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As tretas envolvendo o SoundCloud

A internet é uma benção nas nossas vidas, e para quem gosta de música é uma benção maior ainda. Hoje você carrega discografias inteiras e de diversos artistas no seu celular. Falando especificamente do público do funk, a internet revolucionou o ritmo desde os seus primórdios, com diversas plataformas que facilitam a distribuição das músicas e o acesso do público. Uma das ferramentas mais famosas atualmentes é o SoundCloud, que é gratuito e te permite, além de ouvir suas músicas preferidas on-line, publicar produções, remixes e fazer o download dos arquivos. No entanto, tá rolando um boato de que o serviço está com os dias contados, e o Portal KondZilla vai explicar melhor essa história.

A relação do funk com a internet começa lá no ínicio dos anos 2000, com o boom da internet em banda larga no Brasil. Começaram a pipocar sites que ofereciam download gratuito das músicas, como o caso do funkneurotico.net e o funkmp3.net, que fizeram a alegria de muita gente. Ainda nessa década, o YouTube se popularizou para além de uma plataforma de vídeo, e canais como o Detona Funk e Legenda Funk fizeram – e ainda fazem – sucesso divulgando músicas.

O que mudou dos anos 2000 para a nossa década atual foi o surgimento de novas plataformas digitais, que estão tomando conta do mercado musical. Em linhas gerais, o movimento que antes era popular pelo download, fez uma mudança natural para o streaming (palavra que significa transmissão ao vivo). Estamos falando das redes Spotify, Deezer e o próprio SoundCloud, esse último se destacando por oferecer um serviço 100% gratuito, on-line e voltado para artistas “undergrounds“, o que é o caso do movimento de funk.

#Como surgiu o problema?
O Soundcloud permite que qualquer pessoa possa subir músicas na plataforma. A conta gratuita permite que você suba até 2 horas de conteúdo, tudo isso necessitando apenas de um e-mail. A ferramenta também permite o streaming de qualquer música de forma gratuita, sobrevindo apenas de contas pagas – que permite que você suba mais horas de conteúdo.

O problema surgiu quando grandes gravadoras começaram a cobrar do SoundCloud royalties pelo streaming das músicas que controlavam e que estavam na plataforma. Por exemplo: se você procurasse na plataforma alguma música da Rihanna, você poderia ouvir de forma gratuita e o artista e a gravadora não recebiam nada por conta disso. Agora, se você procurasse a mesma música em alguma plataforma de streaming que rentabiliza o artista – como o Youtube ou Spotify – todo mundo ganha.

Assim, a briga pelos direitos autorais fez com que o SoundCloud pagasse quantias gigantescas para essas gravadoras, senão as gravadoras conseguiriam fechar o SoundCloud – por processos e pressão.

Foi aí que a conta não fechou. As assinaturas do SoundCloud não rentabilizavam a empresa de forma a pagar royalties, os valores eram apenas para pagar os funcionários e manter a plataforma no ar. Diferente das assinaturas do Spotify, por exemplo, que é uma plataforma que divide o que recebe com os artistas, o SoundCloud visava apenas manter a estrutura e que fosse livre para todos.

#Mas por quê o SoundCloud pode acabar?
Essa história surgiu graças a uma reportagem do site TechCrunch. Na matéria, funcionários falaram sobre a demissão de 173 pessoas em julho, o que representa 40% do quadro da empresa. Explicaram também que essas demissões em massa se justificaram para manter tudo funcionando por mais três meses.

Por ser uma plataforma gratuita, o SoundCloud vem enfrentando problemas para se manter em pé. Para tentar equilibrar a balança, foi lançado, em 2016, o serviço SoundCloud Go, uma espécie de “serviço premium”, que ofereceria um conteúdo mais pop, além do underground. Mas essa novidade não vingou.

Por conta de todo esse diz que me diz, já tem uma galera sugerindo que os usuários da ferramenta façam backup de tudo, antes que seja tarde demais.

#E o que diz o SoundCloud?
O SoundCloud diz que tudo isso não passa de mera especulação e, mesmo admitindo que as finanças não estão nos seus melhores dias, a empresa garante que o serviço não vai acabar tão cedo.

“Tem um monte de barulho insano sobre o SoundCloud em todo o mundo agora. E é apenas isso, barulho. A música que você ama no SoundCloud não tá indo embora, a música que você compartilha ou faz upload não tá indo embora, porque o SoundCloud não tá indo embora. Nem em 50 dias, nem em 80 dias, nem em um futuro próximo. Sua música está segura”, disse, em nota no site oficial do SoudCloud, o CEO da plataforma, Alex Ljung.

E, como o SoundCloud é uma parada querida por muitas pessoas envolvidas com música, tem muita gente querendo ajudar a parada a dar certo. Uma dessas pessoas é o Chance, The Rapper, que chegou a tuitar isso aqui:

Enquanto essa fita não é resolvida, nós continuamos aguardando as cenas dos próximos capítulos.

Aproveite para seguir o perfil oficial da KondZilla Records.

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Funk

O Rio Parada Funk chega bem vivo em sua sétima edição

A cultura do baile funk já conquistou o mundo. No Brasil, mesmo com todas as controvérsias, o ritmo já tem status cultural e produz eventos de dar inveja em muita gente. Um desses eventos é o Rio Parada Funk, que está na sua sétima edição e, em 2017, será realizado na Praça da Apoteose no dia 1 de outubro. Mas o que é esse tal de Rio Parada Funk? Calma, o Portal KondZilla vai te dar o papo:

Autodenominado “o maior baile funk do mundo”, o Rio Parada Funk é um evento que celebra a cultura do funk carioca por meio das equipes de som. Foram as equipes do Rio de Janeiro que começaram com o movimento musical nos primórdios dos anos 80. De lá pra cá, muita coisa mudou, a internet surgiu e movimento se espalhou para o mundo, então a organização reúne em um espaço as equipes para relembrar essa história de mais de 30 anos. Neste ano, estarão presentes 11 equipes de som e mais de 200 artistas, entre DJs, MCs e convidados. Você pode conferir programação completa neste link.

Cada edição do Rio Parada Funk é uma edição única. Uma das edições foi no Aterro do Flamengo, outra nos Arcos da Lapa, e este ano as atenções estarão voltadas para a Praça da Apoteose, local do evento em 2014 e um dos maiores símbolos do samba e carnaval carioca.

A ideia desse “festival” surgiu em 2010, produzido pelo coletivo “Eu Amo Baile Funk“. Desde então, todo ano acontece uma edição nova. Em 2012, por decisão da câmara municipal do Rio de Janeiro, o evento entrou no calendário oficial da cidade maravilhosa, que celebra a festa todo 2º domingo do mês de setembro. Neste ano, por conta do Rock in Rio, o evento acontece no dia primeiro de outubro.

Trocamos uma ideia com um dos idealizadores e integrante do coletivo “Eu Amo Baile Funk”, Mateus Aragão. Ele nos explicou sobre as dificuldades para realizar esta edição, muito por conta do corte de verbas por parte da prefeitura, mas o organizador garantiu uma coisa: o Rio Parada Funk vai manter seu “padrão de qualidade”.

“Esse ano é uma prova da resistência, mesmo com todos os problemas, a crise, que afeta não só o poder público, o Rio Parada Funk vai acontecer. Esse ano teve a questão do Rock in Rio, e alteramos a data. Mas quem for ao evento pode ir tranquilo e levar a família que o funk vai ser bem representado”, disse.

Durante todo o mês de setembro, a equipe do Rio Parada Funk realizou alguns eventos pela capital carioca para divulgar a festa, como por exemplo o flash mobmaior passinho do mundo” e conferências de debates sobre temas envolvendo a cultura do funk carioca (este último contou com a cobertura do Portal KondZilla, saca só como foi o primeiro dia e o segundo dia). Essas promoções servem também para reforçar que o funk vai muito além da música, pois envolve dança, estética, debates musicais… enfim, uma cultura inteira.

O universo funk é gigantesco no Brasil, e o Rio Parada Funk é um evento que, tranquilamente, dá a dimensão da importância dessa cultura. Em 2017, a sétima edição do evento será realizada muito por conta da força de vontade dos seus organizadores e do público, que diante dos problemas não desistiram de se unir para realizar o maior baile funk do mundo. É claro que o Portal KondZilla estará presente e contará tudo o que rolou na Apoteose!

Serviço:
Rio Parada Funk 2017
Horário: 10h às 19h
Onde: Praça da Apoteose, Rio de Janeiro
Para participar, são três tipos de colaborações: R$10 (no dia), R$7 (antecipada) e doação 1kg de alimento.
Obs: lembrando que todas as colaborações devem ser feitas pela internet.

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Funk

Coxta é mais um carioca que deu certo no funk de SP

Estudar e saber o que está fazendo é muito importante para a profissão que você escolher. No ramo da música, mais especificamente o funk, não é diferente. Ter um ‘algo a mais’ pode ser um triunfo para trilhar ao sucesso, e é nessa categoria que se encaixa o MC Coxta, autor do sucessos “Tugudum“, “Festinha do Bundão” e “Tum Tum“. Nascido no Rio de Janeiro e atualmente morando em São Paulo, o cantor faz as próprias produções e arranha em alguns instrumentos, algo que o diferencia de uma galera. O Portal KondZilla conta agora um pouco mais sobre isso.

Desde moleque, Lucas Costa, 23, é chegado na música. Curioso, batucava em tudo em que é lugar, sempre tentando aprender algo. Morando no Rio de Janeiro, não teve como ele não ter um contato com o funk, e foi então que ele viu uma oportunidade para realizar o sonho de trabalhar com música.

“Quando criança, eu não parava, batucava em tudo quanto é lugar. Tudo que fosse possível, sempre gostei de música e hoje tenho a oportunidade de fazer aula de violão e teclado. E, por morar no Rio de Janeiro, sempre tive contato com funk”, explica. “Com uns 15 anos, inventei de tentar produzir um funk, e fui gostando do ritmo, conhecendo os detalhes, etc..”, disse o MC, durante um papo no estúdio da KondZilla Records.

No entanto, há oito anos, seu pai foi transferido de cidade por conta do emprego. Com isso, sua família se mudou para São Paulo, para região de Interlagos. E o que inicialmente seria só um novo lugar pra morar, acabou sendo uma mudança geral na vida de Lucas. O que antes, quando ainda morava no Rio de Janeiro, era só uma brincadeira, acabou ficando algo sério em São Paulo.

Trocando ideia com outros MCs, como no caso do MC MM e do MC WM, ouvimos histórias que explicam o quão fundamental é você ter o foco na música, mas não deixar as outras coisas de lado. Coxta – que ganhou esse apelido dos amigos paulistanos por conta do sotaque – nunca parou de pensar em música, mas teve que ralar para poder viver dela.

“Quando me mudei para São Paulo, fui trabalhar em uma farmácia e meio que deixei a música um pouco de lado, foquei mais no trampo e nos estudos”, diz o MC, que está cursando a faculdade de Marketing.

Mas a paixão pela música acabou falando mais alto – e o talento também. Desde os tempos no Rio de Janeiro, Coxta tinha alguns equipamentos de gravação e produção musical, que em São Paulo meio que ficaram de canto por um tempo. Somente há uns três anos, o cantor-produtor decidiu montar um home studio em casa.

“Não divulgo esse meu trabalho de produtor, na verdade esse home studio era mais para os meus trampos mesmo, e um amigo ou outro mais íntimo, que daí eu trabalhava quase que em conjunto”, explica.

E foi assim, quase que despretensiosamente, que o MC chamou a atenção do mundo do funk com a música “Tugudum“, que já tem mais de 13 milhões de visualizações no YouTube e foi o trabalho que mudou a sua vida.

O cantor explica que mal acreditou em todo o sucesso que a música fez, e atribui parte desse estouro à galera da internet, que criou um “desafio” pra música, com a mulherada dançando, gravando e colocando os vídeos nas redes sociais.

“Depois de ‘Tugudum’, minha carreira deslanchou, consegui um empresário e passei a viver de funk mesmo. E essa música mostra bem o cantor que eu sou, gosto dessa pegada dançante e tal. O pessoal abraçou a ideia, tanto que a música estourou também por conta dos vídeos que a galera gravou”, conta. Coxta faz questão de deixar claro que músicas com muitos palavrões não é a dele, o negócio dele é dança e canções alegres.

Mesmo com 23 anos, Lucas já tem cabeça de gente grande e ideias de quem sabe exatamente o que quer. Em pouco tempo, ele conseguiu conquistar seu espaço nessa roda gigante do funk, e como o ele mesmo deu o papo: “Tudo tem seu tempo. Uma hora dá certo”.

Sabendo bem o que quer, Coxta vai trilhando o caminho do sucesso com calma, sem se atropelar. O que serve de lição pra muita gente que tá buscando realizar seu sonho.

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“Bum Bum Tam Tam” alcança 300 milhões de visualizações

Chegar ao número de 300 milhões de visualizações em um videoclipe de funk parecia ser uma marca quase impossível de alcançar, até 2017 chegar. Segundo o ditado “depois do primeiro milhão, tudo é possível”, o céu é o limite para os videoclipes. Depois de viralizar na Indonésia e fazendo até jogador de futebol gringo dançar, a música “Bum Bum Tam Tam“, do MC Fioti, chegou a incrível marca de 300 milhões de visualizações. Logo mais o Canal KondZilla tá pedindo música no Fantástico com videoclipes que atingiram 300 milhões de visualizações no YouTube. Enquanto o 3º videoclipe com 300 milhões não chega, o Portal KondZilla te conta mais sobre a produção de “Bum Bum Tam Tam”.

Lançada no dia 8 de março – ou seja, há apenas seis meses – o videoclipe “Bum Bum Tam Tam” foi o segundo hit na carreira do produtor e MC Fioti, sendo o primeiro “Vai Toma“, uma parceria com o MC Pikachu e que também atingiu uma marca respeitável no Canal KondZilla: 60 milhões de visualizações.

“Essa música me colocou em um outro patamar. Hoje a galera me olha diferente, e sou grato a isso”, conta o MC, na entrevista para o Portal KondZilla, onde falou sobre a importância dessa música na sua carreira, nas suas produções e no seu trabalho como um todo.

Não é novidade dizer que o funk já se espalhou pelo mundo, fazendo sucesso em Israel e artistas fazendo turnê pela Europa. “Bum Bum Tam Tam” é um grande exemplo desse sucesso internacional da nossa música. Pra quem não sabe, a música do MC Fioti viralizou na Indonésia e falamos um pouco mais disso nessa matéria, onde também trocamos uma ideia com o diretor Gabriel Zerra, responsável pelo videoclipe.

“Eles [Fioti e produtores] tinham uma ideia de colocar um gênio e alguns componentes que ilustrassem algo relacionado ao Aladdin [personagem infantil da Disney] e a cultura da região árabe. Optamos por uma iluminação mais alternativa e um filme que fosse engraçado de ver”, explicou Gabriel, em entrevista ao Portal KondZilla.

2017 está sendo um ano e tanto para KondZilla. Além dos números em questão, o canal no YouTube ultrapassou a marca de 18 milhões de inscritos e estamos com mais de nove bilhões de visualizações, os MCs da KondZilla Records e o diretor KondZilla foram convidados para participar do Rock in Rio, um dos maiores eventos de música do mundo, além do sucesso do Baile da KondZilla, que pretende rodar o país. O que mais podemos esperar?

Encontre o MC Fioti nas redes sociais: Facebook // Instagram.

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Vai ter Baile do KondZilla em Santa Catarina

O Baile do KondZilla chega pela primeira vez a região do sul do país. O evento, que conta com a presença dos artistas da KondZilla Records, foi sucesso de público em São Paulo e já rodou por outras cidades do Brasil recentemente. Agora, a festa acontece em Santa Catarina, passando pelas cidades de Criciúma e Florianópolis nesta sexta-feira, dia 22 de setembro. Se liga que o Portal KondZilla vai te dar todos os detalhes da festa. Já pode anotar aí na agenda que vale a pena!

A primeira edição do Baile do KondZilla aconteceu no dia 10 de maio, na Brook’s SP. A casa ficou completamente lotada e recebeu o melhor do funk. A festa contou com a presença de mais de 10 artistas, entre DJs e MCs, e no último dia 6 de setembro passou pelas cidades de Juiz de Fora-MG e Paraíba do Sul-RJ.

É importante lembrar que a KondZilla está crescendo cada dia mais. Além do canal no YouTube que bateu 9 bilhões de visualizações, temos o sucesso do Baile do KondZilla e a mais recente novidade foi a participação do diretor KondZilla e dos cantores MC Guimê e MC Kekel no Rock in Rio – no último dia 15 de setembro, no palco Digital Stage -, um dos maiores eventos de música do planeta terra. Então, quem não foi no Rock in Rio, pode ter um gostinho desse espetáculo no Baile da KondZilla!

Serviço:

Baile do KondZilla em Criciúma
Siso´s Hall

Ingresso – Pista: R$50 (meia-entrada), R$55 (solidário + 1kg de alimento) e R$100 (inteira)
Ingresso – VIP: R$65 (meia-entrada), R$80 (solidário + 1kg de alimento) e R$130 (inteira)
Ingresso – Backstage: R$140 (meia-entrada), R$150 (solidário + 1kg de alimento) e R$280 (inteira)
Venda de ingressos on-line nesse link

Baile do KondZilla em Florianópolis
Stage Music Park

Ingresso – Pista: R$60 (inteira)
Ingresso – Camarote: R$90 (inteira)
Ingresso – Backstage: R$200 (inteira)
Venda de ingressos on-line nesse link

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Funk

Da Baixada e aos 16, MC Andrewzinho projeta uma carreira duradoura

Cantar funk é um sonho para muitas crianças das periferias, mas com a concorrência aumentando faz com que chegar no topo se torne algo cada vez mais difícil de ser alcançado. Andrew Fernandes dos Santos Lisboa, 16, o MC Andrewzinho é um exemplo de maturidade pra molecada que está começando. Uma das principais revelações do funk da Baixada Santista, o MC canta os sucessos “Meteorologia“, “Já Tá na Hora“, “Amizade Colorida” (com direito a participação da Tati Zaqui) e “Manda um Beijo Daqui“, que já bateu a marca de um milhão de visualizações no YouTube. Encontramos com o MC no estúdio da KondZilla Records e o Portal KondZilla aproveita para contar sua história e sacar: como é estar realizando seu sonho de ser MC.

Nascido na comunidade do Dale Coutinho, em Santos – berço também dos MCs Careca e Felipe Boladão -, Andrewzinho começou a carreira de cantor ainda quando criança. A admiração pelos artistas do seu bairro influenciaram bastante na vida do garoto, tanto que ele conta, inclusive, que foi o MC Careca um dos caras que incentivaram ele a entrar na música.

“Eu conhecia o Careca, ele era o principal símbolo [de sucesso] daquela época e me chamava sempre para cantar, só que eu tinha muita vergonha”, conta o MC de forma saudosa. “Daí, aconteceu aquela fatalidade e eu decidi começar a cantar por brincadeira no meu quarto e gravei uns vídeos. Meu tio sugeriu de eu levar a sério essa parada, e eu embarquei. De início, cantava putaria, algo meio fora da curva”, explica.

Desde o início, com 12 anos, Andrewzinho chamava a atenção pelo talento. Aos poucos, o garoto foi perdendo a vergonha dos palcos e foi deslanchando na carreira.

Porém, a idade era um problema na época. O cantor teve que superar o medo dos pais em vê-lo cantar funk noites adentro. Isso porque, o MC Careca, MC Felipe Boladão e outros dois MCs da Baixada Santista foram assassinados entre 2010 e 2012. Obviamente, os pais de Andrewzinho não enxergavam aquela carreira como a mais segura do mundo e se dividiam entre apoiar e passar a visão da situação ao Andrew.

“No começo, minha família tinha muito medo, muito por conta de tudo o que aconteceu. Mas eles foram se acostumando, até porque esse sempre foi meu sonho”, explica o jovem. “Depois de tirar esse medo, meus pais foram fundamentais pra mim, sempre incentivando, dando todo o suporte”, finaliza.

Ser da Baixada Santista pode ser considerado um privilégio para alguns, como também uma responsabilidade gigante para outros. Conhecida por ser o berço do funk no estado, a região já apresentou artistas de nome que continuam na ativa, tais como: MC Neguinho do Kaxeta, MC Boy do Charmes, Danilo Fabinho entre vários outros. E mesmo com todas indas e vindas do movimento do funk, a região segue revelando novos talentos como o próprio Andrewzinho e a MC Rita (já falamos dela neste texto aqui), ambos ainda adolescentes e que já chamam a atenção.

Se a barreira dos pais já estava ultrapassada, Andrewzinho ainda precisava mudar outro problema da carreira. Foi daí que decidiu parar com a putaria e ir além, projetando uma carreira de MC. Mesmo adolescente, ele já tinha essa visão de futuro e da caminhada que deseja seguir no mundo da música.

“Isso [putaria] tem seu momento, e não queria isso pra minha carreira ou ‘ser alguém de momento'”, esclarece o MC-mirim. “Pensei em mudar e vi que deu certo. A música da minha vida é ‘Amizade Colorida‘, que mostra a pegada que eu quero levar hoje em dia”, trabalho realizado em parceria com a MC Tati Zaqui.

E imagina que loco, você MC, com música estourada por aí, e indo para escola, galera toda em cima, alguns até pedindo autógrafo, foto e ainda nem completou 18 anos. Deve ser daora, né?!

“O pessoal da escola, de começo, meio que se impressiona, mas é normal e eles acabam se acostumando”, diz o MC. “Um dia que marcou pra mim, foi quando eu fui no shopping e rolou um tumulto, pessoal pedindo pra tirar foto. Daí tive a certeza que tinha que cair de cabeça na música”, finaliza.

O cantor está imerso numa safra de MCs jovens. Esses artistas começaram a carreira bem cedo e foram escalando o sucesso quando muitos pensam apenas em empinar pipa e jogar bola. Andrew explica que o esforço vale a pena, e dá uma dica importante pra quem pensa em seguir atrás do sonho de ser MC: “Nada vem fácil, você tem que acreditar no seu talento e não desistir”.

Atualmente, o sonho de ser MC está presente na mente das crianças de quebrada, dividindo espaço com o sonho de ser jogador de futebol. Fazer sucesso subindo nos palcos pelo Brasil cantando funk não é uma caminhada nada fácil, e Andrewzinho é um exemplo de que se você tem foco, tudo é possível.

Acompanhe o cantor pelas redes: Facebook // Instagram.

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Musica Educação Entrevista

Pesquisadora Mylene Mizrahi retrata a estética do universo funk

É curioso observar como o funk, mesmo sendo um movimento marginalizado, recebe cada vez mais olhares acadêmicos. Seja por documentários, seja por monografias, o funk vem sendo estudado desde o seu surgimento (já ouviu falar do “O Baile Funk Carioca” – 1988?). Um desses olhares, é da doutora Mylene Mizrahi no trabalho “A estética do funk carioca: criação e conectividade em Mr. Catra“, que observa a estética do funk carioca, muito por conta do fascínio que a pesquisadora teve pela famosa “Calça Gang“, popular no começo dos anos 2000 por “levantar o popô da mulherada”. O Portal KondZilla aproveitou uma rara tarde de chuva no Rio de Janeiro para trocar uma idéia com a pesquisadora.

O trabalho de pesquisa surgiu em um momento que as mulheres do funk carioca começaram a falar da “Calça Gang”, um modelo produzido com uma malha confortável e elástica que ajudava na dança e também dava destaque pro ‘popozão’ da mulherada. Mylene, não fazia parte do circuito do funk na época, mas trabalhava com moda e se encantou com a vestimenta. A partir daí, começa a história da pesquisadora no funk.

Mylene se aprofundou no assunto “Estética do Funk” e conseguiu entender também o movimento do público masculino. Sua tese tem como personagem central o Mr.Catra, mas não se confunda: ela usa-o como personagem de dentro do funk e partir disso descobre outros aspectos da cultura. Com o trabalho sendo premiado pelo Instituto Pereira Passos (IPP), órgão vinculado a Prefeitura do Rio de Janeiro, a pesquisadora é doutora em antropologia cultural pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com mestrado em Sociologia e Antropologia também pela UFRJ. Leia mais na entrevista abaixo:

Como se deu o seu encontro com o funk?
Meu encontro com o funk foi pautado com o seu aspecto estético, foi sempre o que me interessou. Enquanto outros pesquisadores chegam no funk muito pra entender o movimento como representação da sociedade, uma manifestação do social, como música, expressão da favela ou das classes populares, a minha questão com o funk sempre foi movida por um fascínio me causou, um fascínio estético. A gente tem até uma teoria antropológica da arte que fala muito disso, que define arte como aquilo que te captura, que te argola. O funk, pra mim, é exatamente isso.

Quando rolou esse fascínio?
Eu comecei ali no final dos anos 90, quando entra na moda uma calça jeans conhecida como a “Calça Gang“. Muitas meninas usavam e, inclusive, tinha algumas amigas minhas que usavam. Eu trabalhava no centro da cidade com moda e sempre tive uma entrada na coisa do design da moda e da criação. Comecei a ver essa calça circulando muito pela cidade. Era uma calça muito sensual, que deixava o corpo em evidência, tinha bordados, algumas com menos [adereços]. Tive a oportunidade de fazer uma pesquisa para uma universidade privada pensando a ressignificação dessa calça no discurso midiático. Quando encerrei essa pesquisa, eu fui fazer o mestrado em antropologia e o que eu queria era justamente entender essa calça nos seus usos. Nesse contexto original, a pesquisa apontou como contexto inicial da calça o baile funk, e eu fui pro baile pra ver essa calça usada pelas meninas.

Foi ali que eu fiquei realmente fascinada pelo universo estético funk. Eu não gosto de falar do social explicando o funk, eu gosto de pensar o funk como arte, quero falar do funk também como criatividade, como o artista funk tem um prazer e uma vontade de criar, que não necessariamente é explicada pelo social. Mas sem o social não conseguimos entender o funk

Quem era a Mylene antes de se aprofundar no funk?
Sou graduada em economia. Começo a trabalhar com moda em empresas, lojas pequenas. Não tinha nenhuma relação com funk. Na verdade, minha chegada no funk tem a ver com a minha chegada na antropologia, porque a antropologia tem como um dos seus nortes de que o encontro com a diferença pode ser um gatilho para produção de conhecimento. Nesse encontro com a diferença que você vai conseguir conhecimento. Ao mesmo tempo que tenho esse fascínio estético, o funk é precioso para pensar, do ponto de vista acadêmico, pois é muito interessante de um ponto de vista criativo, cognitivo, artístico, independente.

É possível fazer um paralelo de vestimenta e estilo de dois grupos sociais?
Tem algo que é mais ou menos estrutural nisso, e a calça gang até ilustra essa ideia de uma estrutura do gosto, que era essa relação da roupa justa e a roupa menos justa. A brasileira, de um modo geral, é conhecida pelo mundo por gostar de roupa justa. Nesse mundo funk, minha roupa era larga, ao mesmo tempo que no mundo mais zona sul, a acusação era que elas [funkeiras] usavam roupas muito justas. Muitas vezes eu me usei como dispositivo de pesquisa, porque percebia que do mesmo jeito que tinha um fascínio por aquele mundo, eles tinham fascínio pelo mundo de onde eu vinha. Essas diferenças não são fundamentais, o funk circula, não existem diferenças absolutas e radicais. O funk se alimenta também do alto gosto.

Você acha que existe alguém que dite a moda no funk?
Cada vez menos essa coisa de ditar moda no mundo do consumo funciona, porque antigamente você tinha essa concepção de a [classe] alta ditando a moda e você imitar. Hoje tem o alto, os lados, muitos grupos de referência. A gente vê que a mesma Armani, que pode ditar a moda da classe média, está sendo usada na Palestina, pelo rei do camarote aqui no Brasil, pelo menino que canta ostentação e pelo jogador de futebol. Todos podem estar de Armani, é difícil dizer quem dita o que pra quem.

E os funkeiros gostam de se vestir bem, roupas legais….
Nessas horas vemos como a estética nos falam das tensões sociais. Na verdade, junto com isso, de se empoderar de símbolos da classe média, está associado você buscar uma circulação mais fluída pelos espaços da cidade, mostrar que você também pode, também consome. Esses movimentos de rolezinho são feitos junto com as marcas, só que essas coisas não são controladas e caem sobre eles um discurso moralizante sobre o consumo. Mas não tem uma classe média endividada também? Eu vejo essa ostentação para o que ela pode falar pra gente além do puro gasto.

Como você vê a estética masculina no funk?
É muito curioso o momento quando faço a pesquisa, lá em 2005. Já tinha a calça, e eu ficava intrigada com o investimento estético dos rapazes. Não acho que é ser metrossexual, acho que eles têm um interesse pela aparência que não posso dizer que os homens de classe média não tenham. A questão da beleza masculina é corporal, acho que eles gostam do corpo. É selfie feita mostrando metade do corpo [na foto]. Isso é muito do funk, tanto no homem quanto a mulher. A ideia é você tentar mostrar uma naturalidade.

Na época, eles falavam muito que playboy não é necessariamente de fora da favela, você pode ter playboy na favela, mas eles falavam muito que “o playboy me vê com a roupa igual a dela, cordão igual o dele, e pensa: p*rra, que doideira”. É como se o playboy se visse na imagem do funkeiro, só que eles não podem imitar o funkeiro, porque eles têm o cabelo grande. Então eu via o cabelo como uma elaboração jocosa do cabelo do surfista, porque a roupa era a mesma, o cabelo era grande diferença do playboy pro funkeiro.

E sobre o fenômeno das danças? Rolou alguma mudança?
Acho que tem uma mudança importante dos anos 2000. Essa questão da imagem, com a KondZilla como produtora de vídeo, o fato de você ter essa mídia digital e estar se apresentando para alguém e que alguém vai te ver. Isso muda muito, o funk passa de uma produção de áudio, para uma produção audiovisual. Isso é muito importante.

Como era a relação de uma pessoa da academia com os funkeiros?
No início eles não conseguiam entender: o que você está achando de tão fascinante nisso, na nossa vida, nosso cotidiano. Eles achavam graça. Lembro que eles achavam graça d’eu estar enfiada no estúdio com eles (risos). Eu me interessava por todos os detalhes, acho que eles tinham uma certa desconfiança nisso, depois eles foram entendendo. E enquanto eu produzia os meus artigos e alguém de lá, lia.

Como se deu o seu encontro com o Mr. Catra?
O que acontece é que eu estava no doutorado, estava tentando ver uma entrada e via muito o Mr.Catra fazer show pela cidade. Meu campo de estudo no mestrado foi no “Clube do Boqueirão”, que é perto do aeroporto Santos Dummont. Era um baile frequentado por jovens da Zona Sul e Zona Norte, em geral das favelas, e não tinha filiação a uma facção.

Pensando na circulação do funk pela cidade, acompanhei alguns jovens que conheci no baile, um grupo de amigos que moram próximo do centro e trabalham no mesmo lugar. Com eles, eu acompanhava a circulação deles pela cidade. Eu não podia pensar o funk só como produção de gueto, não dava muita conta. Foi então que uma pessoa me chama para escrever sobre religião e funk, e o artista que mais fazia esse discurso nos bailes era o Catra. Vou procurar o Catra – uma pessoa muito fascinante e querida -, e começo a caçar ele por entrada de show. Ele me passa um número, consigo marcar com ele na casa dele e fizemos uma entrevista.

Achei aquela conversa algo muito controlado, e aí que entra a coisa do antropólogo, que quer ver a coisa acontecendo, quer ver aquele mundo funcionando. E ele [Catra] se vira e fala: você não quer fazer umas saídas comigo? Fiz cinco saídas com o Catra de van pela cidade, começava às 8h e terminava às 20h. Começo então a ver essa circulação pela cidade, o MC faz show para periferia e para playboy, a cidade inteira articulada pelo funk numa noite, e eu queria entender qual era o lugar desse funk no Rio de Janeiro. E no meio do trabalho ele diz: pô, o que você está querendo tanto aqui? Eu conversei com ele, ele ficou tranquilo e eu pergunto se ele pode ser o centro da minha pesquisa e ele topa. A pesquisa não é sobre o Catra, mas com ele. Eu ficava dentro de estúdio, acompanhava muito o ambiente familiar e doméstico dele, fiquei muito próxima da esposa, da irmã, da filha mais velha. Foi algo bem intenso.

Acompanhe o trabalho da pesquisadora pelas redes: Facebook // Academia.edu
A tese da pesquisadora: A Estética Funk carioca: criação e conectividade em Mr. Catra – está disponível na internet.

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KondZilla

A KondZilla participa do Rock in Rio 2017

O Rock in Rio é um dos maiores eventos de música do planeta Terra. O evento surgiu no Rio e já foi realizado em diversas cidades ao redor do mundo, como: em Madrid, na Espanha, em Lisboa, Portugal e Las Vegas, nos Estados Unidos. O RiR reúne os mais importantes nomes do rock e da música mundial. E neste ano, o festival acontece na “cidade maravilhosa” e também terá funk em um dos sete dias de festa. Os representantes do ritmo serão o diretor KondZilla e os artistas da KondZilla Records, MC Guimê e MC Kekel, que estarão presentes no dia 15 de setembro, no palco Digital Space. Agora o Portal KondZilla dá mais detalhes dessa novidade.

Esta é a 17ª edição do Rock in Rio, a primeira aconteceu em 1985. No Brasil, esta é a sétima edição e neste ano contará com a novidade do palco Digital Space, um palco dedicado a estrelas do mundo virtual, com os youtubers Whindersson Nunes e Fe Castanhari. Entre os convidados está o diretor KondZilla, que fez questão de levar o funk ao Rock in Rio com a presença dos MC Guimê, cantando seus sucessos “País do Futebol“, “Plaque de 100” e “No Auge“, e do MC Kekel, autor dos hits “Namorar Pra Quê?“, “Partiu” e “Solteiro Até Morrer“.

Neste ano, o Rock in Rio será realizado nos dias 15, 16, 17, 21, 22, 23 e 24 de setembro, no Parque Olímpico do Rio de Janeiro. Ao todo, o evento contará com quatro palcos, cada qual dividido em uma sub-categoria: palco 1 – Palco Mundo, palco 2 – Palco Sunset, palco 3 – Palco Eletrônica e palco 4 – palco Digital Stage. No total, são 1.588 artistas que se apresentarão em 7 dias de festa. A expectativa de público é de 85 mil pessoas.

O evento cresceu de tamanho e acompanha as tendências da música mundial, trazendo shows de outros movimentos musicais para o festival. Entre os principais artistas do line-up estão: Lady Gaga, Marrom 5, Titãs, Justin Timberlake, Aerosmith, Guns N’ Roses e Red Hot Chilli Peppers.

Confira mais informações do evento no site oficial do festival: Rock in Rio.

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Empreendedorismo Histórias que inspiram

O “Favela Business” passa a visão sobre empreendedorismo na quebrada

Empreender é uma palavra que tá na moda. Só que empreender pra quem tem grana é uma coisa, agora empreender sem dinheiro é para poucos. Ou melhor, nem tão poucos assim, pois nas quebradas Brasil a dentro existem vários exemplos de uma galera que saiu do negativo e conseguiu criar seu próprio negócio. A KondZilla é um exemplo. Foi percebendo toda essa genialidade da periferia que uma dupla decidiu criar o projeto “Favela Business“, para ajudar quem quer ter o próprio negócio, e o Portal KondZilla foi até o fundão da Zona Sul de São Paulo, mais precisamente no Jardim Rosana, para trocar uma ideia com Jeferson Delgado, 19, e Heloisa Ferreira, 19, criadores do projeto.

“Trabalho desde moleque, e já passei por vários lugares: feira, lojas, etc”, explica Jeferson. “Sempre tive essa visão da importância do empreendedorismo na quebrada e como a galera tinha essa facilidade. Quando tive meu primeiro contato com o audiovisual, logo tive a ideia de fazer uma websérie falando dessas histórias”.

Uma das missões do Favela Business é dar voz a esses empreendedores e contar como eles conseguiram fazer sucesso no próprio negócio que, em via de regra, começou “do zero”. Como é o caso da própria KondZilla, que a partir de uma idéia do diretor KondZilla e uma câmera, se tornou uma produtora referência no audiovisual.

Mas o que a palavra empreender quer dizer? Em resumo, é quando você profissionaliza a atividade que você executa. Por exemplo: você leva jeito para design gráfico e já está fazendo alguns freelas pros amigos, um flyer de festa, um convite de casamento, etc… Com a grana desses pequenos trabalhos, você decide alugar um espaço para que mais pessoas conheçam o seu trabalho, você faz um anúncio para atrair mais clientes e monta um site como portifólio. Você está de certa forma, montando seu próprio negócio de designer. Você se tornou um empreendedor.

Nas quebradas por aí, existem diversos exemplos de negócios bem sucedidos, com empreendedores bem sucedidos. Como no caso do Vinicius Rodrigues, dono do salão “Bom de Corte” (já falamos dele aqui), que abriu seu salão pequeno em uma viela de Guaianases, e com uma mistura de planejamento e bom investimento, conseguiu expandir seu negócio, abrindo seu salão em um novo lugar. São histórias como essa que a dupla retrata e ajuda como podem.

Criado na Zona Sul de São Paulo, Jeferson nunca foi um exemplo de “bom aluno” – segundo palavras dele mesmo. Porém, ao entrar no Núcleo de Consciência Negra da Universidade de São Paulo (NCN-USP), ele mudou sua visão de vida e também foi onde conheceu o mundo do audiovisual.

“Eu não pensava em muita coisa não, só em curtir mesmo. Foi no NCN que tive contato com a questão de conhecer minha história, minhas origens, sobre negritude e ser de periferia na nossa sociedade. E foi lá também que tive um primeiro contato com o audiovisual. Lembro que no começo, peguei uma câmera emprestada de um amigo, e andava com ela pra cima e pra baixo, filmando tudo. Depois, quando fui pesquisar para tentar comprar a minha, vi que a câmera custava R$10 mil. Algo surreal, não acreditava que andava com um equipamento tão caro”, conta Jeferson.

Foi também no NCN que Jeferson conheceu Heloisa, sua companheira de trabalho e de vida. Heloísa quem idealizou o canal e ajuda a produzir um conteúdo voltado para periferia, com assuntos além da questão do empreendedorismo.

“Nossa ideia é passar uma mensagem de sucesso para os nossos semelhantes. Sabemos que não é fácil, mas com calma a gente consegue transmitir nossa ideia. Não adianta chegar na quebrada, falando sobre assuntos complexos e de uma maneira que a galera não entenda. O discurso tem que ser calmo”, explica Heloisa, que é uma espécie de mentora e produtora da parada.

“O que também temos que destacar é que não queremos que o pessoal tenha que sair da quebrada para ter acesso a certos tipos de informação, que foi o meu caso. Só quando eu fui pro Núcleo de Consciência Negra que tive noção de certas coisas, muitas nunca tinha nem ouvido falar. Esse tipo de informação tem que circular na quebrada, não ficar só no centro”, completa Jeferson.

A arte de empreender nasce no sangue da galeria que vive na periferia. É comum ver pessoas que tiveram ideias e correram atrás do próprio negócio. Da pequena banca de frutas até uma produtora de vídeo. Jeferson e Heloisa deram uma luz à essa galera que precisa de algumas dicas de empreendedorismo. Ou até mesmo uma palavra de incentivo.

“Muitas vezes, essa galera não tem noção da genialidade que eles têm. Eles não precisam de curso, é meio que um instinto de sobrevivência”, conclui Jeferson, que faz curso técnico de jornalismo e já foi “guia” do jornal inglês The Guardian pela Zona Sul de São Paulo. Enquanto Heloisa foi convidada para ser criadora de conteúdo no novo projeto da Avon, “E aí, tá pronta?“. Tudo por conta do trabalho que estão fazendo no “Favela Business”.

O casal diz que não pensa muito no futuro. Projeções sobre fama e dinheiro não estão no mapa. Ter os pés no chão é algo fundamental pra eles. Na verdade, esse é um lema para todo bom empreendedor, principalmente os de quebrada.

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Histórias que inspiram Entrevista Funk

Mano DJ é produtor e descobridor de talentos

Podemos dizer que o sonho do menor na periferia mudou. Se antes era ser jogador de futebol, hoje a garotada se divide entre os que querem ser um astro da bola e os que desejam ser um artista de sucesso no funk. E com o mercado cada vez mais profissional, não adianta mais só ter talento, você precisa saber promover o seu trabalho do jeito certo e no momento certo. Wanderson Cardoso de Oliveira, 25, é um desses garimpeiros de talentos do funk, ou melhor, o Mano DJ. Ele, que além de DJ é um dos produtores musicais na KondZilla Records, já trabalhou com centenas de MCs pelo país, como: MC Bin Laden, MC Brinquedo, MC Pikachu, entre outros. Além disso, é DJ do MC 2K há mais de cinco anos e já fez diversas collabs com produtores de fora. O Portal KondZilla aproveitou uma tarde e encostou no antigo estúdio do produtor para saber mais dessa história de revelar talentos. Confira:

Cedo ou tarde, o Portal KondZilla acaba encostando no Helipa. Não é atoa que essa quebrada seja um berço de talentos periféricos, já que conta com quase 150 mil habitantes. A história do produtor e da comunidade se entrelaçam desde o começo, e por isso seu antigo estúdio serviu de local para a conversa. Afinal, produtor que se preze faz do estúdio sua segunda casa, e com Mano DJ não foi diferente.

O Studio Bem Bolado recebe a garotada de todas as idades e de todos os lugares do Brasil, geral em busca do mesmo objetivo: ser uma estrela no mundo do funk. O primeiro passo para virar MC é gravar uma música. Logo, cabe a cada talento procurar o produtor que saiba trabalhar com a sua música e que também caiba no orçamento. Mano DJ aproveita para fazer um paralelo sobre a nova geração com a molecada de 10 anos atrás.

“Lá em 2007, os recursos eram menores. A garotada tinha que correr de uma forma diferente. Hoje tem um talento em cada esquina, tem muito DJ, produtor, MC com talento [nas quebradas]. Minha missão é ajudar eles no que eu conseguir, sempre mostrando como funciona esse mundo”, explica.

Nascido em São Luiz, capital do Maranhão, Mano DJ se mudou pro Helipa ainda criança. Uma curiosidade: a região do Heliópolis é um dos maiores redutos nordestinos da cidade de São Paulo – já falamos um pouco dessa quebrada nessa resenha com o MC 2K. Isso foi um fator determinante na carreira dele, que se auto-intitulou “Mano” como nome artístico, já que: “Wanderson não é um bom nome artístico, daí já aproveitei pra homenagear o Mano Brown, né?!”.

Ser um “descobridor de talentos” não é algo que você acorda num dia e decide ser. Ter faro para o sucesso depende de muita experiência, aprendida no dia a dia e com acertos e erros. Mano DJ explica que começou no funk em 2007, admirando a galera do Rio de Janeiro e suas montagens, mas sua paixão pela arte de discotecar veio bem antes, por conta do amor pelo rap. Só depois de um tempo trabalhando como DJ, foi que o funk tomou conta da sua vida. Lutador de capoeira desde criança, ele ganhou o apelido de DJ ainda na adolescência, por “mexer os braços como se tivesse mexendo numa pick-up de DJ”.

No Helipa, o pessoal já sabia da paixão do cara por esse negócio de ser DJ. Certa vez, um amigo fez uma festa e convidou ele pra ir se divertir. Chegando lá, ele recebeu a intimação para tocar na festa.

“Cheguei lá pra me divertir e me colocaram pra tocar de surpresa. Tomei um susto, mas me dei bem “, conta de forma nostálgica. “No dia seguinte, uma mulher chegou pra mim e perguntou se eu era o DJ. Disse que sim, e ela falou que queria me contratar para uma festa. Tentei explicar que DJ era meu apelido e que ainda tava começando, não tinha experiência, mas ela não quis saber e me contratou. O engraçado é que eu nem sabia o quanto cobrar (risos)”, brinca ele.

Mesmo que o produtor tenha saído do Nordeste quando criança, ele não perdeu a admiração pela cultura de lá. Essa influência fez com que Mano se apaixonasse pelo arrocha que vem surgindo dentro do ritmo carioca (falamos do arrocha-funk aqui), inclusive adotando o arrocha pro seu repertório, sendo responsável por diversas produções de arrocha-funk, como: “Arrocha do Helipa“, do MC DH, “Patricinha do Arrocha“, do MC Tchelinho, e a mais recente delas com o MC Bin Laden, em “Sentinela”.

“No Helipa a galera escuta muito forró. Hoje em dia, não tem tanto fluxo como antigamente. O forró, o brega e o arrocha tomaram conta. Daí acabei colocando o funk no meio disso e a galera acabou gostando. Nas festas por aqui toca muito arrocha funk”, conta Mano DJ, que já fez até vídeo-aula ensinando o pessoal a como produzir um bom arrocha funk.

Ainda na época da ostentação, quando o funk começou a se estabelecer em terras paulistanas, Mano DJ era um dos responsáveis pela equipe “Bem Bolado”, sucesso no Helipa. Nesse época (começo da década de 2010), as equipes de som eram febre nas quebradas, principalmente nas quermesses, que ainda resistem com “a temporada dos fluxos”.

E foi em uma dessas quermesses que o DJ conheceu Emerson, um empresário que estava começando a tocar sua produtora, uma tal de KL Produtora. “O Emerson estava começando e me disse que tava precisando de um DJ e tal. Eu topei e começamos a trabalhar. Lá foi uma etapa muito legal da minha vida”.

Na KL Produtora, Mano DJ diz que percebeu esse olhar para enxergar bons talentos, trabalhando com nomes como: MC Kevinho, MC Bin Laden, MC 2K, MC Brinquedo, MC Pikachu, Os Cretinos… vish, é muito nome.

https://www.youtube.com/watch?v=Eh9L1QLyT9M

Outro destaque da época, foi a visibilidade global pro seu trabalho. Mano teve contato com diversos produtores estrangeiros de alto cacife, como o americano Skrillex e o português Branko – esse último chegou a dar um rolê no Helipa e levou o DJ para o Boiler Room. Na semana passada (6), o produtor brasileiro abriu as portas do estúdio da KondZilla Records para o Baauer, produtor responsável pelo hit global “Harlem Shake”.

“Os gringos gostam de funk, e nós temos que valorizar nossa cultura também. Já viajei bastante por aí e vejo que a gente aqui no Brasil não dá muito valor pro funk, isso que é f*da”, lamenta.

No currículo ele já acumula mais de uma década na estrada. Mano DJ já viu e participou de muita coisa no sobe e desce que é o funk. Até por isso, faz questão de lembrar a molecada que o sucesso não vem do dia pra noite.

“Tem gente que acredita que é só produzir comigo, ou com o DJ Jorgin, ou com o DJ Perera, que a música vai deixar ele famoso na hora. E não é assim. Lógico que tem uma exceção ou outra, mas tudo que vem fácil, vai fácil”, dica do experiente produtor. “E nunca pensar em desistir, principalmente no funk. Quem tá começando tem que ter foco e lutar até o final, pois uma hora alguém vai reconhecer seu talento”.

Você pode aproveitar e marcar um horário com o produtor na KondZilla Records. É só entrar em contato pelo email: estudiorecords@kondzilla.com.

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