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Funk

Pode apostar: “Remexendo” vai ficar na sua mente

*Todas as fotos por: Léo Caldas // Portal KondZilla

Se você curte um reggaeton, mas não quer deixar as raízes brasileiras de lado, temos uma ótima opção a caminho: “Remexendo”, é nova música de trabalho do MC Gustta junto do Lucas Lucco. O videoclipe será lançado no Canal KondZilla nesta sexta-feira, 1 de julho, às 18h, e conta com a participação ilustre da atleta paralímpica de natação, Camille Rodrigues. O Portal KondZilla colou nas gravações, trocou uma ideia com os envolvidos pra te contar como foi essa fita. Saca só:

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Cria do sertanejo, Lucas Lucco já tem um histórico no funk, digamos assim. O cantor mineiro trabalhou com MC G15, MC Kekel, MC Lan, entre outros MCs. Seus trabalhos não são exclusivos com o mundo do funk, pois ele também tem trampos com Pablo Vittar, Hungria Hip-Hop, Pollo, Xande Aviões, entre outros artistas. Em “Remexendo”, o público pode esperar mais uma novidade.

“Essa música estava prevista pra tá no repertório do meu DVD acústico”, explica Lucco. “Só que eu sempre imaginava essa música como um reggaeton mais produzido, mais encorpada. Foi daí que tive a ideia de misturar ela com o funk do MC Gustta, que tem um trampo totalmente incrível, com produções diferenciadas”.

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Talvez alguns não saibam, mas o MC Gustta, também atua como produtor musical e cantor de mão cheia (essa parte vocês já sabiam), com sucessos que estralam nos fluxos, como “Eita Buh” (29 milhões de visualizações), “Abusadamente” (177 milhões de visualizações) e “Bunda Maluca” (11 milhões de visualizações). Vivendo um bom momento, Gustta se diz feliz em poder trabalhar com o Lucas Lucco num projeto diferenciado e sem perder a sua essência e suas origens, deixando o funk em evidência.

“[Remexendo] é uma música com uma pegada latina, uma produção com características da gringa, mas que ao mesmo tempo, tem o funk ali, mostrando aquela parada brasileira, bem nacional”, explica o cantor animado com as gravações. “Acho que esse é o diferencial desse trabalho”.

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MC Gustta e Camille Rodrigues

Gravado no tradicional restaurante “O Velhão“, em Mairiporã, o videoclipe conta com a direção de Kaique Alves e leva no vídeo aspectos latinos, incluindo a iluminação quente, a arte caliente e o visual puxado pro tropical dos envolvidos. Quem está no clipe e, digamos, quase roubou a cena, é a atleta paralímpica de natação e modelo Camille Rodrigues. Muito feliz em fazer parte do projeto, ela conta que esse trabalho é especial para sua carreira.

“O convite para esse trabalho partiu do Lucas Lucco e eu fiquei muito feliz em poder participar. Sou apaixonada por música e por dança, então posso dizer que estou realizando um sonho com esse trabalho. Além disso, posso também levantar a questão dos deficientes físicos e da representatividade, o que é bastante importante”, diz a atleta, que trouxe a medalha de ouro nos 400m livre, 100m costas e 100m livre, e bronze nos 50m livre nos Jogos Parapan Americanos de Toronto, no Canadá, em 2015.

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Camille Rodrigues, durante as gravações

É interessante observar como um movimento que há pouco tempo era discriminado, recebe hoje atenção e colaboração de diversas pessoas de fora da cena. Mais do que isso, apresenta uma faceta conhecida pelos funkeiros, mas distinta do grande público: no funk existe uma diversidade imensa de talentos e aceitação de todos, independente do gênero, movimento musical ou social. O funk é uma música de todos e para todos .

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Comportamento

Tá frio, mas quero ir pro bailão. E agora​?

Agora parece que o inverno chegou de vez. Apesar do tempo gelado, a galera não quer saber de ficar em casa e sim ir pro baile de copão na mão. Bem agasalhados, é claro. Mas como curtir o rolê e estar bem quentinho e estiloso ao mesmo tempo? Se liga nessas dicas que vou passar aqui pro Portal KondZilla, e no final você me conta se concorda ou não.

O inverno mesmo só chega no dia 21 de junho, mas o frio chegou com tudo nessa semana e é melhor se agasalhar. Vou começar com um exemplo pras minas! Para ter como referência uns looks, vou te indicar da pagina do Instagram da Ludmilla. Já falamos com ela por aqui, e o mais legal é que ela sempre aposta em moletons e jeans, que nunca saem das vitrines e ainda deixa a gente quentinha pra não ter desculpas e deixar de ir pro pancadão. Ficar em casa por causa do frio? Jamais!

Cê liga nesses looks da Ludmilla:

Rec?

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Moletom da minha coleção de roupas ☺️

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Agora vem as boas pra rapaziada. Já ouviu falar que a cor preta é uma das melhores pra usar no inverno?! Pois é. O mais legal é que você pode apostar num tênis de qualquer cor que vai cair bem – por exemplo, o vermelho. Quem aposta nisso é o MC Brisola e MC Kekel, veja:

Esquece ??

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Uma publicação compartilhada por MC Kekel (@mckekelofc) em

Claro que olhando de fora é fácil combinar as peças, principalmente quando se trata do guarda-roupa dos outros. Agora, você deve estar se perguntando: “quanto vou gastar pra montar um look desses ou com essas referências?”. Eu tenho a resposta: é mais fácil do que parece. E mais barato também.

Hoje vivemos um momento em que os brechós estão em alta. Ficou muito mais fácil estar bem vestido e gastar pouco, principalmente se apostar em looks jeans, que é a febre da estação. Segundo Luna Gurunga, proprietária do Brechó Diquebrada é possível montar um conjunto por apenas R$60,00.

É ou não é acessível?

E aí, vai deixar de curtir o final de semana por não saber o que usar?! Essa é a minha dica pra quem curte um rolê aberto e está disposto a enfrentar o vento frio da madrugada paulistana. Segue abaixo links de brechós com ótimas sugestões pra esse inverno.

Brechave // BrechóDiquebrada // Brechó Desencanto

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“Raul”, um livro-reportagem em quadrinhos

Fazer jornalismo não é uma prática fácil. Contar histórias e contextualizá-las da maneira mais fiel possível é tarefa para poucos. De maneira muito precisa, Alexandre de Maio atinge esse objetivo fugindo também dos padrões, fazendo jornalismo por meio dos quadrinhos, mantendo no seu trabalho uma relação bem próxima com as periferias do Brasil. O Portal KondZilla trocou uma ideia com o jornalista e quadrinista, que falou sobre seu mais novo trabalho, o livro “Raul” que conta sobre a história de um jovem que se da mal e acaba na prisão. Se liga:

“Tenho diversos trabalhos ligados [à periferia] e um dos meus objetivos é colocar a estética real, de como é o Brasil. Nos quadrinhos, se vê muito uma estética americana, algo distante da nossa realidade”, explica De Maio sobre seu trabalho. “A estética brasileira não é bem representada, então esse sempre foi um dos meus maiores desafios”.

“Raul” conta a história real de um rapper que, no auge da carreira, foi preso e teve diversas reviravoltas na sua vida por conta desse fato. Após diversas conversas com a fonte, a história se materializou no livro, lançado pela Editora Elefante.

“Esse trabalho surgiu com um personagem que conhecia há tempos, é uma história real de um rapper que foi preso no auge da carreira – ele dava golpe com cartões. Conheci ele em 2006 e sempre mantivemos contato, depois que ele saiu também, viajou o mundo, tentou voltar pro mundo da música, foi parar no crime. Fiquei fascinado pelas voltas dessa história, pela parada do cartão, que o cara rouba o dinheiro do sistema, sem usar nenhuma arma. Enfim, tinham vários elementos na história dele que acreditava que daria um livro. Um dia sentei com ele e fiz uma grande entrevista”.

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E se as viaturas voassem?

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O jornalista explica que mesmo se tratando de uma narrativa diferente, utilizando a linguagem dos quadrinhos, o livro mantém os padrões jornalísticos de apuração e cuidado com as informações publicadas, ainda mais por se tratar de um tema muito delicado.

“Produzir esse trabalho foi como uma reportagem: você tem a apuração, o trabalho de refinar a história, uma responsabilidade com tudo o que está ali, ainda mais num tema desse. Mas, basicamente, esse livro é uma grande entrevista com a fonte. Marcamos um dia, fui tirando algumas dúvidas, montei esse roteiro e depois parti pro desenho”.

A relação de Alexandre com os HQs começou ainda na escola. O jovem não era muito fã dos estudos, digamos assim, e aproveitava boa parte do seu tempo para desenhar nas carteiras escolares. O hobby acabou virando profissão, que se misturou com o jornalismo.

“Desenho desde pequeno e sempre gostei de histórias em quadrinhos”, explica Alexandre. “Com 19 anos, fiz uma históra sobre uma parada que aconteceu na minha rua e sobre uma letra do Racionais MCs. Foi quando comecei a correr atrás disso e encontrei uma revista que se interessou por esse trampo, que já era um jornalismo em quadrinhos”.

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Morro do alemão #riodejaneiro

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Foi então que, em 1999, o jornalista viu uma grande oportunidade.”Tinha na cabeça a ideia de fazer quadrinhos e colocar reportagens no final. Em 1999 encontrei uma editora disposta a abraçar essa ideia e lancei a “Rap Brasil“. Eu era responsável por várias etapas da revista, numa época que não tinha internet, você tinha que trombar o cara no show, pegar o contato, ir na casa dele, fazer a entrevista, tirar foto… Era algo trabalhoso, mas foi muito importante pra mim, conheci diversos lugares do país e fiquei imerso nessa cena do rap”.

Vivendo a época de ouro do rap nacional, ele percebeu a carência de boa cobertura sobre o tema e decidiu criar uma revista especializada. Nascia então a revista que foi publicada durante 10 anos e fez o registro de uma época lembrada com saudosismo até os dias de hoje.

Alexandre destaca que a cultura hip-hop tinha uma relação difícil com os veículos tradicionais, e por isso tomou uma tática que ajudou bastante seu trabalho. “O rap tinha um choque com a grande mídia, pois o trabalho e as dos caras saíam deturpadas. Eu era diferente, tinha uma tática de escrever as conversas na íntegra. Isso também ajudou bastante na relação de confiança”.

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Primeiras páginas do Raul. @editoraelefante

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Além da revista “Rap Brasil”, o jornalista e quadrinista também colaborou na “Revista Raça“, e em outros livros, como: “Os Inimigos Não Mandam Flores” (2006) e “Desterro” (2013), ambos em parceria com o escritor Ferréz. Seu trabalho de jornalismo em quadrinhos foi publicado em vários veículos como o jornal Folha de SP, o portal UOL, a agência Pública, a revista Fórum, entre outros. Em 2013, ele ganhou o prêmio Tim Lopes de Jornalismo Investigativo, um dos mais importantes do país.

Mas quem vive com arte sabe que trabalho de pagar conta é uma coisa e realização pessoal é outra. Aproveitando que era CLT no trabalho atual, como coordenador da área de audiovisual do Catraca Livre, tirou férias e caiu de cabeça no projeto “Raul”. Em março deste ano, nasceu seu primeiro livro solo.

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Recomeço. @kel_bill 📷

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Adquira o seu exemplar do livro no site da Editora Elefante.

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Histórias que inspiram

O verdadeiro registro das festas de periferias

*Todas as fotos por: Jeferson Delgado // Portal KondZilla

Quem nunca foi num rolê foda e no dia seguinte contou a experiência que viveu?! Se isso te pareceu uma boa ideia, o Johnatan Vieira Santos, 23, mais conhecido como Hiiits, decidiu tomar a frente e contar suas histórias de rolês através de vídeos postados em seu canal no YouTube. Se ir no rolê é legal, ir pro fluxo e registrar tudo o que rolava foi o diferencial, afinal, essa festa de rua ainda tem pouco acesso de um público geral. O Portal KondZilla te explica agora a história desse jovem empreendedor.

Para chegar no conteúdo certeiro do canal, Hiiits comprou uma câmera portátil – também conhecida como câmera de ação – e decidiu mostrar seu dia a dia, ou melhor, o resumo das suas noites em bailes funk. O primeiro vídeo na temática “Vlog em Fluxo” foi no baile da DZ7. O resultado? 124 mil visualizações, um recorde no ano de 2016 para o canal dele. “Eu vi que o número de visualizações estava aumentando bastante, porém continuei gravando da mesma forma”, conta, de forma saudosa. “Pensei: ‘agora vou em outro baile’. No caso foi o Helipa, que eu sempre colava desde que cheguei em São Paulo”.

“Uma vez voltei na DZ7 e um mano já me reconheceu, ‘você não é aquele mano que faz uns vídeos?’, falei ‘carai, mas já?!’. Não tinha nem um mês que postei o video”. Ele continua: “cada vez que eu voltava nos bailes, o pessoal me reconhecia, pedia pra tirar foto. Com isso vi que o negócio tava andando, nem era um bagui que eu imaginava e já tinha um monte de gente me parando na rua. Que bagui de louco”. Parece que ele tinha encontrado o formato pro seu canal.

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O rapaz é natural de Araguari, que fica em Minas Gerais. A história do Jonathan com o funk começou lá 2010, quando foi morar em Santos com sua mãe e sua irmã. O cara era vizinho de nada mais nada menos que alguns relíquias da Baixada: Duda do Marapé e também a dupla Renatinho e Alemão. Tipo, mesmo que ele não quisesse, o funk entrou na vida dele. Era inevitável o dia que ele iria pro baile funk. Foi nessa época que ele decidiu criar um canal de música para divulgar as músicas de funk da época.

A primeira vez no baile chegou a ser surpresa e ele caiu de cabeça com os amigos. “Foi engraçado [ir no baile funk] porque eu não usava as mesmas roupas que todo mundo”, conta, aos risos. “Mas não me senti acanhado, parece que naquela época a roupa não era tão importante como hoje”.

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Depois que aprendeu a gostar do funk, a família resolveu mudar de cidade de novo, o que não foi bem aceito de cara, mas quando ainda se é adolescente nem sempre dá pra dar o rumo que queremos na nossa vida. “Eu já pensei em estudar Análises de Sistema, mano. Porém, o mais próximo que eu cheguei foi fazer um curso de manutenção de celular”.

Ainda no estado de São Paulo, se mudou para a capital, próximo ao bairro da Água Funda. Na época, Hiiits era fotógrafo dos eventos do site hitspower.com e muitos amigos já o chamava de Hits Power. Mas sabe como é apelido colocado: ele não curtia muito, mas os amigos não paravam de chamá-lo assim, até que decidiu aderir o apelido apenas de Hits, deixando o Power de lado. Daí, pra dar um toque de originalidade na parada, ele acrescentou mais duas letras I no apelido e estava criado o Hiiits.

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Quem viveu o boom do funk na internet em 2012 sabe como era uma terra sem lei, e na sede por ter alguma popularidade diversos canais surgiram promovendo o movimento que surgia na capital e Baixada. Muitos deles, como Natinho e THqzl, eram referências pro funk, mas em pouco tempo os artistas começaram a perceber a relação de monetizar os vídeos e aí… bom, aí era strike a rodo.

“A fase mais difícil foi quando o canal era para divulgação de música e tinham os strikes. Eu já tava quase perdendo o canal, já não queria fazer outro por que já tava com uns 10 mil inscritos, pra mim já era grande naquela época, ganhava um dinheiro com a monetização. Daí pensei: agora o bagui tá dando um ruim, fudeu!”.

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QUARTAS INTENÇÕES 😈☻

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Sabendo que tinha uma galera fazendo uns vídeos em bailes, Hiiits tentou arriscar também. E a aposta deu mais que certo. Atualmente, a escolha e preparação para colar nos bailes é feita por meio das redes sociais. Ele procura se informar para ver se o baile não vai moiar através de eventos e grupos. Os inscritos do canal recomendam alguns fluxo para Hiiits colar e gravar. “Já chegou momento de ir e não ter baile, e eu ficar na rua longe de casa até o ônibus voltar a rodar”. Com o canal crescendo, os convites de baile cresceram também, a maioria é frequentador que convida pra colar.

Mas, né, a vida não é um mar de rosas. Ainda mais pra quem foi aprendendo com tapa na cara. Hiiits já perdeu algumas coisas por conta do canal, muitos inscritos pediam para ele gravar e mostrar um pouco da sua rotina de trabalho como atendente, só que isso não foi a melhor coisa que ele fez. “Tava mostrando pro pessoal minha rotina de trabalho, porque geral perguntava o que eu fazia, etc. No dia que eu tava gravando, fui atender uma mulher com a câmera na mão, gravei o rosto dela. Assim…. foram poucos segundos, uns 10 segundos no máximo até menos, só que a mulher se reconheceu no vídeo e ligou na empresa falando que apareceu em um vídeo no youtube na loja. Dois meses depois tô lá trampando tranquilão e recebo a cartinha me mandando embora por justa causa, por que eu tinha feito uma gravação da empresa e tudo mais, mó b.o”.

Johnatan segue em busca de um trabalho novo há cerca de 3 meses. Dividindo tempo entre editar um vídeo e enviar currículo online, ele diz que não pretende viver somente da receita do canal. Através desse trabalho, ele pretende ter um futuro nesse mundo do funk e das festas, talvez como DJ ou algo relacionado. “Se a gente for viver do Youtube a gente tá lascado, um dia que não envia os vídeos e a monetização é baixa, tem também os problemas com os palavrões que eles pedem pra tirar. Se eu to num lugar que toca muito funk de fundo, muitas vezes não dá pra colocar muita coisa no vídeo e prejudica bastante”, explica.

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Hiiits conta que acabou se tornando inspiração para outros canais que estão com o mesmo tipo de conteúdo. O que era apenas uma brincadeira, acabou virando trabalho, além de poder retratar nas vídeos o estilo de vida de jovem de favela. “Minha intenção é ir no máximo de bailes possível, e os mais diferentes possíveis. Com o canal estou tendo essa oportunidade”.

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Funk

Miaw estreia nas pistas com “Terror do Baile”

*Todas as fotos por: Léo Caldas // Portal KondZilla

Já mostramos aqui no Portal KondZilla que as mulheres estão mais que envolvidas no mundo dos videoclipes do que você imagina, inclusive, elas são maioria na audiência do Canal KondZilla. Reforçando essa realidade, será lançado nesta quinta-feira (24) o videoclipe de estréia da carreira da cantora Miaw, “Terror do Baile”. Vamos te apresentar a artista e contar um pouco mais de como o empoderamento feminino está em pauta.

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“Terror do Baile” é o primeiro trampo da artista. Bem, tecnicamente esse é o seu segundo trabalho. Miaw explica essa história melhor. “Decidi mergulhar de cabeça na música há dois anos, e desde então venho tentando tornar meu sonho uma realidade. Em 2016, lancei minha primeira música, mas era algo “verde”. Meu trabalho atual é uma realização, algo mais maduro. Posso dizer que é minha estreia”.

E como a ideia da cantora é chegar chegando, abalando tudo, aproveitou e fez o seu primeiro trabalho a sério com o duo de produtores Tropkillaz, composto por Zé Gonzales, o Zegon e Laudz, um dos mais renomados no cenário da música eletrônica atual. Os caras já fizeram alguns trabalhos com a KondZilla, como “Make the Crowd“, “Toca na Pista“, em parceria com Heavy Baile e MC Carol, além de “Tombei“, com Karol Conka. “Eu conheço o Zegon há uns três anos, e é uma honra trabalhar com ele. Admiro bastante o trabalho, e ter uma música produzida por ele é algo muito foda”.

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Gaúcha, Miaw explica que sua origem na música foi graças ao seu histórico com o esporte. Surfista e skatista, ela convivia com uma galera engajada também na cultura alternativa. Foi nesse universo que ela conheceu e se apaixonou pelo rap. Hoje, almejando viver de música, ela diz que não consegue se definir em apenas um estilo.

“Minha relação com a música é desde pequena, eu sempre escrevia poesias e música, mas algo infantil mesmo. Cresci no meio da música, do rap”, explica em entrevista. “Hoje, não conseguiria me definir muito bem – como uma rapper, por exemplo. Minha música é mais próxima do trap e do pop”.

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Ainda, segundo a cantora, toda essa vivência nas ruas também foi importante para seu crescimento como mulher e também para ter a noção exata da importância de ser empoderada. Miaw conta que quer usar a sua arte como uma plataforma de discurso, não apenas como entretenimento.

“Através da minha música, quero transmitir o poder da mulher. Claro que espero que os homens gostem também [risos]. A mensagem da música pode parecer um soco, mas quero que as mulheres consigam se ver representadas. Estar no Canal KondZilla é uma honra e uma conquista também, pois ele é um retrato da música aqui no Brasil, onde as mulheres vêm buscando e conquistando seu espaço”.

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Madura e buscando passar sua visão, Miaw tá na pista e promete bastante. Então já fica ligado no Canal KondZilla, que às 19h desta quinta-feira, 24 de maio, a cantora se apresenta pro mundo com “Terror do Baile”.

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MC Kekel é só paz e amor

*Todas as fotos por: Felipe Max // Portal KondZilla

Há tempos, se você quisesse falar de amor, você falava com o Marcinho. Hoje, o cantor que aquece o coração dos apaixonados é o MC Kekel. Autor de outros hits melosos como “Amor de Verdade“, em parceria com a MC Rita, “Mandella É Meu Nome“, “Partiu“, “Namorar Pra Quê?“, todos com pelo menos uma centena de milhões de visualizações, o cantor de Guianases lançou no último sábado, 19 de maio, a música “Deixa Rolar“, que já passa da marca de 4 milhões de visualizações no Canal KondZilla. O Portal KondZilla vai te apresentar os bastidores dessa gravação. Se liga:

Poucos artistas estão em tanta evidência como o cantor MC Kekel. Em “Amor de Verdade”, ele deixou muito gente chorando escutando a música e pensando na pessoa amada. O cantor, inclusive, já disse em entrevista ao Portal KondZilla que se identifica e gosta de cantar sobre o amor. “As minhas letras são tipo um desabafo, são histórias de vida que passei de verdade. Tenho um pouco do Claudinho e Buchecha, sou fã deles e gosto de falar de amor e tal”.

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Gravado na Baixada Santista, o trabalho teve a direção de Lucas Romor, que aliás também foi responsável por “Amor de Verdade“. Conversamos com o diretor sobre as gravações e ele nos revelou como surgiu a ideia.

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“O videoclipe foi gravado no Aquário Municipal de Santos e num outro bar da cidade”, explica o diretor. “O começo da música tem esse clima tropical e a minha criação começa sempre de uma cena: imagino uma cena ou cenário e, a partir daí, desenrolo o resto. Uma das referências é aquele filme ‘Como Se Fosse a Primeira Vez‘, com o Adam Sandler, onde ele trabalha num aquário e tenta conquistar uma garota”.

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Trabalhar com o Kekel é muito bom, ele é um figurão, gente boa demais, sempre está disposto a ajudar, faz tudo o que é preciso pro trabalho sair legal”, conclui o diretor.

Com quase 5 milhões de visualizações, “Deixa Rolar” é o décimo terceiro trampo do MC Kekel com a KondZilla. Ainda não viu? Acesse o Canal KondZilla e assista!

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Funk

Explicando em detalhes: o que é Sample

Esses dias estava ouvindo “Oh Nanana“, do Bonde R300, e pensei: “acho que já ouvi esse beat antes”. Sim, e eu já tinha ouvido mesmo. Se você já teve essa mesma impressão com outras músicas, não foi atoa. Existe uma cultura de utilizar trecho (ou sample – que traduzido do inglês quer dizer “amostra”) de outras músicas se chama “samplear” (dei uma abrasileirada, porque não existe o verbo sample no português). Este formato de produção está presente no mundo da música há bons anos. Pra você entender disso tudo, o Portal KondZilla te explica a importância e a história dos samples ao longo do tempo.

Sampler Music Studio Music Drums Synthesizer ToolsFoto: Reprodução // Wikimedia

Direto e reto: sample nada mais é do que a amostra de sons, sendo eles trechos (ou partes inteiras) de músicas já existentes, instrumentos de forma isolada ou até sons do “dia a dia”, como o trem passando nos trilhos, uma buzina ou a chuva no telhado. Essa ideia surgiu na década de 40, quando uma galera decidiu fazer músicas através de pequenas amostras de sons já gravados – o que, inicialmente, era chamado de “Musique Concrète“. A parada era considerada meio psicodélica à época, mas alguns artistas ousados decidiram experimentar essa forma de produzir música, caso dos Beatles no álbum “Revolution 9”.

Com o surgimento da cultura hip-hop no final dos anos 70 e começo dos 80, os recortes musicais começavam a ganhar mais espaço entre os produtores. A história conta que os DJs alteravam as músicas que tocavam nos bailes, isso tudo na era do análogico e em apresentações ao vivo. Um dos primeiros trampos é atribuído aos produtores Grandmaster Flash & The Furious Five, na música “Freedom“, que utilizou trechos da música “Get Up and Dance“, do grupo Freedom. Se você ouvir as duas músicas, vai conseguir identificar essa semelhança.

Pronto, estava criada a cultura. Nos anos 80 e 90, o hip-hop e arte desse recorte se misturaram tanto que pareciam uma coisa só. Os produtores de rap se caracterizaram por utilizar trechos de outras músicas para formar seus beats. Essa cultura é tão forte, que existe um site que mostra os samples utilizados nas músicas mundo a fora – curiosamente, o site leva o nome de WhoSampled?. Até porque, uma das grandes “mágicas” dessa arte é se utilizar de trechos de músicas ou artistas que não explodiram no mainstream, principalmente de artistas americanos da velha guarda do funk ou jazz (e deixar outros produtores curiosos sobre a origem daquele som, afinal, quem gosta de entregar os segredos musicais?!).

https://www.youtube.com/watch?v=jJi1nbO3rIo

No entanto, nem tudo são flores nesse campo. Com o boom na arte de samplear, surgiu um embate jurídico sobre a questão de plágio. Querendo ou não, boa parte dessas colagens são feitas de músicas de outros artistas, sendo que muitos deles não são avisados que suas músicas serão utilizadas por terceiros. Mesmo a produção de sons naturais ou industriais eram feitos de forma “profissional”, como exemplo, pessoas eram pagas para assobiarem ou baterem palmas, enquanto alguém gravava esse som para utilizar em músicas.

A jurisprudência brasileira e o entendimento jurídico no resto do mundo ainda é muito contraditório sobre o tema, sendo que a única certeza sobre o fato é você trocar uma ideia com o autor do som que você quer utilizar, antes de sair fazendo sample por aí.

Agora voltando a falar de história, essa parada de pegar trecho de música alheia deu bem certo no Brasil. Nos anos 90, com o rap em alta por aqui, vimos o Racionais MCs cansar de usar trechos de músicas de Tim Maia e Jorge Ben nos seus clássicos, como acontece em “Homem na Estrada“, que usou “Ela Partiu” do Tim Maia, e “Fim de Semana do Parque“, que pegou um trecho de “Domingas“, do Jorge Ben. Interessante pontuar também que os americanos já estavam de olho na música tupiniquim, exemplo de “Cinco Minutos“, também do Jorge Ben Jor, que foi sampleada pelo Black Eyed Peas, em “Positivity“.

https://www.youtube.com/watch?v=94BEeCU9rwg

Como já mostramos na explicação sobre as cyphers, rap e funk, mesmo sendo músicas oriundas da periferia, se estranhavam até pouco tempo atrás. Hoje em dia, com um intercâmbio musical e cultural maior, a troca de ideias aumentou e um passou a incorporar linguagens do outro. Com os samples não foi diferente.

Ah, mas tudo que usa a base de outra música é sample?! Não é bem assim. Um bom exemplo é “Só Quer Vrau“, do MC MM com o DJ RD. Essa música não utiliza um sample, e sim faz uma paródia com “Bella Ciao” que ficou famosa graças a série “La Casa de Papel“. Na paródia, ao invés de um trecho da música original, se utiliza do ritmo e da melodia de forma caricata.

Do início do tamborzão, até meados de 2015, o funk se caracterizou por usar pequenos recortes de instrumentos isolados, e não de pedaços inteiros de outras músicas – como é comum no rap. No entanto, isso mudou de uns dois anos pra cá. O funk paulistano, principalmente, passou a utilizar-se dos recortes de músicas estouradas e que nos fazem ter aquela sensação de “já ouvi isso antes”. É como no caso de “Oh Nanana“, do Bonde R300, que usou “Watch Out“, do rapper 2 Chianz, ou “Atura ou Surta 2“, que usa parte de “Mi Gente“, hit global de J Balvin. Agora você já sabe que se você tá ouvindo uma música e pensa “já ouvi isso antes”, não se trata de nenhum dom sobrenatural, talvez seja apenas um sample.

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Mais próximo do eletrônico, surge o movimento funk-rave

Desde às origens, o funk tem influência de vertentes da música eletrônica global, como o miami bass, o electro de Chicago e o latin freestyle. Os DJs brasileiros beberam dessas fontes para criar sua própria batida, com um suingue tipicamente brasileiro — como os toques inconfundíveis de percussão afro do Tamborzão. O que acontece agora, quase 20 anos depois da criação da batida brasileira, é que o momento da música eletrônica de periferia é outro. Pra entender mais dessa tendências, bora ver alguns exemplos dessa aproximação na matéria do Portal KondZilla.

Vivemos o tempo das enormes festas de EDM (sigla em inglês para Música Eletrônica Dançante [Eletronic Dance Music]). Alavancado por estrelas como David Guetta, Calvin Harris, Tiësto, Avicii e o brasileiro Alok, esse tipo de sonoridade vem tornando-se referência de muitos produtores e cantores de todo o Brasil, em diferentes movimentos da nossa música periférica. Além disso, uma nova geração de produtores cariocas inovaram novamente trazendo a batida em 150BPM, quebrando com o formato de produção do funk carioca e também reinventando a batida carioca, que era em 130 BPM.

Ainda no Rio, aristas como a DJ e produtora Iasmim Turbininha, inspiraram o público e os produtores na aproximação de festas raves. Na música “Turbininha vs Baile do Jaca”, que ela incluiu no “podcast 009 — Todos os Ritmos”, temos um bom exemplo dessa proximidade de gêneros até então, distintos. Outro envolvido nessa história é o DJ Rogerinho 22, que por sua vez, remixou a música “Chuva”, hit psytrance do DJ Chapeleiro, acrescentando o sabor do famoso sample “Baile do Jaca”. E também o próprio Polyvox colou no estilo, variando as suas atabacadas com batidas, pontos e efeitos da eletrônica no “Polycast na Velocidade da Luz”.

“A ideia de misturar funk e eletrônica surgiu na rave. Achei os pontos e os timbres fodas demais e a velocidade me chamou atenção. Aí gostei tanto que procurei misturar em minhas músicas”, explica Polyvox.

Distante do calor carioca, no Sul do Brasil um novo movimento também vem bebendo das batidas da música eletrônica: o mega funk. Muito popular no Paraná e, principalmente, em Santa Catarina, o estilo é uma de evolução do antigo “Eletro funk” cheio de sintetizadores que ficou famoso no começo dos anos 2010 com o Edy Lemond e a MC Mayara.

Pra você sacar a diferença desses movimentos do Sul, separamos o conteúdo do DJ e produtor curitibano Matheus PR, que lança mixes mensais desse estilo em seu canal no YouTube. “O mega funk é bem parecido com o eletro funk, porém existe uma pequena diferença entre os dois: o mega funk é normalmente mixado somente a partir do refrão com vários estilos de bases house, eletrônica. Já o eletro funk é mixado desde o começo, como fazia o DJ Rodrigo Campos. O mega funk está vivendo um momento no Paraná e é comum encontrar carros de som reproduzindo essas músicas. Enquanto o (baile) funk que conhecemos do Rio e São Paulo não é tão comum assim, o som até empolga a galera nas festas, porém se soltar mixado no mega funk, anima bem mais”, completa o DJ.

DJ Rodrigo Campos – Foto: Divulgação // DJ Rodrigo Campos

Apesar de curtirem raves, nem Matheus PR, nem Polyvox sabem citar artistas ou músicas específicas que eles admiram e tomaram como referência de música eletrônica. Eles não escutam esse tipo de som de forma organizada. Matheus PR tira as bases de músicas para suas montagens de playlists, enquanto Polyvox pega tudo de uma pasta antiga de MP3s que achou na internet. Esse cenário muda quando vamos a Pernambuco, no nordeste do país, e conhecemos o produtor pernambucano DJ DG.

Talvez você conheça o trabalho do rapaz, ele ficou famoso ao produzir e ter MC Loma gritando seu nome em alto e bom som no hit “Envolvimento” (“E aí DG, escama só de peixe!”), mas não se engane achando que ele é um aventureiro, sua caminhada é longa.

Desde 2009 ele produz música eletrônica (psy, progressive house, hard electro e outras vertentes) sob o nome de Henrique G. Depois passou a fazer bases para bandas de arrochadeira e, há 9 meses, cria músicas para os MCs pernambucanos da cena bregafunk. Dois de seus maiores sucessos trazem a marca dos seus tempos de rave: “Enlouqueço”, do MC Tocha, e “Pode Balançar”, do MC Troia, que incluem a eletrônica na mistura de ritmos do bregafunk.

Como a internet trouxe uma fluidez de informação e novidades musicais sem precedentes, era de se esperar que uma galera que acompanha o movimento em regiões diferentes, entrassem nessa novidade também. O MC Tocha, de Recife-PE, pensou em fazer um brega-rave com toques de pagodão e propôs o desafio a DG. O cantor diz que sua principal referência para fazer “Enlouqueço” foi a banda ÀTTØØXXÁ, que estourou no carnaval com a música “Popa da Bunda” e também vem promovendo a união entre beats eletrônicos e a percussão do pagodão baiano (conhecido como Bahia Bass). “Nunca fui numa rave porque eu só escuto a batida. Sinto falta da voz, por isso tô tentando fazer essa mistura”, diz o cantor Tocha, que acaba de gravar com o grupo baiano para expandir a onda eletrônica.


A banda ÀTTØØXXÁ em ação – Foto: Reprodução // Facebook

É difícil dizer se a EDM colou de vez ou se é uma influência do momento. Fato é que, pelo menos por enquanto, os bailes estão mudados e a fritação rolando solta. Em São Paulo, o paredão Megatron é o principal expoentes dessa vertente, tanto que inspirou músicas de MCs como o Kitinho e o 7 Belo. Esse último já deu o recado: o fluxo não é mais baile, agora é rave. Uma rave que só existe nas periferias brasileiras.

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Os paredões de som invadiram São Paulo

O som é um requisito fundamental para uma boa festa. Nos últimos tempos, os fluxos paulistanos estão apresentando uma novidade que são os paredões de som. O que antes era uma reunião com diversos carros com um som bem potente, podemos dizer que hoje a parada esta mais organizada. Mas essas fita de paredão de som não nasceu bem nos bailes a céu aberto de São Paulo, e se você ficou curioso pra entender essa história, o Portal KondZilla trocou uma ideia com uma rapaziada que propagou essa cultura em SP pra entender funciona essa parada, saca só.

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Mega oque ? Megatron 🤖💣

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Claro que é muito difícil precisar quando se deu o gatilho, mas pesquisadores apontam que lá no final da década passada, em meados de 2008, os paredões de som começaram a se popularizar primeiro no Nordeste. Relacionados ao ritmo nordestino pagodão, eles começaram a invadir diversas orlas ao longo de todos os Estados da região, embalando a noite da galera ao ar livre, em bares e quiosques, com muito ritmo.


Foto por: Ryck Rodrigues // Portal KondZilla

Em São Paulo, essa cultura dos carros de som veio se popularizar há poucos anos, se encaixando nos bailes de rua, principalmente. Se antes, os carros com sons automotivos potentes eram responsáveis por deixar os fluxos estalando até altas horas, os famosos “paredões” chegaram para mudar um pouco esse panorama.

“Os paredões existem há anos, mas essa cultura chegou em São Paulo mais recentemente”, explica Helber Dias, um dos responsáveis pelo paredão Megatron, um dos mais famosos de São Paulo. “Estamos nesse ramo [de som automotivo] há mais de 15 anos, quando meu pai montou uma bazuca [caixas de som potentes, feitas para carros] em um Gol, ele quem começou essa paixão, daí eu e meus irmão seguimos. Hoje temos o [paredão] Megatron. Começamos num Gol e agora temos um caminhão”.


Foto: Divulgação // Club 3

Os paredões dão um aspecto melhor de “festa” aos bailes de rua. Além das suas luzes neon chamativas, que dão inveja em muita iluminação de casa noturna, a novidade sonora também “democratizou” as músicas tocadas nesses eventos a céu aberto, fazendo com que a música tocada esteja concentrada em um único lugar, ao invés daquela bagunça sonora com vários carros tocando sons diferentes.

Todo esse sucesso nas ruas também foi levado para dentro das casas noturnas da grande São Paulo. Em muitas apresentações (não apenas de MCs ou artistas de funk), os paredões de som estão presentes, levando uma diversidade sonora para quem quer se divertir. A parada deu tão certo, que algumas casas fazem noites onde a atração principal é o paredão de som. Até porque, os custos são bem menores e a diversão não deixa a desejar pro público.


Foto por: Ryck Rodrigues // Portal KondZilla

“Nos bailes fechados, se tem uma segurança maior, a organização também é um diferencial”, explica Cleyton José dos Santos, responsável pela loja Sound Pancadão, que atua principalmente na região do Grande ABC e, além de ter seus próprios paredões, também conserta e produz paredões. “Nos fluxos, não temos isso, mas a remuneração é maior, até por conta dos riscos que corremos, como chuva, algum dano ao aparelho, um pneu da carretinha furado, etc”.

Cleyton explica ao que nos eventos a céu aberto há sempre o respeito com os moradores e a lei anti-ruído é respeitada. “Tem gente que pensa que essa lei [contra o ruído sonoro] nasceu ontem, mas não. Sempre procuramos respeitá-la e, além disso, se estamos num baile e morador vem reclamar, fechamos nossa aparelhagem e vamos embora”. Cada cidade tem sua própria lei específica pra evitar barulho a qualquer hora. Na cidade de São Paulo, essa lei é conhecida como “Lei do PSIU”, que determina o quanto de barulho você pode fazer em determinado horário.


Na foto, Cleyton da Sound Pancadão – Foto por: Ryck Rodrigues // Portal KondZilla

Para se ter uma ideia, o dinheiro investido nesse tipo de equipamento gira em torno de R$60 mil, entre a chamada carretinha (que dá suporte ao paredão), a parte elétrica do equipamento e as próprias caixas de som. Se tratando de um equipamento pesado, o veículo que carrega a carretinha não pode ser qualquer um – daí já vem mais um dinheiro pra investir. Mas tudo isso tem um retorno com as apresentações e shows.

Além da internet, plataforma de divulgação de qualquer empresa que se preze nos dias de hoje, os paredões de som se divulgam também nas músicas com os famosos carimbos. Recentemente, o MC Hollywood e o MC MM soltaram músicas “mencionando” o Megatron, um dos paredões mais conhecidos de São Paulo.

“Estamos no circuito do funk há anos, mas não tínhamos reconhecimento”, diz Helber. “Há um tempo atrás, fizemos um evento na Nitropoint e a repercussão foi enorme. Isso chamou a atenção do pessoal, rolou menção em algumas músicas. Também teve a questão dos robôs em fluxos de São Paulo, daí pegou de vez”.

“Uma das nossas formas de divulgação são as vinhetas [quando o MC cita um DJ ou uma equipe de som/paredão na introdução de uma música]”, conta Cleyton. “Isso ajuda bastante quando tocamos no fluxo, pois a galera passa a reconhecer o trabalho e a equipe. Além dos videoclipes que também somos chamados pra fazer parte e também aparecemos com destaque”.

Foto por: Ryck Rodrigues // Portal KondZilla

Diferente do Rio de Janeiro, onde as equipes de som – como falamos na cobertura do Rio Parada Funk 2017 – são um dos pilares da cultura baile funk, em São Paulo os paredões são derivados de lojas de som automotivo, que produzem esses paredões de som para diversos tipos de evento, como bailes de debutantes, festas em casas fechadas e fluxos. Em terras paulistanas, as equipes de som estão mais ligados a eventos e só agora caíram no gosto dos funkeiros.

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Bastidores Funk

Quiz “Só Quer Vrau” com MC MM e DJ RD

O Portal KondZilla chamou o MC MM e o DJ RD, autores do funk que já passou das 35 milhões de visualizações no YouTube, para responderem um quiz sobre a série do momento. “Só Quer Vrau” é uma daquelas músicas que fica na sua cabeça por dias e, pra quem não sabe, ela foi inspirada na canção italiana “Bella Ciao”, que ficou famosa graças a série “La Casa de Papel”. Confira o resultado dessa quiz no vídeo.