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Veja como eram feitos os hits do passado com o Dennis DJ

*Foto: Divulgação // Facebook

A internet facilitou os formatos de produção de conteúdo, inclusive da música. Mas você já se perguntou como eram feito os hits do passado? Caso não tenha em mente como eram os processo, o produtor carioca Dennis DJ te dá um tutorial rápido da treta que era. Um dos principais nomes do baile funk (da atualidade e dos anos 00), Dennis mostrou seu mixer GEMINI 7024 e explicou como era a produção das músicas antes da popularização de softwares como Acid Pro e Sony Vegas. Confira no vídeo abaixo mais dessa história:

Hoje não é quinta-feira, mas vamos de tbt? Nos meus 10 anos de idade, liguei a tv num programa local aqui do Rio e assisti o @djgrandmasterraphael fazer exatamente isso que estou fazendo no vídeo. Foi nesse momento que decidi ser Dj.

Posted by Dennis DJ on Monday, June 11, 2018

Já batemos um papo com o DJ e produtor carioca, que foi o responsável por diversos sucessos do funk entre os anos 90 e 2000, entre eles: “Cerol na Mão”, “Um Tapinha Não Dói”, “Dança da Motinha”, “Jonathan da Nova Geração”, “Vai Lacraia”, “Já é Sensação“. O trabalho de produção era quase artesanal, um recorte e cole de sons num mixer. O acesso a equipamentos de produção, como uma MPC eram escassos e a galera se virava como dava.

O produtor se inspirou em outra relíquia viva do funk carioca. Ele explicou que foi aos 10 anos de idade, ao ver o DJ GrandMaster Raphael na TV fazendo uma produção ao vivo, que decidiu virar DJ. Raphael já apareceu no Portal KondZilla também, contando que o cariocas utilizavam os mixers NUMARK-PPD e GEMINI para produzirem as montagens ao vivo, febre nos bailes cariocas de antigamente.

Se antes, Dennis era um dos caras mais bem sucedidos no backstage do baile funk, hoje em dia ele assumiu uma posição no front, sendo responsável pelo “Baile do Dennis“, evento que roda o Brasil e leva diversos artistas do funk para tudo quanto é lugar. Em entrevista anterior ao Portal KondZilla, Dennis explicou um pouco da sua trajetória de mais de 20 anos rumo ao sucesso no funk.

“Eu posso falar pra você da minha história, eu tenho 20 anos no funk. Nos bastidores do funk, sempre produzindo os artistas, como compositor, produtor musical, no backstage da coisa. Eu sou conhecido no meu estado, porque eu sempre tive programa de rádio nesses 20 anos. Eu já rodei muito, eu já fiz muito evento, muito show, aquela coisa toda, por conta da Furacão 2000 tive essa visibilidade que a gente tinha com um programa de TV local, no Rio, na Band. Eu sou muito conhecido lá, e de uns 10 anos pra cá, eu decidi a tomar a frente como artista mesmo. Desses 10 anos pra cá. Então, se você analisar: depois de 10 anos trabalhando, fazendo, compondo, produzindo música no backstage, depois de mais 7 anos tentando como um artista, só de 3 anos pra cá, dentre esses 20 anos, que eu consegui chegar no meu objetivo. Então assim, tem como você desistir rápido e fácil? Não tem, pô! Entendeu?”

#TBT de hoje, é o passo a posso da produção que fiz na música Cerol na mão do @bondedotigrao #dennisdj #mpc5000 #akai @akai_pro 👊🏼

Posted by Dennis DJ on Thursday, June 28, 2018

Num segundo vídeo, Dennis mostra como foi a produção da música “Cerol na Mão“, do grupo carioca Bonde do Tigrão. Sim, aquela mesma que você dançou como se não houvesse amanhã em todas as festas que você foi quando era criança. Inclusive, falamos sobre o sample dessa música nessa lista aqui.

As produções musicas no funk de hoje tem suas diferenças com o passado, como a adição de instrumentos musicais “reais” e melodias criadas. Porém, nada se começa do zero, e os vídeos do Dennis DJ servem também para documentar a rica história dessa cultura que começou lá no Rio de Janeiro.

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Funk

Já imaginou um rolê em “Modo Avião”?!

*Todas as fotos por Léo Caldas // Portal KondZilla

Você se imagina passar um dia sem celular? Difícil né, parece até castigo. Mas também não dá pra ficar refém do aparelho, a tecnologia veio pra somar e não pra mudar nossa visão de mundo. É nessa pegada que o MC Jottapê lançou nesta quinta-feira (26) o mais novo videoclipe no Canal KondZilla, “Modo Avião” falando sobre essa relação com o celular. Agora o Portal KondZilla te conta um pouco mais sobre esse fita que vale até viagem paga. Olha só.

Como já mostramos aqui no Portal KondZilla, o MC Jottapê é uma das revelações da música nacional. Recentemente, o cantor lançou uma parceria com o MC Dede, “Chamando no Grau“, o que ele descreveu como a “realização de um sonho”. Além desse trabalho, o cantor tem no currículo: “Ladrão da Noite“, “Ela É Maravilhosa” e “Perfeitamente“, que somadas têm milhões de visualizações no YouTube.

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“No momento, estou mais focado no funk, não deixei de ser ator, continuo fazendo testes nesse ramo. Sempre me perguntam se eu prefiro atuar ou cantar, e sinceramente eu não consigo escolher. São as duas coisas que eu mais gosto de fazer!”, explica Jottapê. “Essa coisa de virar MC foi muito inovadora pra mim, pois também era um dos meus sonhos cantar funk e me surpreendi como esse novo caminho também, deu certo. Muitos projetos ainda estão por vir, musicas novas, clipes novos, ritmos inovadores e muito mais. Espero que esse lado musical da minha carreira evolua cada vez mais”.

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O trabalho é uma parceria do MC Jotappê, KondZilla e a agência Leo Brunett Tailor Made, contando com a participação da marca Tic Tac. Além das caixinhas que aparecem no videoclipe, a produção da música, feita pelo DJ RD, conta também com sons feitos a partir da caixinha do produto, algo bem inovador.

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“O insight de usar o barulho característico do Tic Tac e, à partir dele, abraçar uma plataforma de música faz todo sentido. E a Kondzilla com MC Jottapê são os parceiros perfeitos para fazer essa conexão com o nosso público”, destaca Wilson Mateos, VP de Criação da Leo Burnett Tailor Made.

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Pra você que tá pensando em curtir na vida real, essa também pode ser sua chance. Em agosto, será lançada a promoção “Entre em Modo Avião com Tic Tac”. O prêmio será R$20 mil para o ganhador viajar com os amigos. Pra participar, os candidatos precisam gravar um vídeo com a música “Modo Avião”, mostrando uma caixinha de Tic Tac e postar no Instagram com a #TicTacModoAvião. Fica ligado que em agosto divulgaremos mais detalhes. Enquanto isso, dá o play na música no YouTube e Spotify!

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Funk

“É tudo nosso”, avisa MC Kauan em nova música

*Todas as fotos por: Felipe Max // Portal KondZilla

O MC Kauan, hoje, é uma das principais figuras do funk, que leva a bandeira do funk da Baixada Santista. Um dos artistas mais performáticos do Brasil, ele lançou seu mais novo trabalho, “Tudo Nosso“, com direito a videoclipe no Canal KondZilla. O Portal KondZilla estava presente nas gravações e trocou uma ideia com o MC Kauan sobre a carreira e o futuro. Se liga no papo.

Gravado na quebrada do Santo Antônio, no Guarujá, no litoral de São Paulo, o videoclipe tem um enredo abordando questões políticas e sociais – algo que o MC Kauan narra desde o começo da sua carreira. Sem deixar de contar também com uma pitada de terror. Pra quem não tá ligado, o “Coringa Loko” está na estrada há mais de 10 anos e tem no currículo sucessos como: “O Terror tem Nome“, “Quando a Cidade Pega Fogo” e “Gangue do Cabelo Verde“.

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MC Kauan não é um cantor de funk como a galera está acostumada. Seus shows são verdadeiros espetáculos, com direito a encenação, máscaras, fantasias e palhaços tenebrosos. Os bailes do Coringa são famosos também pela interação com público, que leva seus sinalizadores para deixar a festa ainda mais sinistra. Se você já foi em alguma “Noite do Terror” do PlayCenter vai se sentir em casa num show do cantor.

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“Um clipe novo, clipe qualidade, música qualidade, tudo do bom e do melhor pros fãs que sempre estão me acompanhando”, explica o cantor. “Trouxe comigo também os palhaços tenebrosos, porque gosto do terror, sempre fui fã do PlayCenter e quis trazer um pouco disso pra minha realidade como artista. Eles já estão há anos nos meus shows, e agora tô colocando nesse videoclipe”. Aliás, a relação Baixada Santista + KondZilla + MC Kauan não poderia ter um resultado melhor.

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Para completar, a direção ficou por conta de Lucas Romor, que também é nascido no Guarujá e foi responsável por outros videoclipes como: “Oh Quem Voltou“, da Dani Russo e MC Pocahontas feat Naiara Azevedo, “Amor de Verdade“, de MC Kekel e MC Rita, além de “Me Solta“, do MC Nego do Borel. O diretor explicou como é trabalhar num videoclipe dentro de uma comunidade.

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“Trabalhar na comunidade é algo realmente diferente. São muitas pessoas envolvidas, muitas coisas para controlar, acaba virando um evento no local. Porém, por ser um local que já conhecemos, fica mais fácil. Eu sou do Guarujá, o próprio KondZilla [diretor] é do Guarujá, daqui do próprio Santo Antônio. Por isso, a gente se sentiu em casa”.

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Tem uma galera que diz que o funk da Baixada tá por fora, que morreu, etc. Mas o MC Kauan deixa claro que a parada é mais embaixo, a história não é bem assim. Não só mantendo suas letras, mas também participando de outros trabalhos, com outros MCs da Baixada. Como o próprio a música diz: “É tudo nosso e o que não for nóis toma!” [sic].

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Matérias Entrevista Funk

Estabelecida no Funk, MC Carol lembra sua trajetória

*Foto: reprodução Uol

A cantora MC Carol anda em alta num momento de representatividade dos públicos. Mulher, negra, gorda e cantando verdades do cotidiano, ela não chega a ser o símbolo de sucesso que estamos acostumados e é por esse motivo que ela conquistou seu espaço e se mantém firme até hoje: por conta da sua força de vontade. Nem todos conhecem a trajetória da garota de Niterói, por isso que o Portal KondZilla apresenta essa entrevista bem maneira que o Hysteria Music produziu. Confira:

Autora das músicas “100% Feminista” e “Bateu uma onda forte” é difícil não sacar quem é a MC Carol no funk. A cantora surgiu na música com o hit “Minha vó ta Maluca“, uma canção inspirada em fatos reais e que acabou na boca do povo. O que era pra ser uma crítica à sua avó que não presenteou a neta pra comprar uma peruca, a música virou seu cartão de visita para os palcos.

Falando em palcos, a coisa não foi tão fácil quanto parece. Carol enfrentou mais problemas do que os habituais. “As pessoas jogavam latinhas, já me vaiaram, já viraram de costas” conta em vídeo. Mas a cantora não desistiu, em suas palavras: “ou eu enfrento isso aqui, ou eu vou ter que trabalhar [em qualquer coisa] para eu sobreviver”. E Carol enfrentou de peito aberto às críticas, tudo em busca de alcançar o seu sonho, que hoje é consagrado por diversos sucessos, shows e até uma participação ao lado da cantora Karol Conka no festival Lollapalooza em 2016.

Na entrevista ao canal Hysteria, Carolina de Oliveira Lourenço, que hoje tem 24 anos, lembra de 2 momentos marcantes em sua trajetória: A participação no programa “Lucky Ladies Brasil” e o convite para participar do SPFW, principalmente por conta do seu perfil. Algo inimaginável para ela e para muitas outras mulheres. Só que aconteceu.

A MC de Niterói ja participou do Canal KondZilla com a música ‘Toca na Pista, Toca na Favela” ao lado do Tropkillaz e o coletivo Heavy Baile. Conquistando diversos espaços, a pergunta fica: qual será o próximo espaço a ser conquistado pela cantora que saiu de casa com apenas 14 anos?

Aproveite este e outros conteúdos do Hysteria. O Hysteria Music é uma série de entrevistas voltadas as mulheres que estão na música.

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Matérias Educação Funk

A relação do funk e a academia – Parte II

Em seus 30 anos de existência, o funk dividiu opiniões e gerou uma série de perguntas que surgem na mídia, no dia-a-dia das mesas de bar e textões no Facebook. Algumas delas são puramente preconceituosas e querem criminalizar o movimento. Outras, por outro lado, procuram apenas conhecer melhor a riqueza e complexidade deste universo. Qual a relação entre o preconceito que o samba sofreu no passado e o que o funk sofre ainda hoje? O funk é cultura? O que alguns funks cantam pode ser considerado apologia ao crime? Como se produz um funk? O funk é machista? É feminista? Enfim, são muitas questões que pesquisadoras e pesquisadores de diferentes origens buscaram se aprofundar. Aqui, no Portal KondZilla, apresentaremos em ordem alfabética alguns deles. Obviamente, é impossível mapear todos, mas aqui vai uma lista em ordem alfabética com os principais nomes. Caso saiba de mais algum, deixe nos comentários!

apafunkFoto por: Divulgação // Apafunk

Adriana Facina: antropóloga e historiadora, Adriana Facina é professora de antropologia no Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sua imersão no mundo funk veio aliada ao engajamento. Facina participou ativamente na criação da Associação de Profissionais e Amigos do Funk (APAFUNK) e se dedicou à luta contra o preconceito que o gênero sofre. Em 2017 ela recebeu a medalha Pedro Ernesto por indicação da vereadora Verônica Costa por sua luta pelo reconhecimento do funk como cultura. Alguns de seus textos podem ser encontrados aqui e aqui.

Adriana Lopes: Adriana Lopes é linguista e professora no Departamento de Educação da UFRRJ. Seu livro Funk-se quem quiser: no batidão negro da cidade carioca é um clássico para quem estuda o movimento funk. Entre outras coisas, este livro descreve a luta pelo reconhecimento do funk como cultura e traz ótimas reflexões sobre as relações de gênero no funk. Além disso, há também ótimas reflexões sobre como o funk se comunica com outros gêneros musicais da diáspora africana.

Carla Mattos: Cria da Nova Holanda, no Complexo da Maré, Carla Mattos é doutora em Ciências Sociais pela UERJ e pós-doutora pelo Núcleo de Pesquisas Urbanas da UFSCar. Sua dissertação de mestrado se chama No ritmo neurótico: cultura funk e performances proibidas em contexto de violência no Rio de Janeiro e é focada nas galeras funk. Carla entrevistou vários frequentadores destes bailes, refletindo sobre o modo como as guerras de facções repercutiram no mundo funk.

homepageproibidaoHomepage do site proibidão.org – Foto por: Reprodução // proibidão.org

Carlos Palombini: Carlos Palombini é professor da Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais. Doutor em música pela Universidade de Durhan, na Inglaterra, seus trabalhos sobre a obra de Pierre Schaeffer o tornaram uma das maiores referências nos estudos de música concreta. De volta ao Brasil encantou-se pelo funk carioca, especialmente o proibidão. Suas pesquisas conectam a organização sonora do funk com as relações sociais nas favelas cariocas. Se você quer saber mais sobre o processo de criação do tamborzão, ou sobre a criatividade harmônica de um funk como “Deu Onda“, do MC G15, você precisa conhecer os textos dele. Palombini também edita o site proibidao.org. Alguns de seus principais trabalhos podem ser encontrados aqui e aqui.

Dennis Novaes: Humildemente, insiro meu trabalho nesta lista. Assim como outros aqui citados, também sou antropólogo e completei meu mestrado pelo Museu Nacional, onde atualmente curso o doutorado. Minha dissertação, intitulada Funk Proibidão: música e poder nas favelas cariocas, fala sobre funks que abordam o universo da criminalidade. Ali você pode encontrar entrevistas de MCs como Cidinho, Frank, Smith, Orelha, Rodson, além de DJs como Byano e compositores como o Praga (autor dos sucessos “Vida Bandida 1 e 2”, “Visão de Cria” e “Os Dez Mandamentos” e que deu entrevista ao Portal KondZilla). É possível encontrar este e outros trabalhos neste link.

Eduardo Baker: mestre em direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e doutorando pela PUC-Rio, Eduardo Baker escreveu uma dissertação que aborda o indiciamento e prisão de MCs cariocas. Este trabalho intitulado Ensaio por uma criminologia perspectivista traz uma série de inquéritos policiais e depoimentos, analisando de forma crítica o modo como os atores penais lidam com o funk.

Fátima Cechetto: é professora da Escola Nacional de Saúde Pública. Seu mestrado, em Ciências Sociais pela UERJ, aborda as galeras funk cariocas na primeira metade da década de 1990. Nesse período, as brigas entre galeras eram muito frequentes nos bailes e faziam parte da diversão. Isso foi muito usado pela polícia e pela mídia para acusar o funk de instigar a violência. A pesquisa de Fátima traz ótimas reflexões sobre o tema abordando questões como juventude e masculinidade. Posteriormente, a pesquisa se tornou um livro: Violência e estilos de masculinidade.

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Hermano Vianna: apresentado aqui anteriormente, a pesquisa de Hermano Vianna é, mais que um relato, uma parte essencial da história do funk. Ele aborda uma boa parte do movimento Black Rio e principalmente como eram os bailes funk antes que surgissem as primeiras letras em português. Seu livro O Mundo Funk Carioca já encontra-se esgotado, mas ele disponibilizou seu trabalho online e você pode acessá-lo por esse link.

Mariana Gomes: mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Cultura e Territorialidade da UFF e doutoranda em Ciências Sociais na PUC-Rio. Ela também participou da criação da APAFUNK. Sua dissertação de mestrado toma como base a vida e a obra de Valesca Popozuda para desenvolver um rico debate sobre as aproximações e diferenças entre a produção das funkeiras e o pensamento feminista. Intitulado My Pussy é o poder: representação feminina através do funk, seu trabalho é considerado referência essencial para quem se aventura neste debate.

Micael Herschmann: professor da Escola de Comunicação da UFRJ, foi um dos primeiros a apontar o preconceito com que a mídia brasileira tratava o funk na década de 1990. Seus trabalhos pioneiros ainda são importantes para entendermos a história do funk nacional, o que ele representava naquele momento. Um deles é o Funk Carioca: entre a condenação e a aclamação da mídia, feito em parceria com João Freire Filho.

Mylene Myzhari: doutora em antropologia pela UFRJ e atua como professora no Departamento de Educação da PUC-Rio. Sua tese de doutorado, sobre o Mr. Catra, ganhou o primeiro lugar do Prêmio Maurício de Abreu promovido Instituto Pereira Passos. Neste trabalho, intitulado A estética funk carioca: criação e conectividade em Mr. Catra, ela acompanhou a história e o cotidiano de um dos maiores MCs do país. O Portal KondZilla também entrevistou esta pesquisadora.

Silvio Essinger: jornalista formado pela PUC-Rio, Silvio Essinger é autor de um livro imprescindível para quem deseja conhecer a história do funk. Batidão: uma história do funk foi lançado em 2005 e entrevista dezenas de artistas percorrendo desde o movimento Black Rio até os artistas que despontavam naquela época. Infelizmente, o livro está esgotado, mas às vezes é possível encontra-lo em alguns sebos por aí.

Você também pode acessar nossa seção ‘Mini-Docs’ e conferir outros diversos trabalhos em audiovisual que estudam o movimento funk.

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Dennis Novaes é bacharel em Ciências Sociais com habilitação em Antropologia pela Universidade de Brasília, mestre em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional/UFRJ, doutorando também pela UFRJ e também autor da dissertação “Funk Proibidão: música e poder nas favelas cariocas”. Em parceria com o Portal KondZilla, Dennis produziu dois textos sobre a relação do funk e a academia, sendo esse o segundo. O primeiro conteúdo você pode acessar nesse link.

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Matérias Educação Funk

A relação do funk e a academia – Parte I

Há cerca de 30 anos surgia um disco que mudou os rumos do funk nacional. Produzido pelo DJ Marlboro e lançado em 1989, este álbum já mostrava ao que veio com um título que ia direto ao ponto: “Funk Brasil“. Considerado o primeiro do gênero gravado com letras em português, o álbum “Funk Brasil” abriu as portas para uma verdadeira revolução. O que pouca gente sabe é que este disco foi marcado por uma relação entre o funk e a produção acadêmica brasileira, que possui reflexos até hoje. Para explicar melhor essa relação, o Portal KondZilla preparou um conteúdo especial. Saca só:


Foto por: Reprodução // Wikimidia

Embora esse cenário felizmente venha mudando, até pouco tempo o funk aparecia mais nas páginas policiais do que nos cadernos de cultura. Isso foi culpa, claro, do preconceito em relação a um gênero musical que vem das favelas e periferias do Brasil. Apesar disso, acadêmicos de diversas áreas se dedicaram em diferentes momentos a acompanhar e traçar a história do funk valorizando a riqueza de sua produção. Essa matéria é voltada especialmente para aqueles que desejam conhecer um pouco mais a fundo a história desse que é o maior gênero musical do Brasil contemporâneo. Mas para entendê-la, precisamos voltar um pouco no tempo.


Walter Alfaiate, Hermano Vianna e DJ Marlboro – Foto por: Reprodução // UOL

  • O Mundo Carioca – Hermano Vianna – 1987

A pedra fundamental do que veio a se tornar o funk nacional foi instalada pelo movimento Black Rio, na década de 1970. Este fenômeno, que até então não tinha “nome próprio”, foi assim batizado pela jornalista Lena Frias em uma reportagem para o Jornal do Brasil de 1976 intitulada “Black Rio – O orgulho (importado) de ser negro no Brasil”. Na matéria, a jornalista descrevia uma cena musical até então pouco conhecida pelos cadernos de cultura dos jornais da cidade. Todos os finais de semana, cerca de 1,5 milhão de jovens se dirigiam para os “bailes black” espalhados pelos subúrbios do Rio de Janeiro, com penteados e roupas que ressaltavam o orgulho de ser negro.

Embalados principalmente pela soul music, termo usado para se referir a uma variedade de subgêneros da música negra norte-americana naquele momento, estes bailes reescreveram a paisagem sonora da “terra do samba”. Mas nem tudo são flores, principalmente quando se trata de arte vinda da favela. O Black Rio sofreu uma série de ataques, acusado de ser inautêntico e uma simples imitação da cultura americana. Alguns de seus principais expoentes, como Dom Filó, chegaram até mesmo a sofrer com a repressão da ditadura. Embora o movimento Black Rio tenha inspirado uma série de artistas brasileiros a incorporar essa sonoridade em suas produções, os bailes continuaram embalados por músicas estrangeiras, principalmente norte americanas.

(James Brown era uma grande referência nos Bailes Black – suas músicas transitavam do soul ao funk e valorizavam a negritude)

Na década de 1980, a semente plantada pela cena Black Rio continuava a germinar. A sonoridade, no entanto, sofreu transformações. O soul serviu como base para diversos gêneros musicais: a disco e o funk nos anos 70, o hip-hop e a house nos anos 1980. Ainda nesta década, através do “electrofunk”, surge também um gênero conhecido como “Miami Bass” que ganhou muito espaço nos bailes cariocas, agora chamados de bailes funk. Mas nem só do miami viviam os bailes na década de 1980. Gêneros como o latin freestyle, o hip-hop e o electro também eram bastante populares. Apesar do som estrangeiro, o público e os DJs começavam a brincar com o inglês em paródias ao vivo: “You Talk Too Much”, do grupo Run-DMC, por exemplo, virava “Vou tacar tomate” na boca do povo.

Mesmo consolidados como a principal opção de lazer da juventude suburbana e favelada, especialmente sua parcela negra, os bailes funk continuavam a receber o silêncio da mídia carioca – assim como havia ocorrido no passado.

Este movimento de tamanha proporção e ainda pouco conhecido pela imprensa chamou a atenção de Hermano Vianna, que trabalhava como jornalista naquele período e já tinha representado um importante papel na projeção de outra cena musical brasileira. Foi ele quem apresentou, no início da década de 1980, o rock de Brasília para o público do eixo Rio-São Paulo.

O sucesso de grupos como Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude se deve, em grande medida, ao seu olhar atento para o rico cenário da música brasileira. No auge do bailes na década de 80, Hermano fazia seu mestrado em antropologia pelo Museu Nacional, no Rio de Janeiro, sob a orientação de Gilberto Velho. Instigado por aquele cenário, ele resolveu transformar os bailes funk no tema de sua dissertação. Vale aqui uma breve explicação: De forma resumida, podemos descrever a antropologia como a área do conhecimento que estuda a vida do ser humano em sociedade. Gilberto Velho é a maior referência brasileira na área de antropologia urbana, ou seja, o estudo do ser humano nas cidades (ele faleceu em 2012, mas até hoje seus trabalhos são uma grande referência para diversos cientistas sociais).

https://www.youtube.com/watch?v=_O_brh6Ie2Y

Ao longo de sua pesquisa, Hermano Vianna conheceu um jovem DJ que lhe apresentou o mundo funk. Fernando Luís Mattos da Matta, conhecido como DJ Marlboro, ainda estava começando a carreira e ganhando espaço nos bailes, especialmente pela região de Niterói. Se hoje em dia todo músico sabe o quanto é difícil conseguir alguns equipamentos, no Brasil da década de 1980 era ainda mais complicado. Em grande medida, o funk se manteve esse tempo todo apenas com músicas estrangeiras porque uma bateria eletrônica, principal equipamento para produção musical dos ritmos mais ouvidos nos bailes cariocas, não era algo que se via por aí nas periferias da época.

Acontece que ao fim de sua pesquisa, Hermano presenteou Marlboro com uma dessas baterias eletrônicas que era de seu irmão Herbert Vianna (ele mesmo, vocalista do Paralamas do Sucesso). Quando soube o que seu aluno havia feito, Gilberto Velho comentou ironicamente: “é como dar um rifle para um chefe indígena”. Em entrevista para o Portal KondZilla, Marlboro contou: “quando ele me deu essa bateria acendeu uma luzinha: ‘caraca, eu posso ter artistas do funk! Vou pegar essa bateria aqui e começar a produzir’”. E foi isso que ele fez, lançando em 1989 o primeiro volume do Funk Brasil. A partir daí o que se viu foi uma verdadeira febre. Diversos DJs e equipes de som passaram a lançar seus próprios discos com funks em português, transformando pra sempre a sonoridade da música brasileira.

Se não fosse pelo presente do pesquisador Hermano Vianna ao DJ Marlboro, quando será que sairia o primeiro álbum do movimento funk?

Dennis Novaes é bacharel em Ciências Sociais com habilitação em Antropologia pela Universidade de Brasília, mestre em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional/UFRJ, doutorando também pela UFRJ e também autor da dissertação “Funk Proibidão: música e poder nas favelas cariocas”. Em parceria com o Portal KondZilla, Dennis produziu dois textos sobre a relação do funk e a academia, sendo que o próximo conteúdo sai nesta terça-feira, 24 de julho. Fique ligado!

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Histórias que inspiram Matérias

De grão em grão, o Arteiros de Rua leva cultura às periferias

*Todas as fotos por: Divulgação // Arteiros de Rua

Pode ser um assunto meio clichê, mas as periferias ainda lutam para conseguir o acesso à cultura. Pra resolver essa ausência de espaços culturais, a população tem que dar seus pulos. Esse é o caso da Arteiros de Rua, um coletivo que realiza eventos culturais na Zona Sul de São Paulo – inclusive com a ajuda do VAI, um programa que já falamos por aqui – e agora está realizando uma vaquinha on-line para criar um estúdio cultural multiuso. Ficou curioso? O Portal KondZilla te explica essa história melhor.

Desde 2014, o grupo Arteiros de Rua é responsável por produzir eventos culturais na região do Campo Limpo, Zona Sul de São Paulo. Entre os eventos estão: circo, teatro, música, saraus, brincadeiras infantis (piscina de bolinhas, castelo inflável, cama elástica), além de ter um estúdio musical e organizar apresentação de variados estilos musicais: samba, reggae, rap e blues. Em 2016, eles ganharam apoio do VAI e, a partir daí, conseguiram investir mais na cultura.

“Eu já tinha alguns equipamentos de som, fazíamos alguns eventos para criançada também, daí ganhamos um edital do VAI, que nos deu um suporte financeiro”, explica Daniel Alves dos Santos, 35, produtor cultural e responsável pelo Arteiros de Rua. “O VAI deu aquele up, né?! Tirava dinheiro do meu bolso para comprar as coisas parceladas, daí vimos a oportunidade de adquirirmos mais produtos a vista. Foi um suporte legal pra gente”.

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Foi nessa vontade de ter seu próprio espaço que o coletivo viu que poderia melhorar seu trampo e ajudar mais pessoas a ter acesso a cultura. Surgiu então a ideia de se construir o Ponto de Cultura da Imagem e do Som – um estúdio onde o pessoal da quebrada poderá produzir conteúdo audiovisual, como fazer seu som ou seus videoclipes, com a ajuda dos apoiadores e amigos por meio de uma vaquinha on-line – aquele famoso ‘crowdfunding‘ -, se todo mundo ajudar, não fica pesado pra ninguém. A intenção é fazer um estúdio com bioconstrução.

“Tínhamos uma sede, onde eu pagava uma parte do aluguel, e o VAI pagava a outra parte. Nesse local fazíamos gravações de áudio e video sem fins lucrativos, até por isso sentimos a necessidade de termos nosso próprio espaço. Já começamos a tocar a bioconstrução do estúdio com os moradores da comunidade, junto a bioconstrutores da Ikobé – Cooperativa de Bioconstrução”.

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Para quem não tá ligado, bioconstrução nada mais é do que construções que se preocupam com a ecologia, desde sua concepção (isso é, a maneira que a parada é pensada e feita) até sua ocupação. Vivemos um momento em que o planeta e o ecossistema precisam ser respeitados pra não danificar ainda mais o espaço que vivemos.

O produtor cultural explicou também da importância desse tipo de produção para as periferias. Eventos desse porte ficam marcados na memória das crianças e dos adultos, fazendo com que algo que era visto como besteira ou coisa sem sentido, faça a pessoa envolvida mudar sua visão sobre arte.

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“É muito louco você fazer algo por uma criança, porque ela leva isso pra sempre, e posso falar por experiência própria, pois tive essa sensação quando criança. Eu comecei muito fora da quebrada, aprendi em outros lugares, e agora ofereço esse retorno para quebrada. E também aprendo com a quebrada, esse intercâmbio faz parte do processo natural”.

Para doar, é só acessar o site e doar uma quantia em dinheiro do seu gosto. Os gastos serão divididos entre: 40% para materiais, 30% para mão de obra, 20% para transporte e 10% alimentação. E você pode ajudar por esse link aqui.

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Funk

Cinco músicas para dar uma ideia do que é sample

Já mostramos aqui a importância e a história do sample no mundo da música. Para você entender melhor dessa cultura, o Portal KondZilla separou cinco músicas que utilizaram samples brasileiros e que vão te trazer aquela sensação de: putz, já ouvi isso antes em algum outro lugar. Ah, e se lembrar de mais trampos já sabe, né? Deixa sua dica também lá nos comentários.

#Public Enemy – Don’t Believe The Hype

Pra começar do começo, vamos voltar a um passado mais distante. A arte do sample se tornou gigante muito graças a cultura hip-hop. Um dos maiores grupos de rap, o Public Enemy foi fundamental para o estabelecimento dessa onda. Um dos seus maiores sucessos, “Don’t Belive The Hype” traz um sample de um mito do funk music, James Brown, com “I Got Ants In My Pants”.

#G-Unit – Let It Go

Chegando nos dias mais atuais, temos o grupo G-Unit, que tem entre seus integrantes o rapper 50 Cent. Logo na introdução da música música “Let It Go” o grupo usa um trecho da música “Preciso me Encontrar”, do sambista Cartola, um belo de um intercâmbio cultural e musical.

#Racionais MCs – Diário de Um Detento

No Brasil, um dos maiores grupos de rap do país, o Racionais MCs tem uma cartela enorme de sample utilizados nas suas músicas. Um dos mais marcantes é o sample utilizado na música “Homem na Estrada”, com a música “Ela Partiu”, do Tim Maia. Aliás, pra quem não sabe, o Tim Maia é o “responsável” pelo nome dos Racionais MCs. O cantor carioca tem um disco com o nome “Racional“, e foi daí que surgiu a inspiração para o nome do grupo paulistano.

#Bonde do Tigrão – Cerol na Mão

https://www.youtube.com/watch?v=3piHcsA3P38

Agora, indo pra funk, essa coisa de samplear pode ter se tornado mais popular agora, mais já existe na cena há um tempo. Quem não lembra do Bonde do Tigrão, estourados lá no começo dos anos 2000?! Um dos seus principais sucessos, “Cerol na Mão” sampleou a música “Headhunter“, de um grupo de música eletrônica da Bélgica chamado Front 242. Loucura, né?

#Bonde R300 – Oh Nanana

Avançando um pouco no tempo, mas continuando falando de funk e de um bonde, chegamos na música “Oh Nanana”, do Bonde R300. O sample usado nessa música foi tirado de um hit do rapper americano 2Chainz, “Watch Out”. Sinceramente, acho que os brasileiros tiraram um proveito melhor desse beat. Na verdade, acho que não foi só eu não, já que a música bateu a marca de 100 milhões de visualizações no Canal KondZilla!

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Histórias que inspiram Matérias

Morar sozinho não é fácil, mas tem seu valor

*Todas as fotos por Jeferson Delgado // Portal KondZilla

Quando o assunto é morar sozinho, logo vem a cabeça a famosa liberdade: uma casa inteira para deitar e rolar, comer o que quiser na hora que quiser, tomar inúmeros banhos por dia sem precisar escutar um “desliga esse chuveiro”. Porém, nem tudo é um mar de rosas e as responsabilidades aumentam. Hoje vou compartilhar com vocês e com o Portal KondZilla a experiência de morar sozinho por duas frentes: a minha história e a história da Kathleen.

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Eu sou Jeferson Delgado e você já deve ter lido alguma matéria minha por aqui, seja como personagem ou como repórter. Eu nunca fui um cara muito estudioso mas por incrível que pareça, o motivo de ter saído da casa da minha mãe foi pelos estudos. Minha irmã mais velha conseguiu entrar em diversas universidades públicas, deixando um legado de que eu tinha que seguir essa linhagem estudiosa a partir dela. Em janeiro de 2016, ela me convidou para morar com ela e estudar em um cursinho popular próximo ao conjunto habitacional da faculdade. Confesso que não sei o que me deu na cabeça, mas, topei. Sem muito alarde. Meses depois caiu a ficha que eu saí da casa da minha mãe e estava me tornando independente. Com o tempo fui evoluindo, sai do apartamento da minha irmã para morar com amigos que conheci no cursinho e hoje moro com a minha namorada. Contando assim parece uma história foda que deu tudo certo, mas no dia a dia a gente vê que o perrengue bate na porta quase que todo dia.

Eu não sou o único que tem uma história encorajadora quando o assunto é sair de casa, e para provar isso bati um papo com a Kathleen Alves, uma jovem de 17 anos que nunca teve uma relação tão positiva com sua mãe. Isso se tornou o motivo por sair de casa com a mesma idade que eu fui morar sozinho, aos 17. Ambos passamos pelas mesmas dificuldades, como a falta de grana e a relação conturbada com a família, que acaba mudando quando você está distante.

Bora pro papo.

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KondZilla.com: Eu saí de casa para estudar e você?
Kathleen: Eu saí de casa porque sempre tive problemas com meu padrasto, nunca falei com ele, sempre tive brigas com a minha mãe, porque eu não respeitava muito ela. Meus maiores problemas pra sair de casa foram familiares, sabe?! Eu não tinha respeito pela minha mãe, era horrível ficar dentro de casa e brigar o dia inteiro. Então foi por isso que eu saí de casa, por que eu queria que meu relacionamento com ela melhorasse.

KDZ: E o relacionamento com a sua mãe melhorou depois que você saiu de casa?
K: Cara, tenho nem o que dizer, mudou da água pro vinho. Era uma porcaria e, mano, melhorou tudo, tudo, tudo! A gente conversa mais uma com a outra, pergunta se tá tudo bem uma com a outra, a gente se ajuda psicologicamente e financeiramente. Nos preocupamos, falamos eu te amo, nos abraçamos.

Quando vou na casa dela eu sou visita, então nosso relacionamento é totalmente diferente. Agradeço à Deus por ter conseguido restaurar isso, por que eu jurava que nunca ia conseguir ter uma relacionamento saudável com a minha mãe.

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KDZ: Boa! A gente sabe que morar só é um pouco solitário, como você faz pra vencer isso?
K: Nossa, não é pouco, é muita solidão. Tipo, no começo, eu não sabia como lidar com isso e como meu celular tava quebrado, eu não mexia no celular. Então eu achei livros como uma forma de ter história pra ter curiosidade. Os livros e ir pra casa das amigas foram as coisas que me ajudaram a administrar meu tempo.

KDZ: E cozinhar? você sempre soube cozinhar ou aprendeu morando sozinha?
K: Então, eu não sabia cozinhar, eu fazia o mínimo do mínimo. Morando sozinha eu aprendi a fazer strogonoff, arroz, temperar e compra carnes, todas essas coisas. Mas morando sozinha eu comecei a ver que a vida não é só cachorro quente e pastel, aí eu comecei fazer arroz, muitas saladas, temperos de carnes, macarrão e muitas outras coisas.

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KDZ: Minha maior dificuldade é financeira por que eu não tenho trampo fixo. E pra você qual é?
K: Eu não tenho muitas dificuldades financeiras, eu trabalho fixo e recebo bem, por isso não tenho.

KDZ: E como é pro seu psicológico ter que pagar uma grana fixa todo mês pra ter uma moradia enquanto ainda é tão nova? Você tá com o que…17, 18?
K: Assim, pelo fato de eu ter apenas 17 anos, eu pensei que eu não conseguiria manter uma coisa de tamanha responsabilidade. Então fico triste,às vezes, por pensar que esse dinheiro eu poderia estar investindo num curso, numa faculdade, sabe?! Mas eu sei que foi por um bem necessário.

Tipo, eu fico triste porque é um dinheiro que não tem volta, então eu procuro de todas as formas guardar todo dinheiro possível pro ano que vem começar meu curso técnico e pensar numa vida melhor. Tento juntar dinheiro pra comprar um terreno, dar entrada num apartamento ou coisa assim, porque como sou nova, dá tempo de me programar para o futuro.

KDZ: Querendo ou não grana interfere em bastante coisa e pode te deixar de cabeça bem quente. Você tem alguma dica pra economizar e não gastar a grana das contas?
K: Sempre achei que a vida é um grande compromisso. Se você tem um compromisso, você tem que levar ele muito a sério. Então eu pego uma caixinha, separo metade dela com um papel, deixo meu aluguel de um lado e dinheiro pra curtição do outro. Por mais que acabe o dinheiro da curtição, eu procuro não mexer no dinheiro do meu aluguel. Acho que é uma forma de me controlar mais, ai eu escrevo bem grande COMPROMISSOS, e deixo meu dinheiro pra isso lá na caixinha. O resto que sobra deixo largado pela casa mesmo.

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KDZ: Passa a visão pra galera que quer morar só. Como que é?
K: É muito intenso responder isso. Primeiro você tem que se preparar psicologicamente pra sair de casa. Segundo você precisa se preparar financeiramente, sair de casa não é “a eu vou sair de casa”, não é isso! Você tem que pensar como vai ser a sua vida sozinha, e nunca pensar em voltar pra trás. “Ah, se não der certo eu volto pra casa da minha mãe”. Não! Caso não dê certo volta, claro, mas a vida é pra frente, nunca pra trás.

Se você saiu de casa é por que você tá criando asas pra voar, então bola que segue. Você precisa pensar que é você e você, precisa lutar pra sua sobrevivência: vai ter que pagar seu aluguel, não vai ter ninguém pra te salvar quandos as coisas apertarem. Quando você vai morar sozinha você pensa “ah, vou comer só besteira”. Mas uma hora vai viver só disso e não vale a pena, você não vai ter onde dormir, não vai ter como lavar roupa, não vai ter pratos, então você precisa pensar na cama, na geladeira, no fogão. Foram coisas que eu gastei e outras ganhei, eu consegui ter apoio, quanto mais apoio você tiver melhor, vê lojas de coisas usados, móveis usados. Tem que se virar.

KDZ: Quem vê assim parece que é de todo ruim, por conta da grana, mas sempre tem um retorno. Não é?

Sim, sair de casa é uma coisa que no começo você se vê sem saída, você não se vê pagando depósito, não se vê pagando aluguel. Depois, voê vê que é um compromisso bem grande e com uma organização melhor, você consegue sim! E você vê o quanto é bom ter privacidade. Você ter seu mundinho, nada paga isso nem sua tranquilidade.

Talvez restaurar o relacionamento com sua mãe seja importante demais, os R$500 do meu aluguel não paga o meu relacionamento restaurado com a minha mãe, sabe?! Então eu agradeço muito as pessoas que me ajudaram, por que eu tive uma amiga que me acolheu na casa dela até eu juntar meu dinheiro do depósito do meu aluguel. É só orar e ter fé que vai tudo dar certo, tudo na vida tem uma saída, só persistir e não desistir que tudo dá certo.

——–

Todas as fotos são da casa do Jeferson.

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Kevinho fará show nos Estados Unidos

Todas as fotos por: Léo Caldas // Portal KondZilla

O Kevinho está de malas prontas para mais uma show internacional. Pouco depois de voltar da Europa, um dos principais nomes da música brasileira na atualidade, embarcou para os Estados Unidos, onde fará uma apresentação no  Hard Rock Live, em Orlando. Agora, o Portal KondZilla vai te dar mais detalhes sobre essa viagem. Saca só:

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Kevinho está numa fase ótima da carreira. Se em 2017 o cantor rodou o Brasil, chegou no top 50 do Spotify e acumulou mais de um bilhão de visualizações no YouTube, 2018 dele começou com tudo. Janeiro teve o lançamento de “Ta Tum Tum“, em parceria com a dupla sertaneja Simone e Simaria. Na sequência, o cantor arrumou as malas para sua primeira turnê internacional, onde viajou por três países: Portugal, Inglaterra e Holanda. Mais recentemente lançou a música “Pega a Receita“, em parceria com o MC Dede. Se você não entendeu o título da música, se liga, o videoclipe já bateu mais de 75 milhões de visualizações em 2 meses de publicação. Pegou a receita?

Agora, o cantor se apresentará na Hard Rock Live Orlando, uma das principais casas de show dos EUA, na noite do dia 17 de julho. Você pode conferir todas as informações desse show por este link.

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Pode parecer clichê, mas a cada dia que passa o funk chega mais longe. Kevinho é uma das referências não só dessa cultura, mas da música brasileira em geral. Enquanto isso, aproveita para ouvir um remix gringo de “Olha a Explosão”, com participação do 2Chainz, French Montana e Nacho

https://www.youtube.com/watch?v=Zr8epVIvcD4

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