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Marcado pela ostentação, MC Taz está de volta à cena

Lá em meados de 2010, o funk ostentação deu uma cara para o funk paulistano, até então uma espécie de cópia do que rolava no Rio de Janeiro. A nova vertente foi aclamada pelo público e até os dias de hoje é lembrada por fãs com certo saudosismo. Entre os que se destacaram está o MC Taz, personagem que escreveu seu nome no funk com as músicas “Deixa Rolar“, “O Filho do Dono” e “Vem Com a Gente“. E nós, do Portal KondZilla, fomos visitar o cantor na sua quebrada para trocar uma ideia sobre a sua relação com a região e sua carreira.

Obviamente, nosso rolê pelo Capão teve muitas referências do grupo Racionais MCs, ícone do rap nacional e que já destacou a comunidade da zona sul de São Paulo em diversas letras. Lucas Gomes, 23, se diz fã do quarteto paulistano, mas não conhece o Mano Brown, que é nascido no Capão Redondo.

“A galera têm essa ideia de que quem mora no Capão tromba a galera [do Racionais MCs] em toda esquina, mas não é bem assim. Eles têm uma influência na quebrada, até pela importância deles na música”, conta Lucas. “Eu sou fã deles, escuto desde moleque. Eles são tipo uma referência para mim”.

O bairro do Capão Redondo está localizado no Sul de São Paulo e tem uma população aproximada de 300 mil habitantes, ficando entre as cinco comunidades mais populosas da cidade. Seus primeiros ‘ocupantes’ foram imigrantes alemães, lá em meados de 1915, segundo informações da Prefeitura de São Paulo.

A admiração pelo rap e pelo Racionais não foram o suficiente para Lucas tentar a vida fazendo umas rimas conscientes. Lá em meados de 2010, quando Taz ainda estava no Ensino Médio, o funk ostentação começava a invadir São Paulo, e os grandes nomes dessa vertente vinham da Zona Leste.

“Lukinhas”, como era conhecido na época, tinha como referência os trabalhos do MC Lon e do MC Dede. O garoto começou a lapidar o dom de rimar ainda no colégio, e com o funk crescendo na capital, ele via o rap perder espaço cada vez mais espaço para o ritmo carioca. Com umas letras no caderno e umas rimas no YouTube, o garoto recebeu sua primeira chance graças a um dos seus ídolos.

“Lembro que a primeira vez que subi no palco foi graças ao MC Lon, num evento que rolou aqui no Capão, lá em 2012. Eu cantei uma música dele, e foi uma sensação incrível subir no palco com um artista que você admira”.

O Capão Redondo também sofre com a falta de assistência por parte do Estado. Essa ausência faz com que a figura do MC se torne uma das poucas referências de sucesso a ser seguido, uma espécie de espelho do bem para molecadinha. E, por muitas vezes, esse apoio do público mais novo é o combustível para o cantor ir além, já que ele agora tem que ser um modelo a ser seguido.

Foi com o ’empurrãozinho’ dessa galera, principalmente dos amigos mais próximo, que Taz decidiu mergulhar de cabeça nessa parada de ser MC. E pra se ter uma noção de como os parças foram importante na caminhada do Taz, eles ajudaram até dando dica nas letras e produções do cantor.

Não tardou pro sucesso chegar. Seu primeiro grande hit foi “Deixa Rolar“, lançado em 2013 e ultrapassou a marca de 25 milhões de visualizações, colocando o cantor no mapa do funk.

“Essa música [Deixa Rolar] mudou a minha vida, fez com que eu conhecesse lugares que eu nunca imaginei. Lembro que um dos meus sonhos – e de muitos funkeiros também – era cantar na [casa noturna] ‘Nitro Night’, e eu realizei isso graças a essa música”, conta.

Caso você não saiba, a Nitro Night é uma espécie de ‘templo sagrado’ do funk, no qual 10 entre 10 funkeiros sonham em cantar. A casa é uma das poucas especializadas em música de periferia na Zona Sul paulistana.

Voltando a falar do Taz, o cantor aproveitou o sucesso de “Deixar Rolar” ao máximo. No entanto, ele explica que há alguns anos o funk era totalmente diferente do que é o som de hoje, com peculiaridades que o tempo levou.

“Naquele tempo, há uns três, quatro anos, o funk não era tão profissional como hoje. Além disso, lançávamos menos músicas, lembro que trabalhei um bom tempo com a ‘Deixa Rolar’. Hoje tá uma loucura, tem MC lançando música todo dia”, diz Taz, ao comparar a época do funk ostentação com o momento atual do funk.

E depois do boom do seu primeiro hit no movimento, o funk ostentação começava a perder força para putaria, que crescia graças às produções do DJ Perera e as músicas dos MCs Livinho, Pedrinho, Menor da VG, e aquela turma toda que surgiu na Zona Norte de SP e mudou o foco do funk.

Junto a essa queda da ostentação, Taz enfrentou outro problema que é recorrente no mundo artístico: a orientação errada por conta de pessoas que não visam o bem do artista.

“Infelizmente, algumas pessoas têm uma mentalidade pequena, gananciosa, e isso acaba atrapalhando sua vida profissional. E junto a isso, eu sou um cara do funk ostentação, essa é minha marca. Então com a queda da ostentação, fiquei um tempo de lado e tal”, lamenta o cantor.

Entre 2014 e 2016, a carreira do MC deu uma estagnada. A mistura da queda da ostentação com a falta de uma estrutura por trás que o ajudasse a pensar só em cantar foram fundamentais para essa “pausa”.

E mesmo com as dificuldades, Lucas nunca desistiu do sonho, sempre de olho no mercado e nas novidades do funk. Contando com a ajuda dos amigos que sempre estiveram lado a lado, ele vem voltando a tocar nas quebradas de São Paulo. Uma pessoa que foi fundamental na carreira do cantor é o DJ Saha [o moleque de camiseta azul na foto junto com Taz], que está com o MC desde o começo de carreira, produzindo e tocando, e faz questão de deixar claro que “não troca o Taz por ninguém”.

Mesmo vivendo um momento de transição, o cantor não ficou parado. Uma das características do Taz é diversificar o trampo, sempre tentando lançar hits diferentes, como a música “Festa Lá em Casa“. No último mês, ele lançou sua mais nova música de trabalho, “De Quebrada“, que já tem mais de um milhão de visualizações no YouTube.

“Durante o tempinho que tive dificuldades, eu pensei em parar. Mas graças a minha família e meus amigos, mantive o foco. Graças a Deus, me cerquei novamente de pessoas boas e consegui voltar”, conta o MC. “Aprendi muita coisa que serviu de experiência. Hoje o funk está diferente, está mais profissional e pede que você se atualize a cada dia, lance trabalhos novos constantemente. Estou me adaptando a este novo momento”.

O MC Taz é um dos MCs marcados pela onda da ostentação e será sempre lembrado pelo público que viveu aquela época. E mesmo com todas as mudanças que o ritmo passou desde sua chegada em São Paulo, o cantor segue com seu espaço no funk.

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Pega a visão Histórias que inspiram Matérias

“Correr atrás do sonho e ser feliz”, a caminhada da geração milênio da quebrada

Você sabe o que é “Geração do Milênio”? A sociedade é cheia de rótulos, e sabemos que rótulos são coisas chatas demais. Agora estão surgindo diversas matérias dizendo: “os millennials isso”, “os millenials aquilo” e muita gente nem sabe direito o que significa isso. De um modo geral, os pesquisadores categorizam as pessoas pelo ano que nasceram e a situação que se encontra o país (ou o mundo) no momento; a geração milênio são aquelas pessoas nascidas entre os anos 80 e os anos 2000. Se você, assim como eu, nasceu nesse período, no mínimo deve ficar curioso sobre o que é ser dessa Geração. Por isso, hoje vou contar pra vocês aqui no Portal KondZilla algumas coisas sobre esse papo de Millennials.

Também conhecidos como Geração Y, a Geração do Milênio é marcada como a mais diferente entre as gerações passadas porque ela, ao contrário das outras, nasceu junto com a internet. E isso significa que algumas das nossas características estão ligadas ao acesso à informação por meio da internet. Por conta disso, não nos enquadramos nos modelos tradicionais de trabalho, hierarquia e sucesso. Como lidamos com o mundo digital desde muito cedo questionamos mais, buscamos formas mais flexíveis de realizar obrigações, temos mais desejos imediatos e uma tendência forte à colaboração. Outra característica importante da Geração do Milênio é que nós, ao contrário da Geração X (a dos nossos pais), por exemplo, nos preocupamos muito mais com a qualidade e o ambiente do nosso trabalho, como também se nosso trabalho faz sentido para nós e para a sociedade, considerando a qualidade de vida geral ao invés de somente priorizar o salário no fim do mês.

As principais notícias e matérias sobre a Geração do Milênio trazem títulos como “A geração que largou tudo para viajar o mundo” ou “A geração que encontrou o sucesso pedindo demissão”, mas a gente sabe que quando dizemos “geração” é um número enorme de pessoas que podem viver vidas completamente diferentes das nossas. Se só no nosso bairro já existem milhares de histórias diferentes, imaginem uma geração que representa o planeta inteiro. Então, para nós, é interessante saber: como é e como vive a Geração do Milênio que mora nas periferias?

Afinal, a história de “é possível largar tudo” e ir atrás de nossos sonhos de uma hora para outra não é para todo mundo. Muitas vezes precisamos considerar as pessoas que dependem de nós e até mesmo nossas contas e responsabilidades.

Nós crescemos nos perguntando quais seriam as melhores formas de viver sem estarmos amarrados à hierarquias e obrigações sem sentido. Mas, ao contrário de outros jovens da Geração Y, temos a questão da falta de grana, o que dificulta muito nossa busca por realização pessoal. Porém, não é isso que nos derruba. Nós vivemos em uma época onde temos mais acesso à informação, que chega de forma muito mais rápida do que antigamente. Isso facilita o desenrolar dos nossos trabalhos na corrida atrás dos sonhos.

Essas características, de internet e informação rápida, nos moldaram para ser como somos hoje. Se somos uma geração questionadora, com grandes desejos, vontade de flexibilidade e tendência para a colaboração, como podemos utilizar o que nos cerca para realizar os nossos objetivos e também lidar com as outras gerações? Ainda não tenho essa resposta, mas o que eu aprendi é que o choque entre gerações é um problema que afeta bastante a Geração Y, porque os mais velhos (voltados para sistemas de hierarquia muito duros e pouca flexibilidade nas escolhas) nos enxergam como indecisos, relaxados e até preguiçosos, somente porque temos outro método de levar a vida. Ainda hoje, é difícil a geração anterior entender que conseguimos sobreviver sem um formato tradicional de trabalho: das 8:00 às 17:00 hrs, de segunda a sexta. A internet nos permitiu viver de outra forma, o que nem sempre é compreendido.

Para nós, o equilíbrio é fundamental para alcançar a felicidade e os nossos sonhos. Fazer o “corre” parece sempre uma forma mais maneira de dizer o que estamos fazendo, mas o negócio é caminhar, sério. Porque quem corre sem saber onde quer chegar, acaba tropeçando nas próprias pernas e caindo no chão. A Geração do Milênio que vive nas periferias pode fazer tudo virar ouro, eu acredito nisso. Aquilo que gostamos de fazer, se nos empenhamos de forma séria, pode se transformar no caminho ou na própria realização dos nossos sonhos. Alguns exemplos disso estão aqui:

BRECHAVE

Utilizando a internet, que nasceu com a gente e é praticamente de graça, temos a chance de fazer virar os nossos projetos e dar seguimento para nossos objetivos. É assim que muitos jovens têm feito sua caminhada, com seus computadores, celulares e a busca de conhecimento dentro das redes. Um exemplo da Geração Milênio da Quebrada é a Débora Machado, dona da loja Brechave, um brechó que vende “os panos mais chave por um preço suave”. Débora tem 23 anos e mora no Parque Taipas, zona norte de SP. Ela começou o brechó em 2016. Além disso, Débora estuda jornalismo e faz a diferença dentro da sala de aula. Para ela, usar a internet e agilizar seu corre em busca de seus sonhos enquanto lida com as obrigações da vida é, na sua própria palavra, gratificante.

Quando Débora pensa o uso da internet para o desenvolvimento da sua própria marca ela nos diz: “a internet é a maior responsável na divulgação da página. Inclusive, só fui ter a ideia de levar o brechó a sério quando percebi que eu tinha muitas pessoas nas minhas redes sociais e aproveitei pra ver se rolava!”, explica Débora. “E o resultado deu super certo, eu postava e muitos amigos compartilhavam pra dar uma força e isso chegava ao alcance de muuuitas pessoas!”

Diferente dos brechós comuns, que não estão no mundo online, o Brechave chega até você pela internet, tornando mais rápido e fácil o acesso as roupas e acessórios. Se quiser saber mais deste projeto, confira a página do Facebook: Brechave.

HEDDY BEATS

Outra pessoa chave da Geração Milênio fazendo sua caminhada na quebrada é o Alyson Kwabena, também conhecido como Heddy Beats. Com 18 anos, Heddy Beats é DJ e Beatmaker; é também organizador da Batalha do Rubi, na Vila Aurora, Zona Norte de SP, local onde mora, e idealizador do Coletivo Vertentes, que tem o objetivo de mudar o mundo a partir da comunidade onde se vive. A ideia principal de Alyson é a seguinte: firmar uma ONG para capacitar e dar motivação a jovens das periferias a seguirem seus sonhos na carreira musical. Para Alyson, usar a internet para fazer seus corres e, ao mesmo tempo, lidar com as obrigações da vida foi um desafio logo no começo, mas hoje ele está focado e decidido em relação ao seu trampo. Sobre a internet, ele pensa que “atualmente, ajuda muito na construção do meu sonho, a divulgar meu trabalho e fazer novas parcerias”.

E se você quiser saber mais sobre os trampos do Alyson é só chegar aqui: HeddyBeats, batalhadarubi e Coletivo Vertentes.

AFROCLICK

Mais um exemplo da Geração Milênio da Quebrada é a Jessyca Alves, de 23 anos. Ela é do Jardim Silvina, São Bernardo do Campo (SP), mãe e fotógrafa. Formada em fotografia, Jessyca organiza seu trabalho como fotógrafa desde 2015. Além da página Jessyca Alves – Fotografia, onde ela trabalha, na maioria das vezes com fotos de família e aniversário de crianças, ela também é criadora da AfroClick, um projeto que empodera mulheres negras através da fotografia e do audiovisual. Sobre o desenvolvimento do seu trabalho com a internet, Jessyca contou o seguinte: “90% dos meus clientes eu consigo através das redes. A internet tem grande influência nessa conquista. Sempre faço posts dos meus trabalhos, marco meus clientes e eles compartilham, ajudando ainda mais na divulgação. E com isso vou conseguindo outros clientes através das indicações, mas também aparecem desconhecidos que encontram meu trabalho pela internet e entram em contato comigo para me contratar.”

E somado a tudo isso, ela define o poder da internet. “O que a gente posta nas redes acaba se tornando algo meio que sem ‘fronteiras’, sabe? Qualquer um em qualquer lugar do mundo pode acessar! E dependendo de quem vê seu trabalho podem rolar parcerias, contratações, várias coisas”. Você pode conhecer mais do trabalho da Jessy pelas páginas Jessyca Alves – Fotografia e do coletivo AfroClick .

Existem muitos outros exemplos de Millennials da Quebrada fazendo sua caminhada por aí com ajuda da internet. Geral está correndo atrás do seu objetivo, usando a internet como ferramenta de trabalho. E você, está correndo (e caminhando) atrás dos seus sonhos? Como é ser da Geração Millennial, morar em periferia e fazer acontecer aquilo que você acredita? Pode crer que o primeiro passo é ver ao seu redor o que você pode usar a seu favor, botar energia na missão e seguir em frente!

Bruna Tamíres (Brunata) fez seu corre e hoje se mantém como escritora e ilustradora. Conheça outros trabalhos por aqui.

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Funk

MC Kevinho alcança a marca de três videoclipes com 200 milhões de visualizações

Jogador que faz três gols na rodada pede música no Fantástico. Essa marca é díficil, mas está longe de ser inédita. Diferente do caso do MC Kevinho, que alcançou a marca de três videoclipes com mais de 200 milhões de visualizações no Canal KondZilla, uma conquista inédita. Juntos, os clipes “Tumbalatum” (227 mi), “Olha a Explosão” (222 mi) e “O Grave Bater” (200 mi) somam mais de meio bilhão de visualizações. Quem diria, hein?

Para entender mais sobre tudo isso, o Portal KondZilla trocou uma ideia com o MC sobre esse marco – tanto pro cantor, quanto pro canal. Kevinho disse que não esperava atingir esses números tão cedo, mas que agora a meta é chegar ainda mais longe.

“200 milhões é muita coisa, né? Mas também é aquele negócio: o primeiro é sempre o mais difícil, depois é correr atrás para manter. E eu acompanho de perto os números, entro todo dia [no YouTube] para ver como estão os trabalhos”, explica o MC.

O primeiro videoclipe do artista a atingir 200 milhões foi “Tumbalatum” – que também foi o seu primeiro trabalho solo de grande repercussão. Em seguida, o artista lançou “Olha a Explosão“, que foi considerado um dos hits do Carnaval e recebeu até uma versão com o cantor Wesley Safadão. Para fechar a trinca, o mais recente é “O Grave Bater”, que atingiu a marca em menos de quatro meses. Essa música também teve um grande marco, alcançando 10 milhões de exibições em 24 horas.

Kevinho vive grande fase, e não é apenas com relação aos números. O “Rei das Sarradas” vem invadindo as telinhas pelo Brasil (já falamos disso aqui), fazendo participações na TV e arrastando multidões em seus shows.

Recentemente, o YouTube divulgou uma lista com as 20 músicas mais visualizadas na plataforma no Brasil. E adivinhem quem tinha três músicas na lista? O MC estava lá também com “Tumbalatum”, “Olha a Explosão” e “O Grave Bater”.

E como o show tem que continuar, Kevinho já colocou mais lenha na fogueira. Seu mais novo trabalho, “Tô Apaixonado Nessa Mina” já passou a marca de 100 milhões de visualizações em pouco mais de um mês e o cantor ainda tem um videoclipe em parceria com o Léo Santana no forno. Quanto tempo será que demora para soltarmos o grito de: “É TETRA”? E de “É PENTA”?

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Leia também:

“O Grave Bater” alcança 10 milhões de visualizações em 24 horas.
Confira os bastidores do clipe “Tô Apaixonado Nessa Mina”

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Funk

Selecionamos cinco artistas internacionais que caíram no funk

O funk carioca sempre chamou a atenção dos estrangeiros. A batida do tamborzão conquistou artistas mundo a fora e, juntando com a globalização e o boom da internet no Brasil, o funk invadiu o globo e ganhou a marca de música eletrônica da periferia brasileira. Atualmente, o intercâmbio continua em alta, com muitos artistas brasileiros fazendo turnê pelo mundo (como já mostramos no caso do MC Bin Laden) e participando de grandes festivais pop. Se liga que agora o Portal KondZilla vai listar alguns artistas gringos que fizeram trampos com uma boa dose de funk.

Static & Ben-El Tavori – Tudo Bom

O novo viral de funk não veio das favelas. A dupla Static & Ben-EL Tavori lançaram a produção “Tudo de Bom”, que tem um ritmo de fora, com letras em português e misturando o ritmo do funk e do samba. A ideia dos caras deu certo e a música anda gerando bastante burburinho mundo a fora, chegando a 25 milhões de visualizações no YouTube! Quem diria que uma dupla Israelense lançaria um hit com influência do nosso funk.

J Nup & Brandon Louis – Americano Funk part. MC Rodolfinho

Agora, imagina você gringo, fã do funk brasileiro, tendo a oportunidade de fazer um trabalho no Brasil com direito a videoclipe no Canal KondZilla e participação do MC Rodolfinho? Esse foi o caso do J Nup e do Brandon Louis, que se esforçaram bastante no português pra realizar esse sonho.

MC Gringo – Deutscher Fussball ist geil

O Brasil também é conhecido lá fora por ser o país do futebol, pentacampeão mundial e também, terra do Pelé, Ronaldo, Neymar entre outros craques. Sediando a Copa do Mundo de 2014, muita gente veio pra cá e conheceram mais dos nossos costumes. O MC Gringo, alemão radicado no Brasil há anos, decidiu fazer um funk durante a Copa. Ainda bem que o trabalho não nos remete ao fatídico 7 a 1.

MC Guime feat. Soulja Boy – Brazil We Flexing

O brasileiro MC Guimê e o americano Soulja Boy são figuras conhecidas pelos hits tanto no funk, quanto no hip-hop. Durante a passagem do gringo pelo Brasil, ele fez uma parceria com o MC paulista, algo que correu o mundo.

M.I.A. – ‘Bucky Done Gun’

Para fechar a lista, falaremos da artista britânica M.I.A., uma fã declarada do funk carioca que lançou a música Bucky Done Gun, em 2005, uma homenagem clara a produção “Injeção” da Deize Tigrona. O DJ Marlboro um dos maiores nomes do funk no Brasil chegou a fazer um remix da canção. E esse amor da cantora pelo ritmo carioca não parou por ai, recentemente ela soltou outra produção “Visa”, dessa vez, influenciada pelo ritmo arrastado da ‘rasteirnha’.

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MC Dede, orgulho de Cidade Tiradentes e espelho para molecada

Gravação de videoclipe de funk na quebrada é tipo jogo de Copa do Mundo. Ruas lotadas, bares com movimento acima do normal, a molecada se amontoando para conseguir ver algo e registrar o momento de alguma forma. Quando colei na gravação do clipe do Dede foi assim, e reparei que um dos diversos garotos ali presente, estava triste. Seu tamanho impedia que ele tivesse uma visão clara da situação.

– Pai, vamos mais para frente. Ali, ali ó, com o Dede!

Assim começava o dia. Hoje ele é um dos exemplos de sucesso para a molecada de Cidade Tiradentes, distrito localizado no extremo leste de São Paulo. Pra sacar como é essa situação, o Portal KondZilla participou das filmagens do seu mais novo videoclipe e retrata mais sobre a relação CT-Dede

Para situar um pouco melhor, antes de se tornar o MC Dede, Josley Caio de Faria, 28, nasceu e foi criado em Cidade Tiradentes. A ideia de cantar surgiu em 2009, e o máximo que conseguia era se apresentar em quermesses e festas menores em toda a Zona Leste. O garoto ficou conhecido como o ‘Menino do Kit’, já que acertou com a música “Olha o Kit”, na época da explosão do funk ostentação na capital.

De 2009 até o momento atual, o MC se segurou firme e passou por todas as fases do funk desde então, acumulando sucessos como “Os Mlk é Mídia“, “Pam Pam Pam“, “Passei de Oakley“, “Pow Pow, Tey Tey” e construindo uma carreira no funk.

Agora, o “Menino do Kit” é pai de família, com 28 anos nas costas e esperando o nascimento do segundo filho, diferente daquele garoto que frequentava quermesses para mostrar o trabalho. Com essa longa trajetória na música, ele faz com que todos, desde a criançada de agora até a galera mais velha, vejam nele um exemplo de sucesso pessoal e profissional.

Colamos na CT por volta da 15h. Era uma tarde típica de inverno brasileiro, onde o sol está presente, mas parece não cumprir a função de aquecer. E a notícia de que rolaria uma gravação de videoclipe de funk já tinha tomado a quebrada. As ruas por onde passávamos dentro de uma van estavam tomadas, e algumas pessoas faziam uma espécie de procissão, acompanhando a van de forma messiânica.

Enquanto o diretor do videoclipe, Gabriel Zerra, procurava o melhor lugar para realizar a gravação, o ‘Messias’ da CT aproveitou o tempo ocioso para tirar algumas fotos e falar ao Portal KondZilla a importância daquela quebrada na sua vida.

“Ah, aqui é minha casa, meu ouro. Aqui é onde está a minha inspiração, meu foco é nela [na quebrada]. Várias vezes pensei em desistir. Você tem responsabilidades, daí não consegue emplacar [uma música], chega uma molecada nova também fazendo um trampo legal”, conta. “No entanto, minha família, meus amigos e principalmente meus fãs sempre me ajudaram e não me deixaram desmoronar. Nesse mundo do funk, se você não tiver a cabeça boa, você não consegue se manter”.

Depois que o MC deu uma atenção pra galera, começaram as gravações. A rua Apóstolo Matheus foi tomada por moradores das mais diversas idades, as lajes se tornaram uma espécie de camarote, onde as pessoas se espremiam para acompanhar a filmagem.

Há alguns anos, Dede e o funk viviam outra realidade, longe do glamour e dos holofotes. MCs ainda não tinham uma vida financeira invejável, muito menos uma disciplina de trabalho profissional, com direito a auxílio de especialistas em canto e impulsionamento de carreira, por exemplo.

“Quando eu comecei, lá em 2009, não tinha muito recurso, cantava em quermesses, em cima de caixote. Daquela época, sou um dos poucos que conseguiu se manter”, explica o MC.

A Cidade Tiradentes conta com cerca de 280 mil habitantes, é um dos distritos mais populosos do município de São Paulo e, segundo a prefeitura, abriga o maior conjunto habitacional da América Latina, com cerca de 40 mil unidades populares.

Josley conta que o sonho de ser MC era presente na mente de muitos na CT. Ele se perde ao tentar contar a quantidade de amigos que, nas antigas, tentaram trilhar o mesmo sonho junto com ele, mas ficaram pelo caminho pelos mais diversos motivos.

“O meu recado para a molecada que quer seguir esse caminho do funk é que nunca desistam dos seus sonhos. Acredito que eu seja um bom exemplo disso”, finaliza.

As horas passam e as gravações vão rodando por parte da Cidade Tiradentes. Ruas e vielas são tomadas por câmeras e gente querendo ver tudo de perto. E mesmo com todo o barulho e incômodo, os moradores parecem não se incomodar.

Em um dos ‘sets’, no interior de um beco, um morador até se assusta. Não à toa. Uma renca de gente na porta da sua casa, câmera, luz e todo material que uma gravação tem direito ao redor do seu lar não é comum, ainda mais às cinco da tarde. Outro morador vai até a janela e confere, assustado, tudo o que acontece. De prontidão, Dede aparece e explica o que tá rolando e a importância da ajuda do morador com o colega da quebrada. E a reciprocidade vem de prontidão, logo o morador dá uma força.

Essa não foi a primeira intervenção do MC com os moradores durante as gravações, era uma espécie de pedido de ajuda para um semelhante, no qual o trabalho final ajudaria a todos da comunidade.

Cai a noite. Após mais de cinco horas de trabalho, as gravações chegam ao fim e o cantor sai do beco improvisado no set em direção ao público que acompanhava de olhos vidrados na gravação, aguardando pelo momento de atenção com o cantor. Dezenas de selfies com os fãs fecham a noite para depois Dede tomar o rumo de casa.

E lembra daquela criança, que no meio da multidão queria dar um jeito de ver o Dede? Seu pai deu uma resposta que resume o desejo de muitos na quebrada.

– É filho, quem sabe um dia você vira um MC também, né?

A impressão era que Dede havia se tornado uma espécie de ‘orgulho da Cidade Tiradentes’. Sabe aqueles caras do interior, que ganham o mundo com seu trabalho, se tornam famosos e ganham a chave da cidade, são conhecidos e amados por todos? Esse é o Josley, cria da Cidade Tiradentes.

Acompanhe o trabalho do MC Dede pelas redes: Facebook // Instagram .

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Comportamento

O coletivo DiCampana retrata a beleza da periferia por fotos

A periferia brasileira é cheia de estereótipos. Tem gente que até sugeriu para alunos se fantasiarem de favelado. Entretanto, existe uma galera da Zona Sul de São Paulo que se reuniu para desconstruir essa imagem, retratando o que a comunidade tem de bom por meio de fotografias do cotidiano. Afinal, quem melhor para mostrar o local que vive, além dos próprios moradores?! Para conhecer mais dessa história, o Portal KondZilla trocou uma ideia com o DiCampana Foto Coletivo.

“Nós percebemos que a periferia era sempre retratada pela violência ou outros tipos de estigmas negativos. Quem vive na quebrada sabe que não é isso, que tem muita beleza lá. Acreditamos também que para retratar essa beleza, ninguém melhor do que quem vive na quebrada”, diz Leonardo, ao abrir a conversa.

O coletivo foi criado em outubro do ano passado, pela união de cinco amigos de rolê: Anderson Silva, José Cícero da Silva, Leonardo Britto, Naná Prudencio e Weslley Tadeu. Todos tinham em comum o interesse pelo audiovisual e decidiram se juntar em torno da mesma ideia: retratar a periferia.

Com pouco tempo de trabalho, o grupo se destacou e acabou chamando a atenção da instituição não-governamental “Seja Digital”. O resultado foi uma parceria com o coletivo para realização de uma mostra retratando a transição do sinal analógico para o digital, além de apresentar por fotos a importância da TV para galera de favela.

“Nós entramos em contato com alguns amigos e fizemos a seleção. No total, tínhamos 50 fotos de material, algo bem legal”, conta Leonardo. “No dia da exposição chamamos até o Mano Brown [integrante do grupo de rap Racionais MCs], além do nosso pessoal da quebrada que foi em peso”.

Imagina você, ter a chance de retratar a Zona Sul, berço do rap, pelos próprios olhos da comunidade?! Pois é, como vocês perceberam, os moleques chegaram brabos. Exposição de fotos não é pra qualquer um, ainda mais com o pessoal da quebrada e da presença ilustre do Mano Brown.

Colocando na balança, o coletivo acredita que o resultado da mostra tenha sido positivo, até pra auto-estima do pessoal retratado. Muitos ali nunca tinham visto suas imagens de tal maneira e isso abriu os olhos das pessoas sobre a periferia.

“A galera da comunidade e também de fora começou a acompanhar de forma natural. Não fizemos nenhum tipo de publicação na mídia ou algo do tipo, foi tudo feito por meio das redes sociais. Além do mais, fazemos o trabalho de retratar o cotidiano do pessoal de periferia, e esse trabalho não está enraizado no cotidiano”, explica Leonardo, que com menos de um ano de trabalho já alcança a marca de três mil curtidas na página do coletivo no Facebook.

E o coletivo já provou que não está para brincadeira. A ideia para o futuro, inclusive, é criar um acervo com fotos que retratam a beleza da periferia e servir, principalmente, aos grandes veículos de comunicação que ainda têm aquela ideia estigmatizada da quebrada. Sabe quando você abre o jornal ou aquele site de notícias e só vê foto da favela quando tem alguma treta com a polícia ou incêndio? Se depender do coletivo, isso vai mudar.

“Nossa intenção é fazer com que a favela seja bem retratada, e esse retrato seja feito por quem vive nela, algo realmente fidedigno. Acreditamos que a fotografia consiga retratar o cotidiano periférico de forma artística e assim conseguimos passar nossa mensagem”, completa Leonardo.

Em menos de um ano, o DiCampana já teve conquistas que muita gente com mais investimentos e recursos sonham, mas não alcançam. A molecada da Zona Sul, com uma câmera na mão e muita vontade, conseguiram retratar a beleza da periferia e exportá-la para o mundo. Tudo isso, a partir de uma vontade de ser retratado de forma fiel.

Conheça mais sobre o DiCampana Foto Coletivo: Flickr // Facebook // Instagram .

Confira mais fotos do coletivo na galeria abaixo:

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Dança Funk

As danças que marcaram o movimento funk

A música e a dança sempre estiverem muito próximas, e isso não seria diferente com o baile funk. Isso acontece desde os primórdios, com os bailes no asfalto e os passinhos coreografados (flash mobs, alguns podem dizer) do Rio de Janeiro, até os tempos atuais, com as sarradas e o passinho dos malocas, que dominam as periferias de São Paulo. Para entender mais sobre essa parte da cultura, o Portal KondZilla conta um pouco mais dessa ligação e traça um paralelo entre os movimentos.

Podemos dizer que as leituras sobre a dança no funk começaram lá na da década de 80, quando a música americana chegava no Rio de Janeiro ainda como funk do James Brown. O tempo foi passando, e no final da década de 80 começaram a chegar no Rio de Janeiro discos com um ritmo diferente, influenciados pelo hip-hop americano e também pelo ritmo da Flórida, o Miami Bass.

A música de Miami era produzida na bateria Rolland 808 – como falamos nessa matéria – e os bailes cariocas da época reuniam bastante gente para dançar o novo som. O que não rolou foi atualizar o nome de ‘funk’ para hip-hop, mas essa história fica pra outro dia. Voltando à dança, os passos do novo som eram muito simples em comparação com o que vemos hoje. À época, inclusive, existiam muitos passos coreografados em grupo, onde a galera toda do baile dançava em passos sincronizados.

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Baile do Charme

“Era algo totalmente espontâneo, e todo o baile seguia a coreografia. Lembro de uma música em específico – ‘Heartbeat’, do grupo ‘War’ -, que a galera chama de ‘Melô do vai e vem’ e fazia uma coreografia de vai e vem mesmo, era algo em massa”, explica o DJ GrandMaster Raphael, um dos especialistas no assunto “funk carioca”.

O tempo foi passando e o funk foi ganhando proporções enormes no Rio de Janeiro. Já nos anos 90, por conta de incidentes violentos e registros de brigas nos bailes funks que aconteciam em casas noturnas localizadas no centro do Rio (conhecido como “asfalto”), o movimento acabou reprimido pelas autoridades cariocas da época e retornou a comunidade.

Como disse GrandMaster Raphael, “o funk subiu o morro”. E nessa época, ainda de acordo com GrandMaster, o funk carioca dava vida ao ‘tamborzão’, a primeira batida nacionalmente produzida pelos cariocas e um dos maiores símbolos da vertente. A nova batida ajudou a dar mais ritmo pro movimento, o que também melhorou a dança. Com a popularização da batida, o funk chegou a ocupar lugares como programas de TV e começaram a surgir os primeiros grandes nomes da vertente, junto das primeiras danças exclusivas do funk. Ou melhor, os passinhos.

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Dynho Alves –  Passinho dos Maloqueiros

Nesse trânsito da música, começaram a surgir também os primeiros bondes que eram especializados em dança, como o grupo “Bonde dos Carrascos” e o “Bonde do Vinho”. Entre os principais grupos, o “Bonde do Tigrão” ficou nacionalmente conhecido com as músicas “Cerol na Mão” e “O Baile Todo”.

Esse bondes abriram caminho para o grupo “Os Hawaianos”, que se tornaria o principal grupo de dança no funk e referência para diversos MCs – como o MC 2K, por exemplo, que confessou ao Portal KondZilla que tinha o sonho de ser dançarino, graças ao grupo carioca. Mesclando passinhos complexos e danças que arrastavam multidões, “Os Hawaianos” marcaram presença não só no Rio de Janeiro, como no movimento de um modo geral.

DVD – Os Hawaianos

“Nós brincávamos de dançar nos bailes da Cidade de Deus e, certo dia, decidimos levar a coisa mais a sério. Lá em meados de 2004, fizemos as músicas “Vem Quicando” e “Dança do Bonequinho”, que viraram febre na comunidade. Depois disso, fomos convidados para um programa da Globo e fizemos turnê pela Europa. São coisas que dão orgulho”, conta Yuri, um dos fundadores do grupo e único remanescente.

A febre do passinho dominava o Brasil, ganhando no Rio de Janeiro o apelido de “passinho foda”. Montagens dançantes, muitas vezes sem letra, apenas com aquele ponto embrazado que faziam que desde crianças (até o tiozão) dançassem livremente, sem precisar seguir uma regra ou coreografia – diferente do que acontecia nos bailes dos anos 80. Agora era só mexer o corpo da forma que você quisesse. O sucesso do passinho era tão grande, que foram criadas competições de passinho por todo o Rio de Janeiro.

Batalha do Passinho

No final dos anos 2000, o funk começava a chegar com força na capital São Paulo, ganhando características próprias. Antes importado do próprio Rio de Janeiro e da Baixada Santista, o funk paulistano assimilou o movimento e criou uma cara própria, a cara da ostentação.

Ficou difícil dançar com letras falando de carros, dinheiro, mulher e uma batida mais retraída. Porém, São Paulo precisava de uma identidade na dança e, graças ao intercâmbio com o Rio de Janeiro, essa identidade veio com o passinho do romano, lá em meados de 2012. Um dos destaques desse movimento é o Fezinho Patatty (já falamos dele aqui).

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Fezinho Patatty

“No que toca às conexões entre passinho do romano e passinho foda, penso que elas podem ser vistas não somente nos movimentos corporais, mas sobretudo em um estilo englobante, que cativa os jovens que o criaram. Em ambas as danças vemos o elemento de deboche, de ironia e mais ainda de jocosidade, de querer provocar o riso”. Essa fala é da sociólogo e antropóloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Mylene Mizrahi, que já produziu trabalhos premiados sobre funk e suas relações com a dança.

E como a evolução da dança no mundo do funk é quase diária, já temos o novo passinho do momento: o paulistano ‘Passinho dos Malocas’. Mais fácil do que seu “primo” – o Passinho do Romano – , a nova dança do momento é focada no deslocamento dos ombros e exige pouco molejo, o que ajuda a galera mais durona.


Godoy Explode Funk

“O que ocorre é que a dança funk, assim como o próprio funk, resulta de apropriações sucessivas, de leituras e releituras como se cada inovação fizesse um comentário sobre aquilo sobre o que se inova. Ou seja, essas inovações produzem o novo, sem contudo produzir uma ruptura com o passado”, completa Mizrahi.

Muita gente já sabe que o funk é uma verdadeira ‘roda gigante’, e as mudanças são quase diárias. E a dança, como um dos elementos do ritmo, não seria diferente. Agora fica a dúvida: qual será a próxima dança do momento?

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Funk

Chegou a hora de você ter o relógio da KondZilla

Já pensou que chave ter um relógio da KondZilla? Agora isso não é mais um sonho, e sim uma realidade. Em parceria com a empresa Moov, uma das mais reconhecidas no mercado brasileiro por ter trabalhos em parceria com nomes como Wesley Safadão e a companhia de dança FitDance, a KondZilla Wear deu o seu hoje, 13 de julho e você pode conferir a novidade entrando no site por este link.

Para explicar um pouco mais da novidade conversamos com os idealizadores do produto: Alana Leguth, responsável por toda a marca KondZilla Wear, e também com Lucas Araújo, da empresa Moov.

“A ideia é oferecer um produto agradável, sem fugir das características da KondZilla Wear, tanto na qualidade, quanto no preço”, garante Alana, que também é responsável por outro sucesso de vendas, o CapZilla, que já está na sexta coleção. Digamos que ela entende um pouco da receita de sucesso, né?

Lucas comenta que um dos pilares do projeto é oferecer ao cliente um relógio diversificado. Inicialmente, o cliente que comprar seu kit receberá o relógio com uma pulseira da sua preferência, e depois poderá adquirir outras pulseiras de cores e estilos diferentes.

“A ideia desse novo produto é que o cliente tenha um relógio totalmente eclético, que ele poderá usar na praia, no casamento, no trabalho, em todo o lugar. Isso também nos ajudará a atingir um público variado”, explica Lucas.

De começo, os produtos serão focados na marca KondZilla – que recentemente deu uma cara nova para a loja virtual, com direito a diversas promoções e produtos novos. Mas podemos ficar calmos: em algumas semanas, estarão a venda produtos licenciados de artistas da casa, como por exemplo o MC Kevinho. Cê acredita?

Até este ponto do texto você já deve ter matado a curiosidade e entrado no site para ver a novidade. Se ainda não, acesse agora o link e garanta o seu!

Acompanhe os lançamentos da KondZilla Wear pelas redes: Facebook // Instagram .

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Pega a visão Histórias que inspiram Matérias

Fiz 18 anos: devo trabalhar ou estudar? Os dilemas do jovem de periferia

Sabe, gente, eu também tive essa dúvida e o que aprendi foi que o melhor a fazer é ir com calma. Pensando sempre no que pode acontecer no futuro dependendo do que você escolher no presente. Meu nome é Bruna Tamires, nasci na Brasilândia e hoje moro em Pirituba. Corri atrás e consegui entrar na universidade, me formei em Gestão de Políticas Públicas pela USP no começo do ano e agora estou com meus 24 anos. Existem idades que para a sociedade representam marcos na vida de todas as pessoas, além dos 30 e dos 50, os 18 anos significam muito para nós enquanto jovens. Em tese, só agora que podemos viver a vida, no sentido de tomar decisões. Esse é o momento em que sentimos que agora avançamos um pouco mais na vida adulta. Hoje vou falar um pouco sobre esse dilema para o Portal KondZilla, no qual passei e outros também já passaram. Espero que minha palavra de apoio ajude.

Mas e aí, tô com 18 anos, devo trabalhar ou estudar? Agora que muitos terminaram o ensino médio parece que um universo se abre, cheio de possibilidades e sonhos para realizar. Eu comecei estudando, e no meio do meu curso de graduação mergulhei nessa mesma questão. Primeiro, é importante saber que esse dilema é uma parada normal e acontece com todo mundo. Não devemos entrar em crise: antigamente, para nossos pais e avós, não havia outra opção, o destino dava só uma rota – a do trabalho. Essa era a função de nossos pais e avós ao completar dezoito anos e se prepararem para trabalhar, casar, construir uma família e se aposentar. Só.

Foi só após o surgimento da internet que as pessoas jovens e que moram nas periferias, puderam escolher, para além do trabalho, os estudos pós ensino médio. Agora estamos percebendo que estudar não significa, especificamente, passar quatro anos lendo apostilas para no final obter um diploma e conseguir um emprego. Existem outras formas de adquirir conhecimento.

Antes de decidir se trabalha ou estuda, é importante pensar naquilo que se gosta de fazer. Qual é a profissão que você sabe que não te chatearia passar oito horas por dia, de segunda à sexta, trabalhando nela? O que você quer fazer na vida se encaixa nos padrões formais de trabalho ou você deseja empreender, começar um novo negócio? Hoje, a internet te trouxe a possibilidade de experimentar todas as áreas por um computador. Quer ser designer? Dá para baixar um programa e fazer umas artes. Quer ser DJ? Dá para testar um programa de mixagem, como de produção musical. Entre outros exemplos de carreira no qual você pode experimentar antes de se jogar de cabeça na profissão.

Sabendo que o estudo hoje não precisa ser presencial e que o processo de aprendizagem acontece por diversas formas (em comunidades digitais, pela internet, através de fóruns e grupos, por exemplo). Percebem? São várias perguntas e até agora só conversamos sobre questões pessoais.

Nós, que somos jovens de quebrada, precisamos entender que trabalho e estudo são coisas que andam juntas. O conhecimento leva a profundidade nos trabalhos. Se não compreendemos a tarefa em que estamos trabalhando, corremos o risco de perder para a ignorância (no sentido de ignorar o que está em volta de nós). Sem entender o todo do trabalho, o que poderíamos fazer melhor, ou pior, e sem saber nosso verdadeiro potencial. Existe a chance de despendemos tempo e atenção em algo sem necessidade. E esse é o ponto: o quanto podemos ganhar com um trabalho, seja em dinheiro, seja em experiência, seja em uma realização pessoal.

Certo, passado a dificuldade de escolher no que trabalhar, vale pensar na sua família e nas condições que você tem para atingir seus objetivos. Você precisa ajudar financeiramente em casa? Sua família tem condições de te ajudar e pagar uma boa faculdade particular ou um cursinho de um ano para passar numa universidade pública? O que você prefere? Se o seu lance é empreender, você possui recursos iniciais para começar seus negócios? Quando se trata de dizer aos familiares aquilo que você deseja fazer é importante nunca ter medo e se mostrar confiante, com um plano que você vai realizar até conseguir. Em outras palavras, saber onde quer chegar.

Digo isso porque nossos pais têm medo de que a gente não consiga se virar na vida, até porque eles sabem que a vida é dura. Então, quando não sentem confiança em nós, muitas vezes eles tentam nos tirar do nosso caminho e nos colocar naquilo que aparenta, para eles, ser mais seguro e estável. Por exemplo, meus pais ainda temem muito pelo meu futuro, mesmo com a graduação concluída, eles esperam que eu atinja estabilidade com um concurso público antes de me jogar na vida de escritora e desenhista. Mas eu consigo me virar. Outros jovens, por falta de dinheiro ou por falta de incentivo acabam desistindo de seus objetivos pessoais para resolver problemas mais urgentes ou até mesmo realizar os desejos dos pais.

Agora chegamos na questão mais tensa: a realidade!
Estamos em 2017 em plena crise política e econômica no Brasil. Para todas as direções que você olhar, você precisa saber o que você realmente quer, quais serão os desafios, as necessidades da sua família e como anda o seu país e o mundo. Até o primeiro semestre deste ano haviam mais de 14 milhões de pessoas desempregadas, o que representa 13,4% da população brasileira, e, para nós a notícia vai além. Entre os jovens de 18 a 24 anos a taxa de desemprego é de 28%, ou seja, maior do que a faixa geral. Quando juntamos os dados de desemprego nacional com a realidade de que são as pessoas da periferia aquelas que perdem mais oportunidades de ter um trabalho fica fácil entender que somos nós, os e as jovens de quebrada, que corremos mais riscos de desemprego ou incerteza no trabalho. Mas são nas crises que surgem as oportunidades.

Mesmo com esta situação acontecendo, fico feliz em dizer que nosso dilema não demanda preocupação mas sim reflexão sobre o que queremos fazer. Sabendo que um bom trabalho depende de bons estudos e que estudar não é exclusivamente aquela coisa chata que vivemos durante o ensino médio. Por exemplo, o Kond, da KondZilla, que estudou e muito, mas não fez uma faculdade, se tornou um produtor, diretor e roteirista. Ele precisou aprender para poder realizar aquilo que ele queria fazer.

A questão é essa, antes de se jogar, pense, tire dúvidas com as pessoas que você sabe que não vão te julgar e sim te ajudar. Procure pessoas que correram atrás do sonho e se espelhe nelas. Depois disso, corra atrás e realize seus planos sem esperar que um diploma ou um “mundo ideal” limitem suas ideias!

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A Bruna Tamires (Brunata Mires) tem 24 anos esbanjando espírito de 18), é escritora e desenhista na Malokêarô. Conheça mais do trabalho dela por esses textos no Medium.

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Funk

Após viralizar na Indonésia, “Bum bum Tam tam”, do MC Fioti, atinge 200 milhões de visualizações

Há um tempo não muito distante, chegar a marca de 200 milhões de visualizações no YouTube era algo inimaginável, principalmente para um artista de funk. Hoje, a marca já não parece tão inalcançável, tanto que o Canal KondZilla já conta com cinco vídeos com este número mágico. E o sexto – e mais recente – videoclipe a atingir essa marca foi “Bum bum Tam tam”, do MC Fioti. Confira agora no Portal KondZilla algumas curiosidades e os bastidores d gravação.

Recentemente, trocamos uma ideia com o cantor sobre a sua carreira, seus sonhos para o futuro e, claro, sobre o sucesso da música “Bum bum Tam tam”, que já está rodando o mundo e inclusive se tornou viral na Indonésia.

“Essa música me colocou em um outro patamar. Hoje a galera me olha diferente, e sou grato a isso. Minhas produções, minhas músicas, tudo que faço é para meu público. E que bom que eles estão gostando”, disse Fioti. Clique aqui para conferir a entrevista completa.

Sobre o videoclipe, Fioti conta uma curiosidade: ele não era para acontecer. Uma puta ironia do destino.

“Lembro que tinha uma data reservada para a gravação, e quem ia gravar era o MC Don Juan. Na época trabalhávamos na mesma produtora [RW]. Porém, ele acabou indo para uma outra produtora [GR6], e a data acabou sobrando, digamos assim. Daí, eu enchi o saco do pessoal da RW falando que ‘Bum bum Tam tam’ era uma boa e eles gostaram da sugestão”, explica o MC.

O diretor responsável pelo vídeo, Gabriel Zerra, conta que a ideia foi fazer um videoclipe que representasse a mensagem destacada na música. E ele contou com a ajuda – e as dicas – de Fioti e seus produtores.

“Eles [Fioti e produtores] tinham uma ideia de colocar um gênio e alguns componentes que ilustrassem algo relacionado ao Aladdin [personagem infantil da Disney] e a cultura da região árabe. Optamos por uma iluminação mais alternativa e um filme que fosse engraçado de ver”, explicou Gabriel.

Parece que o resultado pensado pelo diretor e por Fióti foi alcançado com sucesso, não é mesmo?

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