Claudia Leite, MC Livinho, Latino, MC Marcinho, Mc Pikachu, MC TH, Zaack e Jerry, MC Davi, Mc Kekel e os já conhecidos MC Nandinho e Nego Bam, presentes no sucesso “Malandramente”.

Malandramente foi um hit absoluto do funk carioca. No YouTube, já ultrapassa a marca de 84 milhões de visualizações e foi uma das músicas mais tocadas em 2016.Neste ano, o produtor juntou a dupla Nandinho e Nego Bam novamente e arriscaram outra música, a “Pitu”. Além do lançamento, prepararam também um videoclipe, lançado em fevereiro. E foi durante as gravações de “Pitu” que o trio encontrou o Portal KondZilla para um bate-papo. Confira como foi a conversa:

Como surgiu a ideia da música Malandramente? Vocês já estavam trabalhando juntos?

Dennis: Essa música [Malandramente], na verdade, já existia na voz do Nandinho na versão putaria. O Nandinho me apresentou essa música e falei “cara, vamos limpar essa música para eu poder lançar”. Ele já cantava, mas não tinha o lançamento ‘oficializado’ e a música não aconteceu. Falei para ele mexer, e enquanto trabalhávamos na música, o Nego Bam estava indo gravar comigo uma outra música, eles ainda não eram uma dupla.

Lá no estúdio, o Nego Bam estava sentadinho, quieto (ele só fica quieto mesmo). Eu sempre fui fã da voz do Nego Bam, já fazia uns 3-4 anos que eu queria gravar com ele. E ai eu falei para Nandinho que se colocasse a voz do Nego Bam ia dar um reforço [na música]. Aí ele entrou no ‘Aaaaaí safada’ e começamos a rir. Quando todo mundo começou a rir, falei: ‘é essa p*rra aí’. E aí nasceu a parceria, porque até então não era. E a gente foi fazer o clipe em São Paulo da “Malandramente”.

E esse moda de transformar a putaria em versão light? Como funciona?

Dennis: É mais para comercializar a música. O Rio é o berço disso tudo. A putaria já tem no Rio desde que eu me entendo por gente. Eu, particularmente, tento fazer um trabalho mais “clean”, mais limpo para galera, para ser aceito por todos os públicos.

Nandinho: A versão light é pra pegar todo mundo também, porque senão, lá no Rio… ou melhor, não só no Rio, como em todo lugar que tem funk no Brasil. Se você se limitar e ficar só na putaria, você não se dá bem.

Dennis: Antigamente era pior. Os MCs já faziam a putaria sem saber como ia ser a light. Hoje em dia já criam a música, putaria, ou se bobear até a ligth primeiro para depois criar a putaria.

Como funciona o processo de criação das letras de vocês?

Nandinho: Na hora que ta criando a música ali, você tá lá pensando, “p*rra, putaria”. Bota ali, tira aqui, até quando tu vai pra outro mundo. Depois vou lá e falo ‘Coé Dennis, ta legal?’. Ele pede pra cantar. Porque ele é mente pura (risos).

Dennis: Eu sou a pessoa mente pura, ele é a mente da maldade, da putaria (risos). É que pra eu tocar [fica difícil]. Eu tenho um público muito diverso, que vai de 0 a 80 anos. Eu atinjo todas as idades, então eu não fico focado só em um público. Eu falo com um público geral. E ai, se você deixar a música muito pesadona, no meu caso, pra divulgar, ai não dá. Para eu tocar, para eu fazer parte do meu projeto, não dá. Hoje eu tenho que pensar na light. Porque assim, a galera mais velha até dá aquela zoada, mas, não vai botar dentro de casa para ouvir. O adolescente vai. Então eu tento manter essa galera toda em harmonia.

A música Malandramente foi um estouro internacional, o mundo todo acabou ouvindo a música de vocês. Vocês já esperavam por esse sucesso todo?

Dennis: Não, não esperava. Ninguém esperava nada aqui. Uma coisa que eu boto na cabeça deles é o pé no chão. Eu falo que o ‘Malandramente’ é uma música que só aparece a cada dez anos, uma música pra fazer o crossover que ela fez, é difícil. Ela atacou até quem não gosta do funk, mas gosta do Malandramente. Isso não é fácil. Eu falo para eles “Não pensem que a próxima música vai ser igual a essa”. O tempo todo eu falo para não frustrar os caras, porque eu já estou acostumado com essa rotina. Trabalho nisso há 20 anos, eu estourei inúmeros artistas e músicas, e já sou calejado nessa história.

Acho que o grande lance é que agora eles tem uma marca, essa música vai ficar na vida deles. Agora é trabalhar daqui pra frente para fazer a manutenção musical. Hoje, existem diversos funks estourados, mas são estourados só no nosso meio [do funk]. Não são igual o Malandramente que atingiu todo mundo.

São poucos os funks que fizeram esse crossover de público, podemos até contar nos dedos: “Bumbum Granada”, “Baile de Favela”, “Malandramente”, “Se ela dança eu danço” do Mc Leozinho. São músicas que chegaram em um público além do funk.

Agora, já aviso para eles não esperarem um sucesso igual o “Malandramente”. Se acontecer, amém, dois raios no mesmo lugar, mas eles já são muito calejados. Estão acostumados com esse mundo.

Vocês três são cariocas que nasceram dentro do funk e conseguiram ver todo a construção do movimento. Hoje, já tem funk no Brasil inteiro, inclusive em São Paulo. Como vocês vêem esse movimento de funk paulista?

Dennis: Eu vejo esse movimento como uma renovação. Acho que foi muito importante para o mercado do funk ter essa outra visão, de uma galera que tem uma outra cabeça, que não tem a informação que a gente tem no Rio. Eu acompanho o funk desde que o funk não era nem nacional, era só o Miami Bass.

O “carioca”, e eu digo no sentido “o carioca” porque eu, particularmente, o Dennis DJ, sou muito mente aberta, tem uma parada de posse com o funk, de falar que o “funk é meu”. Há três anos, eu já via SP sinalizando que estava chegando e eu comecei a levar MCs de São Paulo pra tocar no Rio de Janeiro.

E nessa época, todo mundo ficou rindo e me recriminando: “p*rra, cê tá dando moral pra esses paulistas? Esses caras vão roubar nosso carvão aqui!”. Só que como você vai falar que o pagode é do Rio ou de São Paulo? O pagode é do Brasil. Assim como o funk. O funk não é do Rio, o funk iniciou no Rio e explodiu. Acho que até demorou pro funk chegar em SP.

Eu fui um dos primeiros DJs a tocar funk em SP. Tô falando da época do “Bonde do Tigrão”, “Cerol na Mão”, “Um tapinha não dói”, na virada dos anos 2000. Eu fui o primeiro a fazer um programa de TV em São Paulo com essa galera toda. As casas aqui [de SP] não tocavam funk, era só rap. Eu tocava no Nação Tan Tan quando nego nem imaginava o Nação tocar funk. E não tocava. E eu via potencial, faltava em São Paulo a galera fazer funk, que ai iria popularizar a parada.

Porque se não tem a galera de SP fazendo o que tá fazendo, o funk não estaria fazendo o sucesso que tá fazendo hoje, porque eles renovaram e fortaleceram o movimento do funk. E o cara que não tem essa mente, está ultrapassado. Não é atoa que o funk do Rio tá passando pela pior fase, porque eles não aceitam que hoje tem MCs de São Paulo que são bons compositores, bons produtores.

Dennis, você veio de um circuito musical que envolvia a TV e hoje vivemos a era da internet. Como você vê esse novo formato de trabalho com a internet?

Dennis: Isso veio pra salvar o mundo, hoje o YouTube é a nova TV Globo. Dependendo do conteúdo que você manda, você tem o resultado. A internet foi uma invenção maravilhosa, a internet veio pra estragar algumas coisas, mas veio pra ajudar muito também, porque hoje [a internet] esta alimentando muita gente. Antes, você dependia das gravadoras, agora é o contrário. Hoje as rádios estão vendo quais são as 50 primeiras do Spotify, os 10 primeiros clipes do YouTube, e aí traz pra TV pra tocar.

Hoje, a luta é essa, a de agradar o público. Não tem como mentir muito. Há 15 anos era dose ligar a TV e ver os artistas se apresentando.

Nandinho: Há 15 anos atrás, a TV inventava o sucesso. Ela fazia de alguma forma o sucesso, hoje em dia as pessoas é quem ditam os sucesso.

Dennis: Sim, hoje você fabrica muito dos sucesso. Eu lembro porque eu estava muito estourado com a música “Cerol na mão”, quando eu fiz o CD da “Furacão 2000” e eu nao ia pra TV. O pessoal empurrava uns grupos que ninguém sabia cantar as músicas. Sucesso pra mim é você chegar no meio da multidão e cantar um pedaço da sua música e o público continuar a cantar. Pra mim, isso que é sucesso. Agora você pega uma música, joga lá e ninguém canta, que sucesso é esse que ninguém canta? Então tinha muito disso.

A internet foi a melhor coisa, porque agora acabou o monopólio. Não é mais quem é que a TV quer mostrar. Taí os Youtubers, a KondZilla, os MCs…todo mundo, inclusive eu. Como é que eu chego lá em Manaus, no shopping Manauara e tiro uma porrada de foto? Eu não apareço na Globo toda hora, eu não apareço na TV. Alguém conhece a minha cara, mas conhece da onde? Da internet! Da rede social.

Ao longo de 20 anos, você acumulou diversos sucesso musicais e agora acertou em mais um. Qual é o segredo para alcançar o sucesso?

Dennis: Eu posso falar pra você da minha história, eu tenho 20 anos no funk. Nos bastidores do funk, sempre produzindo os artistas, como compositor, produtor musical, no backstage da coisa. Eu sou conhecido no meu estado, porque eu sempre tive programa de rádio nesses 20 anos. Eu já rodei muito, eu já fiz muito evento, muito show, aquela coisa toda, por conta da Furacão 2000 tive essa visibilidade que a gente tinha com um programa de TV local, no Rio, na Band. Eu sou muito conhecido lá, e de uns 10 anos pra cá, eu decidi a tomar a frente como artista mesmo. Desses 10 anos pra cá. Então, se você analisar: depois de 10 anos trabalhando, fazendo, compondo, produzindo música no backstage, depois de mais 7 anos tentando como um artista, só de 3 anos pra cá, dentre esses 20 anos, que eu consegui chegar no meu objetivo. Então assim, tem como você desistir rápido e fácil? Não tem pô! Entendeu?

Hoje eu tenho uma carreira. Por isso que eu falo, pra você não desistir, porque Deus sabe a hora certa. Se ele não te deu ainda a oportunidade, porque ainda não é o momento. E eu acredito também que se eu tivesse o sucesso que eu tenho hoje, há 10 anos atrás, eu não teria maturidade que eu tenho hoje. Eu tenho certeza que eu não ia conduzir a minha carreira, a minha vida profissional como eu sei conduzir hoje. De tudo: administrar a grana, a fama, tudo isso. Acho que Deus sabe a hora de te dar o sucesso. Por isso que você não pode desistir. Você tem que tentar, tomar as porradas, porque é a porrada é que vai te deixar forte, e vai te ensinar também.

Nandinho: A porrada vai te ensinar. Te ensinar a conduzir aquilo tudo. Deus prepara o melhor pra você. Ai você acha que ta num momento bom, mas tudo vai vir na hora certa.

Voltando naquele assunto, se o povo do RJ, os funcionários do funk entendesse que o Brasil é muito grande, que não é pra gente ficar se limitando, tipo, não ajudando o movimento a crescer, a ficar criticando, brigando, sabe, essas coisas que falamos, se o povo abrir a cabeça, se cada um fizer o seu, eles vão ver que tem lugar pra todo mundo. Eu ganhava 2 mil numa noite e achava que estava rico, e eu fazia 3-4 bailes, ia na favela, ai deu uma caída e agora voltou e tô vivendo num sonho. E… olha isso aqui, isso aqui também é funk! Mas é mais gostoso! Tem um sabor melhor! Vitória tem sabor de mel!

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Dança Comportamento Matérias

Em tempos de sarrada, o passinho de Fezinho Patatyy resiste

O ‘passinho do romano’ nasceu como homenagem ao ‘Magrão’, um cara do Jardim Romano, Zona Leste de São Paulo, que costumava dançar uma mistura de break dance com funk. Um dia, Pedro Felipe de Jesus Dias, 20, hoje conhecido como Fezinho Patatyy, decidiu gravar um vídeo homenageando o Magrão e dando uma incrementada na dança. Bom, o restante é história. O vídeo se popularizou rapidamente e o passinho do romano ficou conhecido ao redor do globo, enquanto Patatyy virou sinônimo da dança. E já que vivemos em época de “sarradas”, pedimos pro dançarino contar pro Portal KondZilla sobre a evolução do passinho, que já encantou desde a Banda do Mar até o DJ KL Jay, do Racionais MCs e sua nova fase como MC. Confira agora:

E falando logo sobre a moda do momento, a sarrada, Fezinho dá o papo e uma dica para quem quer dar A-QUE-LA sarrada:

“Fico muito feliz em ver o pessoal dando sarrada por aí, já vi vídeos de várias pessoas famosas, tipo o Neymar, o Robinho, ator da Globo, além dos funkeiros, tipo o Kevinho, que levou a sarrada para um outro nível”, elogia o dançarino. “Mas acho que não existe sarrada sem o passinho do romano, ou o passinho sem a sarrada (risos)”.

Nascido em Itabuna, na Bahia, Pedro se mudou para São Paulo ainda criança. A dança sempre fez parte da sua vida e o garoto que não parava quieto quando menor, chamou a atenção do pessoal pela malemolência.

“Desde criança, na Bahia, eu não ficava parado, costumava dançar axé, pagode… Quando vim para São Paulo, conheci o funk”, explica Fezinho.

Um pouco mais velho, o garoto conheceu “Os Hawaianos”, grupo de dançarinos cariocas que também cantava funk e fazia bastante sucesso pelo Brasil. E foi inspirado neles que o garoto decidiu ser um dançarino, usando principalmente músicas de funk.

Incentivado pelos amigos, ele decidiu gravar alguns vídeos dançando. Com o celular da mãe, ele fez seu primeiro vídeo e subiu no YouTube. No início da década, 300 visualizações no YouTube e um burburinho no famigerado Orkut já eram motivos para Fezinho acreditar no sucesso. Mas o melhor ainda estava por vir.

“O quinto vídeo que fiz pensando no YouTube foi o que impulsionou. Todo mundo comentava, eu nem acreditava que tinha feito tanto sucesso. Hoje, são 55 milhões de visualizações”, confessa orgulhoso o dançarino.

A estética e a maneira de gravar os vídeos mudou pouco nesses três anos de canal. Fezinho continua gravando seus vídeos na laje da sua casa, em Burgo Paulista, de forma totalmente improvisada. Ele garante que não há coreografia – muito menos erros de gravação. “Faço tudo em cinco minutos. A graça é essa, é fazer de repente e de primeira. Só tem coreografia quando tem alguma participação especial”.

Parte dessa estética também fez com que Fezinho colocasse um ‘pé’ em outra cultura periférica: a cultura do hip-hop. O fundo onde os vídeos são gravados são grafitados, e mudam conforme as épocas. Já foram mais de cinco pinturas diferentes. Assim, de forma indireta, o garoto dança, apoia o grafite e agora arrisca cantar, unindo três dos quatros movimentos do hip-hop (o 4º é o DJ).

Toda essa espontaneidade chamou a atenção de muita gente. Inclusive do público de fora do funk. Fezinho fez uma participação especial na música “Mais Ninguém” da Banda do Mar, trio formado pelo casal Mallu Magalhães e Marcelo Camelo, além do português Fred Ferreira. Além de ser protagonista no videoclipe “Roman Battle“, do produtor Carlos Nunez.

E essa versatilidade em dançar deixou uma dúvida no ar: existe música que não dê para dançar? Principalmente, o ‘Passinho do Romano’? Fezinho responde:

“Não existe, acho que toda música dá para dançar”, explica. O dançarino aproveita para falar sobre o atual momento do funk. “O que eu danço mais é funk, porém com a onda da putaria, fica um pouco mais difícil, porque a letra também me ajuda. Mas não é algo que não dê para dançar”.

Hoje, além do sucesso como dançarino – seu canal no YouTube já conta com mais de um milhão de inscritos -, Fezinho se arrisca também na carreira como MC. E a nova empreitada vem dando certo. O “Passinho dos Malocas” encaixa os vocais do dançarino, com uma dança coreografada. E se tratando de Fezinho, digamos que a dança já tem um símbolo de qualidade garantido.

Pedro Felipe, se diz feliz com o momento atual e ainda não sabe se pretende dar prioridade pra carreira de cantor ou de dançarino. Até porque, ele diz que ainda tem alguns sonhos para realizar antes de tomar um rumo final para a carreira.

“Eu decidi cantar por conta do MC Daleste. Sou fã dele e depois da sua morte, tomei coragem para cantar também. Agora tenho um trabalho estabelecido, com videoclipe e o público está gostando, então quero continuar [dançando e cantando]. Ainda quero gravar música com muita gente, mas meu sonho mesmo é dançar com o Nego do Borel. Ele é pica demais! (risos)”, finaliza o garoto.

Acompanhe o trabalho do Fezinho Patatyy pelas redes sociais: Youtube // Facebook // Instagram

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Funk

As Galeras – (2015)

A cultura do baile funk nasceu marginalizada, afinal, por ser uma cultura periférica surge as ‘margens’ da sociedade. O movimento hoje, recebe um certo glamour sobre a cultura, mas na década de 90, o cenário era completamente diferente. Recém nascido no Rio de Janeiro, o berço do ritmo no Brasil, o funk crescia nos morros cariocas, enquanto o asfalto tratava aquelas festas como algo quase animalesco, principalmente quando a conversa se tratava dos “Bailes de Galera” e do famoso “Baile de Corredor”. A dificuldade na época, era apresentar o outro lado da moeda, e este trabalho feito pela diretora Juliana Portella, do ano de 2015, retrata o lado dos produtores e público. Mesmo que o assunto já esteja ‘resolvido’ entre os frequentadores, o documentário mostra a situação como dá voz aos produtores e frequentadores.

Direção: Juliana Portella
Ano: 2015

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Entrevista Funk

A carreira do Jerry Smith vai muito além de “Bumbum Granada”

O funk é uma verdadeira roda gigante. Quem apostaria que o segundo trabalho de uma dupla seria sucesso nacional e alcançaria a incrível marca de mais de 200 milhões de visualizações no Youtube? Esse é o caso do Jerry Smith com a música “Bumbum Granada”, que lançou o MC como destaque no mundo do funk e serviu de experiência de vida para o cantor. Mas, como ninguém vive só de glórias do passado, Jerry Smith está muito atento ao cenário e já projeta as lições que teve com o sucesso na sua carreira solo. Rodando nas pistas, as músicas “Na Onda do Beat” e “Opa Opa”, essa última com participação do MC WM e do DJ Pernambuco, apresentam o novo momento do cantor. E ao Portal KondZilla, Jerry Smith falou sobre essa e outras histórias. Confira:

“Primeiramente, quero deixar claro que sou muito amigo do Zaac. O fim da dupla [no final de 2016] foi um processo natural”, avisa Jerry Smith no começo do papo. “Graças a Deus, nós dois estamos tocando nossas carreiras solo muito bem, tanto que eu estou com meu trabalho na pista e ele [Zaac] também, com “Vai Embrazando“estourada por aí”, lembra o MC, que também destaca que ambos são da mesma produtora, a Start Music.

Quando procuramos o cantor para uma conversa, a ideia não era esticar o chiclete sobre “Bumbum Granada”. Mas tem como falar do Jerry sem citar a música? Então para resolver esse assunto, Rodrigo Silva dos Santos, 23, explicou que não imaginava que a música fosse fazer tanto sucesso. Porém, o trabalho foi feito com muito cuidado.

“Tivemos um cuidado especial desde a produção, até o videoclipe, que foi o que impulsionou a música. Acho que esse foi o trabalho da nossa vida”, confessa o MC. “Uma coisa que aprendi com tudo isso, é que a humildade é fundamental. Eu preservo bastante minhas amizades de infância, por exemplo. Isso me mantém com os pés no chão”.

Baiano de nascimento, Rodrigo se mudou para o estado de São Paulo na adolescência e, ainda garoto, já se jogou para o mundo das artes. Mas era uma “arte” um pouco diferente da que cravou a carreira do cantor. Inicialmente, Jerry Smith queria ser ator e fez até apresentações na escola. Acredita?

A vontade de cantar surgiu pouco tempo depois, e o funk entrou na vida do MC graças aos MCs cariocas, principalmente o MC K9, um dos ídolos de Jerry. E a caminhada foi difícil. O cantor conta que seu começo, lá em meados de 2012, foi de muita peregrinação por estúdios e produtoras paulistanas, tudo a procura de uma oportunidade de mostrar o talento natural que tem na voz.

Depois de uns três anos na pista, o cantor conheceu Zaac na produtora onde os dois trabalhavam, no ABC paulista. “No início, cada um tinha o seu trabalho, mas admirava o do outro. Decidimos gravar algumas músicas em conjunto, e a galera gostou”.

Quem poderia dizer que uma ideia jogada no ar, poderia dar tão certo? “Um dos nossos empresários sugeriu que nós formássemos uma dupla, e como tínhamos uma afinidade legal, aceitamos”.

Sem pretensões, o primeiro trabalho da dupla foi “Nos Fluxos”, que para surpresa de todos, rendeu bons frutos. Agora, quem poderia apostar que logo a segunda música de um projeto recém-iniciado seria o marco na vida dos dois? A música “Bumbum Granada”, sucesso no Brasil inteiro, inseriu os dois no meio da música. Daí pra frente, é história. A dupla se jogou nas estradas, viveu o sonho de ser MC e percorreu o país, até que meses depois da explosão, a dupla “Zaac e Jerry” chegou ao fim.

Depois de uma leve pausa para entender o que aconteceu na sua vida, Jerry Smith, agora em carreira solo, se diz feliz com o atual momento e com seu mais novo trabalho, “Pode Se Soltar”, música nova que traz uma levada próxima ao Arrocha-Funk (já falamos desse movimento nesse texto).

“Estou curtindo essa fase e o público está muito receptivo ao meu trabalho. Sempre tento inovar”, conta o MC, que vem utilizando o aprendizado do sucesso na carreira. “É uma escolha minha não cantar putaria. Evito colocar palavrões nas letras até para atingir o máximo de pessoas possíveis. E isso vem dando resultado, graças a Deus”.

Um fator que marca a carreira de Jerry é a sua voz. Ela não é modificada em nenhum programa de computador, como também não é algo forçado pelo MC. Rodrigo garante que a voz é fruto de muito cuidado. Ele até contou que fez aula de canto durante quatro anos. Afinal, esse dom é o que move seu trabalho e também é um diferencial para a carreira.

“Hoje, existem diversos MCs que se destacam pela voz, não é só eu. E creio que todos precisamos ter um diferencial, que seja a voz, ou um bordão, algo que seja único”. Anotou?

Jerry Smith, em poucos lançamentos solos, já deixou claro que é muito mais que apenas o cara do “Bumbum Granada”. Hoje, o cantor olha para o passado com entusiasmo do que já fez, mas também olha para frente com determinação de continuar essa história de sucesso. Sempre com um toque de criatividade.

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Funk

Conheça, em 10 músicas, a trajetória do MC Kekel

Com quantos sucessos se faz uma carreira? Kekel é prova de que o talento fala mais alto em relação ao tempo. O MC que surgiu no cenário do funk com “Meiota”, em 2016, hoje é um dos novos românticos e com muito carisma e diversão, é figura querida entre os bailes do Brasil. Para sacar mais dessa trajetória do cantor dos sucessos: “Partiu“, “Namorar Pra Quê” e “Quem Mandou Tu Terminar?“, o Portal KondZilla vai contar um pouco mais da história do garoto da Zona Leste que conquistou o país com suas músicas falando sobre amor, de uma forma bem descontraída.

Nascido em Guaianases, extremo leste de São Paulo, Keldson Willian da Silva, 21, começou no funk aos 16 anos, lá em 2012, quando o funk surgiu em São Paulo e era dominado por letras sobre produtos de luxo e marcas famosas. Se espelhando nos colegas de quebrada que curtiam o ritmo e tentavam se aventurar na carreira de MC, Kekel começou a cantar.

Fã de ‘Claudinho e Buchecha’, desde o início da carreira Kekel tentou se apegar a levada romântica, sempre com letras que falam de amor. Para o azar do cantor, à época, o movimento não dava tanto espaço para o tema. Mas os tempos mudaram, o que deu luz a carreira do cantor que hoje, tem no currículo: “Partiu”, “Namorar Pra Quê”, “Hit do Verão” e “Quem Mandou tu Terminar?“.

Mesmo conciliando o trabalho com a carreira artística, o desejo de se tornar um MC de sucesso sempre foi um sonho vivo para Kekel. E esse sonho começou a se tornar realidade há cerca de um ano quando a música ‘Meiota‘ mudou a vida do rapaz.

Digamos que ‘Meiota‘ não é a música mais romântica da Terra. Essa característica que o MC Kekel tanto gosta veio aparecer no seu segundo hit, ‘Partiu‘ – que hoje tem a incrível marca de 146 milhões de visualizações. Pronto, o Kekel se tornava referência em todo o país.  E vamos combinar, quem nunca brigou com a patroa e deu uma escapada?

Logo depois do sucesso de ‘Meiota‘, o MC também ficou conhecido pela sua semelhança com o jogador de futebol francês Paul Pogba. E Kekel tem uma ligação legal com o futebol, pois já fez diversas paródias e músicas para times. Inclusive uma mensagem de apoio as famílias do time Chapecoense. Mesmo assim, o cantor garante ser perna de pau.

E 2016, definitivamente, foi um ano e tanto para o cantor. Além de “Meiota” e “Partiu“, que fizeram o Brasil inteiro conhecer as famosas motos e pensar em ir para balada após discutir com a mulher, o MC paulistano ainda tinha na manga “Namorar Pra Quê?” – que conta com 164 milhões de visualizações no Youtube. Kekel colocava de forma divertida, o que todo mundo sempre comenta com os amigos.

Chegava 2017, e Kekel já figurava como um dos principais nomes do funk paulista. Conhecido em todo o Brasil, ele aproveitou o Carnaval para viajar a Bahia e fazer uns trampos com o Léo Santana. O resultado foi “Hit de Verão”, que mistura a levada do funk com o pagode baiano.

Nas redes sociais o MC aproveita para compartilhar um pouco da sua vida com os fãs. Nas postagens, fica claro o amor pela sua mãe, que morreu quando ele tinha 16 anos e não pode acompanhar o sucesso do filho no ritmo. Em uma das homenagens a sua mãe, o MC faz um video cantando a ‘prévia’ de uma música e, no final da gravação, ele não consegue segurar a emoção.

Em 2017, não foi muito diferente do ano passado e MC Kekel continua a se destacar. Agora integrante da KondZilla Records, o cantor já tem mais um sucesso, “Quem mandou tu terminar?”, prestes a bater a marca de 100 milhões de visualizações no YouTube.

Em pouco mais de um ano, o MC conseguiu escrever seu nome no funk e agora viaja pelo país levando sua música. Muito talento e carisma escrevem a trajetória do cantor. Muito feliz com o momento, Kekel promete novidades para o seus fãs.

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Relíquias do funk Funk

O show de retorno da dupla Danilo e Fabinho, lembrou os bons tempos da Baixada

No último sábado (20), a dupla Danilo e Fabinho – conforme falamos nessa entrevista – fez seu show de retorno na casa noturna Concais, em Santos. Após uma pausa de cinco anos, uma das duplas de maior sucesso no funk paulista está de volta e nós, do Portal KondZilla, estivemos presente na festa para contar um pouco de como foi esse a festa de retorno, um marco para o funk da Baixada.

O show foi realizado no Terminal Concais, uma das maiores casas de show do litoral paulista. Chegamos lá por volta das 23h, e logo de cara já percebemos que o clima da festa era especial. A média de idade do público era diferente do que costumamos ver em bailes funks, estava próxima dos 30 e, na sua maioria, era formada por casais.

Ao entrarmos na casa – que rapidamente lotou – tivemos a certeza que ali seria uma noite diferente. Demos uma passada no camarim e colamos nas estrelas da noite, a dupla Danilo e o Fabinho, que já estavam, digamos, aquecendo os motores. “Estamos ansiosos, mas estamos pronto. Parece que vão ser mais cinco anos até chegar a hora de subirmos no palco”, brincam os dois no começo da noite.

Seguindo uma espécie de linha do tempo, o DJ Anderson, um dos responsáveis por entreter o público até o único show da noite, foi mandou benzão. Desde o melody de Claudinho e Buchecha, até o consciente do MC Barriga, enquanto o público parecia mais que satisfeito em lembrar das músicas que fizeram a juventude dos presentes.

Se tratando de um show de volta de uma dupla da Baixada, as músicas que mais contagiaram o público, obviamente, foram dos artistas do litoral. E teve de tudo na noite, incluindo reações inesperadas. A cada música, estranhos se entreolhavam e cantavam junto, como se dissessem: “cara, esse tempo era foda, né?!”. E, com o passar do tempo, teve gente que não conseguiu segurar a emoção e foi às lágrimas.

Na pista, o clima era de nostalgia total, com uma mescla entre a galera mais velha – que lembrava os tempos antigos – com a molecada mais nova. Já na área VIP, o público podia trombar um desses artistas da antiga, tipo o Kbeça, da dupla Totto e Kbeça, ou o Bola (do hit “Ela não anda, ela desfia“), ex-dupla Bola e Betinho. E foi um festival de selfies com esses artistas, que a todo momento escutavam pedidos de “volta”. Haja nostalgia, amigo.

E chegava a grande hora. O relógio já marcava 4h30, quando Danilo e Fabinho foram anunciados. O público veio abaixo. Na verdade, veio acima e foi difícil conter uma invasão em massa ao palco. Porém, como próprio Danilo disse, aquilo mostrava o carinho – e a saudade do público.

Foi cerca de 1h20 de show. No ‘cardápio’, músicas como ‘Tô Bolado’, ‘Pelo Amor de Jorge’, ‘Sempre Te Ter’, ‘Conquista e Dignidade’, o set list é grande para uma dupla de 20 anos. E foi. O público presente no Concais teve a certeza que a dupla Danilo e Fabinho está de volta. E quem sabe, o funk da baixada também. Confira como foi a festa pelas fotos abaixo:

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Matérias Funk

Demos um rolê no Helipa com o MC 2K

Os fluxos de Heliópolis, comunidade localizada na região sudeste de São Paulo, se tornaram conhecidos em todo o mundo por conta de diversas citações em músicas, e um dos responsáveis por esse reconhecimento é Kayque Martins Rodrigues, 23, o MC 2K. O cantor, que já passou pela KL Produtora, foi destaque no Boiler Room e agora se diz muito maduro, bateu um papo com o Portal KondZilla. Aproveitamos para dar um rolê pelo Helipa enquanto o MC explicava mais sobre as curiosidades da comunidade e do funk.

Atualmente com cerca de 120 mil habitantes, Heliópolis (que em grego significa “cidade do Sol”) começou a ser ocupada por retirantes nordestinos no início dos anos 70 e é considerada a segunda maior favela de São Paulo (ficando atrás de Paraisópolis), além de ser uma das maiores da América Latina. Recentemente, a favela se tornou um bairro, ganhando o nome de Cidade Nova Heliópolis.

Encontramos 2K na sua casa, que fica a uns cinco quarteirões da entrada do Helipa. Durante o rolê, fomos acompanhando aquele mar de casas coloridas de alvenaria como fundo e ruas onde o asfalto nem sempre é presente. Entre becos e vielas, o MC contou um pouco sobre a relação que tem com a comunidade. Aliás, é chato dizer, mas Kayque não nasceu em São Paulo e nunca morou no Helipa. Sim, eu também fiquei frustrado.

“Eu nasci no interior de Minas Gerais e me mudei para São Paulo ainda na adolescência, com uns 16 anos, com o sonho de ser jogador de futebol. Meu pai já morava em SP e trabalhava com vários projetos em Heliópolis, incluindo coisas relacionadas ao funk. Foi aí que tive meus primeiros contatos com o Helipa”, explica o cantor.

Porém, 2K só ia ao Helipa acompanhado do pai. Ir sozinho para os fluxos então?! Vesh, nem pensar. Hoje em dia, Kayque não precisa mais ‘fugir’ dessa vigilância paterna e com o trabalho musical, a paixão pelos fluxos só aumentou – principalmente os do Helipa.

“Acho que o fluxo é um termômetro do meu trabalho. Quando vou em algum [fluxo], fico mais tempo observando tudo o que acontece, absorvendo, tendo ideia”, conta 2K. “Hoje em dia, vou para fluxo a trabalho mesmo. [A música] ‘Baile do Helipa’, por exemplo, eu fiz assim, observando o rolê”.

Fã desde pequeno do funk carioca – pra você ter uma noção, ele sabe cantar de cabo a rabo “Rap do Solitário“, do MC Marcinho -, Kayque pensou primeiro em ser dançarino e se espelhava no grupo “Os Hawaianos“, grupo carioca que estourou nos anos 2000. Mas aos poucos percebeu que o papel do MC era, digamos, mais interessante.

“Acompanhando os eventos que meu pai fazia, ficava deslumbrado com a atenção que o MC recebia no camarim, toda aquela gente cercando o cara. No começo, queria ser dançarino. Porém, alguns amigos meus me incentivaram a cantar e meu primeiro passo foi três meses antes de estourar ‘Ziguirigudum’ (lançada em 2013)”, explica o MC. “Foi tudo muito rápido na minha carreira, e eu agradeço por isso”.

De 2013, com o lançamento de “Ziguiriguidum”, até 2017, com “Falei Nada”, muita coisa aconteceu e serviu de aprendizado. Hoje, 2K se considera um MC experiente e maduro, com uma carreira consolidada. E isso se reflete no Kayque, pois aquele moleque que não era tão responsável há uns anos, hoje é um pai de família e empresário do ramo estético. Mas ele garante que o trabalho de cantor segue como sua prioridade.

Voltando ao Helipa, passamos pela Estrada das Lágrimas, pela Prainha e pela rua onde é realizado o ‘Fluxo do Babaloo’, além de incontáveis becos estreitos. Essa jornada nos levou a casa do Mano DJ, parceiro de 2K nas produções e nos rolês.

Diferente de 2K, o Mano DJ nasceu e foi criado em Heliópolis. Frequentador de fluxos nas quebradas, Mano é quase um ‘guia’ da comunidade. Uma curiosidade dos bastidores, é que o produtor foi responsável por levar diversos artistas de renome internacional – como o DJ e produtor português Branko – para dar um rolê pelas vielas e fluxos da comunidade.

“O pessoal gosta do ambiente que tem aqui, o mar de gente, a música. Os gringos amam isso. Acho que é porque é algo bem diferente do mundo deles”, conta o produtor, que já está habituado a apresentar a comunidade para os ‘turistas’.

Aliás, se você for para o Helipa e descobrirem que você não é de lá, você será chamado de turista. Mesmo sendo de São Paulo ou alguma quebrada próxima. Não é do Helipa e tá no fluxo, é turista. Simples assim.

Voltando ao rolê, Branko e a galera da gringa devem ter se impressionado ao ver o videoclipe de “Baile de Favela“, do MC João, que ficou conhecido mundialmente e cita o Helipa. Porém, essa não foi a única canção a citar a comunidade. Também temos: “Oh Novinha“, do MC Don Juan, “Foi no Baile do Helipa“, do MC G15, entre muitas outras.

Um dos motivos para chamar geral de turista é porque, de fato, os diversos fluxos que rolam no Helipa se tornaram pontos turísticos. Caravanas de outros bairros, outras cidades, outros estados desembarcam em Heliópolis a cada fim-de-semana. E um dos motivos para os fluxos serem tão famosos na comunidade é a falta de opção para lazer na quebrada.

Nossa parada final foi no estúdio do Mano DJ, que fica às margens da avenida Almirante Delamare, uma das principais vias de acesso ao Helipa, que faz divisa com o município de São Caetano do Sul e fica a certa de 10KM do centro de São Paulo.

Com o hitFalei Nada” na pista – o videoclipe conta com mais de 30 milhões de visualizações no YouTube – 2K se diz feliz com o atual momento, dentro e fora do funk. Empresário, casado e com um filho de 9 meses, Kayque se diz com os pés no chão. Atualmente, 2K esta na produtora Start Music.

“Hoje tenho muito mais responsabilidade, não sou mais um moleque que só quer tirar onda e gastar o dinheiro com besteira. Penso bastante em dar um futuro para o meu filho e conseguir tocar meu próprio negócio junto com a minha esposa”.

Seus 23 anos parecem ser poucos para um MC que está há mais cinco anos no corre e faz ponderações maduras sobre o ritmo, como uma crítica a falta de reconhecimento aos compositores: “A galera não reconhece o trabalho deles, e isso não é bom para o funk de um modo geral”, e também, sobre o atual momento do funk paulistano: “Os caras do momento são o MC Lan e o MC Kevinho, atingindo públicos diferentes, claro”.

Depois de umas três horas de caminhada, fomos embora com uma noção mais clara da dimensão de Heliópolis e da relação de 2K com essa quebrada. Obviamente, não deu para conhecer tudo durante essa caminhada, até porque o Helipa tem uma área de 1 milhão m², o que equivale a 142 campos de futebol. É mole? É nada, é o Helipa!

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MC Bella alcança 100 milhões de visualizações no videoclipe “Arlequina”

Com pouco mais de um ano de carreira no funk, a cantora de 20 anos, natural da Bahia, se encontra no circuito de São Paulo. Bella tem no currículo outras músicas como Metralhadora e Cinderella – parceria com o MC Gui – mas o que destacou ela foi seu primeiro clipe solo “Arlequina” que recentemente atingiu a marca de 100 milhões de visualizações. E se você pensa que o papel da mulher no funk é só de dançarina, a Bella é um exemplo dessa mudança. Para você sacar mais disso tudo, o Portal KondZilla foi falar com ela, uma das mulheres no circuito de funk de São Paulo.

“Tem muita mulher no funk, mas elas não têm oportunidade” dispara Bella no começo do papo. “Acho que também falta parceria entre nós [mulheres] de fazermos músicas em parceria. Isso nos ajudaria, chamaria mais a atenção do público, como acontece lá fora”.

Baiana da cidade de Itanhaém, no extremo sul do estado, Isabella Estevam de Oliveira, 20, nos recebeu na produtora em que trabalha e disse que sempre teve uma paixão por música. Porém, por conta da sua timidez, ficava com vergonha de mostrar suas habilidades artística pros amigos na escola.

Aos 14 anos, Bella se mudou para o Espírito Santo e decidiu aflorar seu lado artístico fazendo pequenas apresentações de cover de diversos artistas. O funk ainda não estava tão presente na sua vida, como ficou ao se mudar para São Paulo, mas estava no radar da garota.

“Eu tinha minhas composições, mas me sentia mais a vontade cantando músicas de outros artistas. Até que em um dia de loucura, gravei um vídeo cantando uma música do MC Magrinho. Era uma música de putaria, mas cantei uma versão light e saiu algo legal”.

Foi assim que tudo começou para a garota, que agora, se firma no funk. Isabella explica que depois desse vídeo, ela conseguiu chamar a atenção do pessoal do circuito. Após alguns lançamentos, Bella recebeu diversas propostas e contato de diversos empresários, parecia que a chance era aquela. No entanto, o fato de ser mulher fez com que muitas dessas propostas fossem, digamos, com uma segunda intenção.

Bella ainda explica que se mudou para São Paulo aos 19 anos e logo de cara foi morar sozinha na capital do estado. Com o tempo, encontrou um empresário de sua confiança e interessado em promover o trabalho da cantora, e a partir daí, ela diz que as oportunidades foram aparecendo aos poucos, muito por conta do seu talento como MC. Na trajetória, a cantora que começou logo aos 14 anos, teve seu ápice com a música “Arlequina”.

“[Arlequina] foi o meu primeiro clipe solo, e não esperava que fosse dar toda essa repercussão. Muita gente achava que eu só fazia sucesso por conta das minhas parcerias. Na verdade, creio que isso até me ajudou [ser o primeiro videoclipe solo]. E eu bati o pé pela ideia do videoclipe, de retratar uma “Arlequina” e essa questão do relacionamento”, conta a MC. “Meu empresário, que é louco como eu, gostou da ideia e deu no que deu (risos)”.

A MC ainda tem no currículo outros milhões, na música: Metralhadora, a MC esta perto dos 6 milhões; em Ela só quer e Passinho do Alibaba 2, 1,5 milhões em cada. Isso sem mencionar as parceiras da moça com o Pollo (13 milhões) e MC Gui (17 milhões).

Fã de Rihanna e da MC Pocahontas, a história de vida da MC também chamou a atenção da grande mídia. Quando criança, sua mãe biológica foi morar nos Estados Unidos. Ela passou boa parte da vida morando com sua família adotiva. Até que, recentemente, sua mãe voltou ao Brasil e o reencontro foi transmitido no programa do Rodrigo Faro, na Rede Record.

A cantora explica que sua apresentação na TV fez com que várias pessoas virassem fã não apenas da MC Bella, mas da Isabella também. E ela faz questão retribuir todo esse carinho.

“Sinto a necessidade de falar com meus fãs, interajo muito com eles. Você tem que fazer as coisas por amor e pensando neles. No show, por exemplo, não tenho que cantar só o que quero, tenho que atender ao público. Sem eles [fãs], não existe a MC Bella”.

E a garota não perdoa. Como diz na letra de 100 milhões de acessos: “Eu sou muito boa amando, mas sou melhor me vingando”.

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Funk

Conheça os bastidores da gravação do clipe “Rabetão” do MC Lan

Lançou nesta quarta-feira (17), no Canal KondZilla, o videoclipe da música “Rabetão”, do MC Lan. Em menos de 24 horas, o vídeo atingiu mais de três milhões de visualizações e chegou a ocupar o primeiro lugar no ranking de vídeos “Em Alta” do YouTube Brasil. O Portal KondZilla compareceu no dia da gravação, para trocarmos uma ideia com o Caio sobre sua história e seu sucesso nas quebradas do Brasil. Aproveitando o momento, vamos mostrar os bastidores da gravação. Aproveite também para ler a matéria sobre o MC Lan.

O videoclipe foi gravado em São Mateus, na Zona Leste de São Paulo, e teve um enredo bem ligado ao cantor, com carros de som relembrando os fluxos, onde as canções de Lan são hinos, além do MC devidamente trajado de Cyclone da cabeça aos pés. O diretor do videoclipe, Gabriel Zerra, explica que a intenção do videoclipe foi passar autenticidade e, para isso, ele aproveitou a humildade e a criatividade do MC Lan.

“Era um consenso [entre os envolvidos] que não fosse uma superprodução, focada em algum tipo de luxo ou ostentação. Queríamos um videoclipe que retratasse uma realidade bem periférica, para que o jovem da periferia conseguisse se identificar, visse no filme algo corriqueiro, que ele vê no dia-a-dia”.

E para essa ‘realidade’, o diretor explica que até a atriz que participa do videoclipe foi ‘escolhida a dedo’, pois ela é uma garota com traços da periferia e com um rabetão, obviamente. “Não é uma ‘panicat’ com um rabetão, ela é uma garota que você encontraria em qualquer quebrada de SP”.

Confira mais da gravação pelas fotos abaixo:

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Funk

Os ‘Caçadores de Zica’ estão de volta! A dupla Danilo e Fabinho celebra retorno com show em Santos

*Fotos por: Murilo Amancio // Portal KondZilla

Muitas pessoas ajudaram a escrever a história do funk em São Paulo, que teve início na Baixada Santista no final dos anos 90 e subiu para capital como funk ostentação só no início de 2010. Durante esse período, os diversos personagens, como a dupla Danilo e Fabinho, fizeram o seu nome e ajudaram a escrever parte dessa caminhada. Os “Caçadores de zica”, como são conhecidos, são responsáveis pelas músicas: “Sempre te Ter” (1999), “Eu Sei Que Vou” (20002) e “Pelo Amor de Jorge” (2004), e celebram o retorno da dupla com um show no dia 20 de maio e um turnê em MG. O Portal KondZilla aproveitou a gravação do medley deles para conhecer mais dessa história.

Danilo Leão Laureano, 38, e Fábio Alves dos Santos, 35, começaram a cantar em 1997, numa época onde o funk engatinhava e, falando de São Paulo, só era conhecido em terras litorâneas. A época, diversos artistas do Rio de Janeiro, como MC Frank e MC Menor do Chapa, reverenciavam nomes da Baixada Santista, tais como MC Primo, MC Barriga, entre outros da época. Esse é um exemplo da importância da Baixada Santista para o cenário do funk.

No início dos anos 2000, o funk começou a se tornar o ritmo da Baixada Santista e já fazia frente com o Rio de Janeiro, com um intercâmbio de shows e artistas. A principal característica dessa época era o funk consciente, que podemos dizer que se assemelha muito ao rap – música que dominava as periferias paulistanas.

“Quando começamos a cantar, era para levar uma mensagem de paz, falar sobre as comunidades. Nossas inspirações eram os MCs do Rio de Janeiro e conseguimos fazer nosso nome. Hoje, muitos MCs da atualidade ainda nos têm como referência”, explica Danilo, ao mencionar o seu encontro com o MC João.

E um bom exemplo da grandeza do funk eram os bailes da época. Em 2003, a dupla chegou a receber uma placa (!) de um dos principais clubes do litoral paulista, a Associação Atlética dos Portuários, em Santos, por bater o recorde de público da casa. O destaque disso é que o local já recebeu shows dos principais nomes da música brasileira e dos mais variados ritmos, como Roberto Carlos, Zeca Pagodinho, Charlie Brown Jr., entre outros.

A Dupla retorna com a sonoridade da baixada. Um medley será lançado na quinta-feira (18), para lembrar os sucesso dos 20 anos de carreira. Só que a dupla não vive só de memórias. Eles estão de olho no que acontece atualmente e se dizem felizes com o crescimento do ritmo, a profissionalização do movimento e o que a cultura adotou para si. No entanto, explicam que não vão mudar o estilo consciente que marcou a dupla.

“Creio que é possível voltarmos aos tempos de ouro (risos). Tem um pessoal da Baixada Santista que está voltando, e aquele funk marcou época. Nós sabemos que muita coisa mudou, o funk está mais profissional e com uma pegada diferente, mas não vamos mudar nossa raiz também”, explica Fabinho.

Após um tempo em baixa, a dupla decidiu se separar em 2012. Muitos foram os motivos: a série de assassinatos que resultou na morte de quatro MCs da Baixada Santista, o crescimento do funk ostentação na capital, a idade, entre outras coisas.

Porém, ambos seguiram a carreira solo, com os nomes artísticos de Danilo Boladão e Fabinho do BNH. Os dois lançaram músicas (MC Fabinho BNH – Nóis Ta Na Pista e MC Danilo Boladão – Fiz Pra Você Mulher), mas agora decidiram se reunir por conta dos pedidos do público – teve até um pedido especial do KondZilla.

“Muita gente falava pra gente voltar, dar um último abraço, ter a chance de estar presente em um show. Até o próprio Kond falou com a gente, disse que gostava do nosso trabalho”, explicou Danilo

E se você acha que essa volta ficará resumida a apenas esse show, está enganado. A dupla já revelou que tem trabalho novo na pista e terá show em Minas Gerais, terra onde Danilo e Fabinho ‘são reis’.

“Depois do show do dia 20, em Santos, faremos uma turnê por Minas Gerais, onde temos um público bem fiel. Inclusive, uma das nossas músicas de maior sucesso foi adotada como hino da maior torcida organizada do Atlético-MG, a ‘Galoucura‘. Isso é muito gratificante”, diz Danilo

Pra finalizar esse papo com a dupla, pedimos para eles listarem algumas músicas para o público que não viveu o movimento da baixada. Algo como, uma introdução ao assunto, afinal, eles tem 20 anos de carreira. E a curtiu a ideia, e separou o seguinte.

Começando por “Pelo Amor de Jorge“, em seguida a música “Sempre te Ter“, sucesso que ganhou uma segunda versão “Sempre te Ter II“. Um dos marcos do funk da baixada eram as letras conscientes e “Conquista e Dignidade” e “Eu Sei que Vou” representam bem esse estilo. Fechando com ritmo tem a “Tô Bolado“. Um belo presente da dupla para os fãs.

O show de retorno acontece no dia 20 em Santos, no Terminal Concais. Você pode conferir mais informações da festa neste link. Aproveite para assistir o medley da dupla que sai amanhã, 18/05, no Canal KondZilla.

Encontre a dupla nas redes sociais: Facebook // Instagram Danilo e Instagram Fabinho .

Confira o medley da dupla

E você, lembrou de mais algum sucesso da dupla? Conta pra gente nos comentários!