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Um papo sobre funk, carreira e o momento atual com o MC Anjim

Um dos personagens do funk mineiro, seja pelo talento ou pelo cabelo chamativo, MC Anjim vem se destacando no funk ao lado de MC Laranjinha, MC Rick, MC Vitin LC e mais uma galera que tá fazendo o rolê acontecer em Minas Gerais. Dono de htis como “Água Rosa” e “Postura de Bandido Mal“, Anjim trocou um papo com o Portal KondZilla sobre influências, o cabelo vermelho e mais uns trem bão. Cola aí.

Cria da comunidade da Serra e morador do bairro da Boa Vista, com apenas 20 anos, MC Anjim queria ser skatista antes de começar o corre no funk. “Antigamente eu sonhava em ser skatista profissional. Andava de skate sérião, mas parei e comecei a trabalhar”, comenta ele. “Nisso, lá no final de 2015, comecei a trampar perto do Morro das Pedras e foi aí que eu tive meu primeiro contato com os DJs de lá”.

O vulgo Anjim veio de um apelido de infância. “Meu cabelo sempre foi cacheado desde criancinha e por isso sempre me chamaram de Anjim”. Já o vermelho chamativo do cabelo foi um experimento que deu certo. “Aqui na minha favela todos os crias platinam o cabelo no Ano Novo, só que teve uma vez que eu quis logo meter um vermelhão cabuloso”, lembra ele. “Acabou que rolou uma identificação. Já tive outros cabelos que a galera curtiu também, mas o vermelho que chama, né? Tento retocar ele sempre”.

MC Anjim no Funk de BH

MC Anjim começou a lançar música bem no comecinho de 2019 e seu primeiro som a estourar foi em setembro do mesmo ano. “Água Rosa” já passa de 36 milhões de visualizações no YouTube. “A música mais importante da minha carreira até agora foi ‘Água Rosa’, ela que me fez colocar os pés no chão de verdade”, comenta. “Mas eu também diria a ‘Postura de Bandido Mal‘, que tem crescido bem”.


MC Laranjinha e MC Anjim

Os anos de 2018 e 2019 foram prósperos pro funk mineiro, como já falamos antes. Em 2018, “Parado do Bailão“, dos MCs L da Vinte e Gury virou hit e MC Rick veio crescendo cada vez mais. Assim, muitos outros MCs mineiros foram aparecendo e ganhando destaque fora do estado. “O funk aqui tem crescido de uma forma muito impressionante e satisfatória, na minha opinião. Antes a gente não tinha espaço pra entrar na mídia, pra conseguir era ou você fazendo parte da mídia ou conhecendo alguém”, explica Anjim. “Com o passar do tempo as coisas foram se ajeitando. Quando tive a oportunidade e entrei pra mídia, comecei a botar minha cara de verdade, independente se eu tivesse fazendo muito número ou não”.


MC Laranjinha, Davi Kneip e MC Anjim durante a gravação do clipe ‘Vem se Apegar no Vilão

União do Funk em BH

Uma das coisas que ajudaram e continuam ajudando não só o funk mineiro, mas a música num geral, é aquele negócio de um ajudar o outro e muita união. “A união dos MCs é muito importante, mesmo que a gente seja de uma quebrada diferente do outro ou tenha uma ideologia diferente, nós estamos na mesma função, todo mundo na mesma luta pelo funk”, diz Anjim. “Às vezes tem gente que não tem oportunidade, mas tem talento, ou até mesmo quem tem mais oportunidade que talento, todo mundo tá no mesmo corre. Mesmo que a pessoa não esteja brilhando agora, uma hora vai brilhar porque Deus é bom o tempo todo!”.

Por falar em união, Anjim é colado com a turma da Tropa do 7LC, que conta com diversos artistas, como MC Laranjinha, MC Vitin LC, MC Mika e muitos outros, e além da parceria e amizade, os caras também servem de inspiração. “Minha maior inspiração é meu pai, papo reto. Daqui de BH, minha tropa que tá sempre comigo. A gente se inspira e se ajuda pra fazer o negócio virar”.

No momento, a união é simbólica, já que estamos passando por um momento de isolamento social por conta da pandemia do covid-19. “Esse momento do coronavírus tá foda, temos que fazer por onde, nos prevenir e ficar em casa porque quanto mais a gente se prevenir, mais rápido a gente volta pra vida normal”, comenta ele. “Temos que ter muita fé, acreditar que a mudança vai vir logo após, mas a mudança tem que começar por nós”.

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Conheça o MC Laranjinha, artista da nova geração do funk mineiro

Apesar do funk mineiro existir há muitos anos, podemos dizer que muitas pessoas começaram a acompanhar o movimento entre 2018 e 2019, por causa nomes como MC L da Vinte, MC Gury, MC Rick, MC Anjim, MC Vitin LC e também o nosso personagem de hoje, o MC Laranjinha. Diretamente das quebradas de Belo Horizonte, Laranjinha vem ocupando seu espaço e mostrando a potência de Minas Gerais.

Estourar no funk é muito oito ou 80, cê tá ligado, né? Às vezes um MC demora anos e anos pra conseguir emplacar um hit e outras vezes, o primeiro lançamento já faz aquele boom. Foi o segundo caso que aconteceu com MC Laranjinha, que estourou em 2019.

“Nunca sequer pensei em cantar, antes do funk, eu não cantava nem no chuveiro”, diz MC Laranjinha sobre o começo na música. “Antes de tudo isso, eu entrei em depressão porque eu não conseguia trampo nenhum e quando eu arrumava, não dava certo”.

Começar a cantar foi quase uma coincidência. “Um dia meu primo Wallace, que hoje é meu produtor, gravou um vídeo meu e viralizou na net, aí depois disso ele me convenceu a fazer uma música com um amigo que hoje é meu irmão, o MC VH Diniz“.

Esse primeiro som lançado em 2019, chegou a andar bastante, foi o pontapé pra Laranjinha. “Depois disso encontrei o Xapi, meu outro produtor e agora tá os dois comigo nessa luta”.

No funk é aquele negócio, estourou um som já começa a aparecer os shows, pra Laranjinha, que nem imaginava em se tornar artista, a experiência de subir no palco pela primeira vez foi doida. “Meu primeiro show foi muito intenso. Eu não sabia muito o que fazer, não sabia as músicas direito e nem de palco. Foi engraçado”, relembra ele. “Graças a Deus tudo foi melhorando, fui procurando saber cada vez mais sobre música”.

Depois de “Mega Envolvidos”, com o MC VH Diniz, Laranjinha foi soltando mais e mais bomba. “Nisso fiz uma música que bateu 3 milhões de visualizações, ‘Bela e a Fera‘, e depois ‘Final da Noite‘, que já tem quase 10 milhões”, comenta o MC. Falando em som, esses dias mesmo Laranjinha apareceu no canal KondZilla ao lado de Anjim e DJ Davi Kneip, se liga no som:

Estamos acompanhando como a pandemia do novo coronavírus tem afetado a vida de todo mundo e isso não é diferente com o MC e a vida em Minas Gerais. “Tá sendo uma situação bem chata tudo isso. Apesar de todo mundo gostar de sair, não só pra baile, mas pra qualquer lugar, temos que nos cuidar e prevenir pra tudo acabar logo”, comenta ele sobre a quarentena. “Nós, MCs, estamos sempre tentando levar nossos trampos e nossa alegria pros outros, sempre fazendo live e postando vários stories pra gerar um entretenimento”. Pegou a visão, né? Fica em casa e vai fortalecer o MC Laranjinha que ainda tem muito o que rolar em 2020.

Acompanhe o MC Laranjinha: Instagram

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Funk de MG Histórias que inspiram Matérias

MC Vitin LC está colocando o funk de BH no topo

(matéria produzida em 13/03/2020)

O Portal Kondzilla acompanhou uma noite de shows do MC Vitin LC, cantor de Belo Horizonte que está embrazando muito além dos morros de Minas Gerais. Com visual único e músicas que vão do consciente ao melody, Vitin mostrou que tem muito talento com uma energia de palco surpreendente. Ele nos contou sobre como o funk está mudando a sua vida.

Na noite em que acompanhamos o trabalho do Vitin, o MC fez dois shows seguidos, um na cidade de Contagem e outro em Sete Lagoas. Antes disso, trocamos uma ideia com ele, a equipe e a Jaqueline, mãe do Vitin, pra saber mais sobre como o moleque começou a cantar e como tem sido botar o funk de BH no topo ao lançar músicas que alcançam mais de 10 milhões de visualizações no YouTube.

Começo da carreira

Assim como muitos outros MCs, Vitor Alexandre Elias Rezende, 18, começou fazendo rimas na escola sem botar muita fé que tinha talento, até que seus amigos o levaram quase à força pra um estúdio pra gravar. Porém, o sucesso veio mesmo alguns anos depois, quando ele acertou em cheio e lançou “Que menina é essa”, em março de 2018, e alcançou milhares de visualizações em poucos meses. Na mesma época, viralizou um vídeo do Vitin cantando “Que que isso que tá acontecendo comigo” na porta de casa, e aí o bagulho começou a ficar doido.

“O vídeo viralizou no Twitter, aí um tanto de famoso já começou a postar cantando, até a MC Rita mesmo, e na época ela tava fazendo muito sucesso com aquela música ‘Espera aí, preciso tanto conversar, então vem aqui…’ E tipo, ela cantou lá em São Paulo e o público cantou daquele jeito, aí eu falei assim: ‘Nussa!’”, explica o mineiro enquanto dá umas palhinhas. Nisso, o clipe oficial da música já acumula 10 milhões de visualizações no YouTube. De lá pra cá, o MC lançou outros sucessos, como “Maloqueiro se apaixonou“, com 11 milhões, e “Poucas ideias“, que tem mais de 10 milhões em menos de um ano e ganhou até versão brega funk, com produção do JS Mão de Ouro. Vitin também curte gravar uns sons com outros MCs de BH, como a “Vou fazer um vídeo seu“, com Anjim, Laranjinha, Vitera e Dãan MC, e a série de músicas “BH no topo“.

Jaqueline, mãe do cantor, conta que acompanhou todos os trabalhos do filho enquanto ele era menor de idade e que o marido chegou a perder o emprego por acompanhar as viagens do MC. Durante os momentos mais difíceis, Vitin foi quem bancou a família: além de pagar as contas da casa, o garoto conseguiu montar uma pizzaria tele-entrega pro pai depois que ele perdeu o emprego. Sempre na humildade, o MC revela que conseguir ajudar a família é a realização de um sonho e uma meta de vida. “O meu plano pro futuro é deixar a minha família muito bem, tá ligado. Ao ponto de eu poder falar pra minha mãe assim: ‘Ô mãe, precisa de você trabalhar mais não, fica no barraco aí e deixa tudo no meu peito.’ E é só isso mesmo, a meta é a melhora pra família, e eu acho que esse é o pensamento de todos os MCs. Tipo, eu tenho uma música falando que a minha meta é ter um foguete, mas a minha meta de verdade é ter a minha família bem, suave”.

Apresentações

Nas nossas conversas, deu pra perceber que Vitin é bem família. Pra ele, o melhor show da carreira até agora foi o da Virada Cultural de 2019, na Praça da Estação em BH, não só pela oportunidade de subir no palco junto de outros MCs e cantar pra quase 40 mil pessoas, mas também porque foi o primeiro show que a avó dele pôde assistir. “Nó, foi o melhor show da minha vida, todo mundo da minha família lá! Tipo, a minha vó nunca tinha ido em nenhum show meu, aí eu perguntei pra minha mãe assim: ‘A minha vó veio?’ E ela falou que não. Aí, quando eu subi no palco e vi a minha vó lá embaixo, eu já comecei a chorar muito no meio do show! Nossa, foi emocionante demais, sem palavras”. Outro show marcante foi o que ele fez no dia em que completou 18 anos e foi surpreendido pela mãe, que entrou com um bolo no meio do palco pra cantar parabéns.

Na apresentação que a gente acompanhou, deu pra ver de perto como Vitin se transforma quando sobe no palco. De menino tímido, com cara de bom moço e que até dá umas gaguejadas, o MC vira um artista que canta, dança, pula e balança o cabelo com uma energia que domina todo mundo. O cantor foi recebido com muito carinho pelos fãs, que sabiam de cor todas as músicas autorais e fizeram fila pra tirar foto com ele no final do show. Desde a abertura, com “Poucas ideias”, o MC conseguiu segurar o show inteiro no alto e mandou até uma versão funk de Marília Mendonça. O som que mais agitou o público foi “Vou fazer um vídeo seu”, que é a cara do funk de BH e tá bem estourado nos bailes e nas redes sociais. Além das músicas próprias, Vitin tem um repertório eclético e mistura funks de BH, do Rio e de SP.

Essa energia surpreendente rompeu barreiras e o MC Vitin LC já foi chamado pra fazer shows em outros estados, além de ter as suas músicas cantadas por MCs de outras cidades. “Nossa, eu nunca imaginei chegar em outro lugar onde a gíria é totalmente diferente e, tipo assim, eles ouvem nossas músicas. É muito incrível você chegar num lugar que você não conhece ninguém, não é acostumado com nada, e o pessoal tudo te conhece”, conta. Vitin já se apresentou em Santa Catarina, em terras gaúchas e também gravou músicas e clipe em São Paulo.

O futuro do MC Vitin LC

Na cena de BH, Vitin observa que pra fazer sucesso tem que falar de putaria. “Acho que todo MC que tá começando hoje em BH começa pela putaria criminosa, porque o jovem hoje em dia, mesmo não sendo do crime, gosta da regalia que o crime dá. Então eles se espelham em tudo que fala de crime e sexo.” Mas já ele, que se define como eclético, prefere ser sutil na safadeza: “Eu não canto muita putaria, eu gosto de cantar uma putaria escondida, uma putaria sem ser explícita. Tipo uma ‘poucas ideias, tapa na bunda’, entendeu? Eu sou assim, gosto de ser eclético mesmo, eu lanço uma coisa mais Brasil, mais light, que dá pra ouvir com a família, e depois solto uma que já é pra ficar no baile e mexer o ombrinho, mexer o bumbum…”

O último lançamento do Vitin LC foi a música “Preconceito bobo“, que é mais light e fala sobre um caso de racismo que o MC sofreu pela família de uma ex-namorada. Agora, o MC se prepara pra lançar uma homenagem ao baile do Subaco das Cobras, que promete ser um som pesado. A prévia de Subaquistão, música que o Vitin fez com o DJ Swat, está disponível no Instagram do cantor e tem mais de mil comentários de fãs pedindo pra ele soltar logo.

Por fim, o MC que começou meio tímido e ralou muito até chegar ao ponto de ter clipes com milhões de visualizações e de ser reconhecido na rua mesmo quando tá sem o penteado que é sua marca registrada, conclui: “A parada é você focar no seu sonho, porque o de amanhã você não sabe. Se você tiver focado no seu objetivo, ralando certinho, fazendo suas músicas, uma hora vai.”

Acompanhe MC Vitin LC nas redes: Instagram

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DJ e Produtora, Ray Lais apresenta as produções de funk das minas

O funk tem poucas DJs e produtoras mulheres, mas esse cenário vem mudando com a luta e persistência de novas artistas. No Rio de Janeiro, a DJ Iasmin Turbininha se tornou um dos ícones da nova geração do 150 BPM. Em Belém, a DJ Meury vem fazendo sucesso com o seu tecnofunk (uma mistura do tecnomelody paraense com funk). E em Belo Horizonte outra mina vem conquistando espaço com suas produções: a DJ Ray Lais, que está estourada com a música “De 38 Carregado”, da MC Dricka. Em apenas uma semana o clipe já acumula 2,6 milhões de visualizações.

Ray Lais tem 20 anos e entrou no funk em 2016, quando tinha apenas 17 anos. Na época ela morava no bairro do Planalto, Zona Norte de BH, e decidiu virar DJ quando passou a frequentar algumas festinhas e resenhas regadas a pancadão. “Falei pros meus amigos que queria virar DJ e eles já falaram pra começar a produzir, porque não tinha nenhuma mulher em BH que produzia nem nada. Alguns amigos me ajudaram a produzir e aí fui aprendendo”, conta.

Ela começou fazendo montagens que estouraram nos bailes de favela da cidade. Depois, em novembro de 2017, fez sucesso com a música “Menina da Zona Sul“, do MC Kaio e MC Rick, dois dos maiores MCs da nova cena funk de Belo Horizonte. “As montagens estavam tocando bem mas essa música foi a que explodiu mesmo”, diz Ray.

Mas a caminhada não foi fácil. Meses depois de “Menina da Zona Sul”, em 2018, Ray engravidou com 18 anos e passou por uma série de problemas pessoais com a família. “Eu parei. Não tava produzindo direito e show tava fazendo só às vezes. Não sei se cheguei a entrar em depressão, eu só sei que eu não tinha forças pra nada. Soltava uma música ou outra, desanimada. Não tinha muito ânimo, não vinha ideia na mente”, recorda.

Além dos problemas pessoais, Ray Lais diz que enfrentou muito preconceito. “Ainda tem gente que fala que eu não produzo. Acho que as pessoas não aceitam pelo fato de ser mulher”, critica. “Eu vejo que tem muita mulher que quer produzir, mas é muito difícil lidar com o preconceito e tudo mais. O que eu vi dessas mulheres que falam que produzem param no meio da carreira”.

Com o apoio dos fãs, a DJ foi superando as dificuldades e se reergueu. As críticas e o preconceito de pessoas que zombam de seu talento acabaram virando combustível para música. Em “38 Carregado”, Ray colocou na música um áudio de um cara debochando dela dizendo que “essa muié aí nem produz, só coloca o nome na música e compra a música”. “Um amigo meu me mostrou o áudio desse menino. E eu decidi colocar na música. Depois o menino falou que era brincadeira, foi no meu show e até pediu pra tirar foto”.

Quem canta “38 Carregado”, maior sucesso de Ray, é a MC Dricka, de São Paulo. O papo entre as duas começou pelo Instagram e depois rolou o encontro em BH, quando Dricka passou lá para gravar algumas músicas. A princípio, foi gravar com o DJ João da Inestan. Mas Ray chamou a cantora para dar uma passada em seu estúdio. “Ela foi na minha produtora e gravou três ou quatro vozes exclusivas pra mim. Uma delas foi essa do “38”. Eu nem imaginava que ia estourar. Fiz a produção e soltei só a prévia e já tava estourada, todo mundo comentando”.

A música está começando a chegar nos bailes de rua de São Paulo, mas já toca muito em Belo Horizonte e já teve até duas versões bregafunk em Recife — uma dos MCs Augusto e Joãozinho com O Brutto e Tinho do Coque e outra de Vitinho Polêmico. Para Ray Laís, o sucesso aconteceu por juntar duas mulheres de duas cenas diferentes. “Acho que estourou pelo fato da gente ser mulher, e aí já fecha do lado contrário dos homens. O que os homens fazem contra as mulheres, a gente faz contra eles. Aí se juntou as quebradas de São Paulo e BH e explodiu”.

Aproveite para acompanhar o trampo da Ray Lais nas redes: Instagram // Twitter // Facebook // SoundCloud

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“É o Fluxo” – Uberlândia(MG)

Continuando a falar sobre o movimento de funk em Minas Gerais, encontramos o documentário “É o Fluxo”, que apresenta o movimento de funk da cidade de Uberlândia. Os diretores Roberto Camargos e João Augusto, gravaram o documentário – que serve muito mais de registro histórico da cidade e do movimento – enquanto alunos da faculdade UFMG. Com a determinação de entender a cultura, os problemas e o sonho dos MCs, o documentário, uma câmera na mão e uma idéia, a dupla registrou um momento do funk em Uberlândia.

Você pode entender mais da história do funk de minas por esses dois textos: Momento atual e Começo do movimento.

Diretores: Roberto Camargos e João Augusto Neves

Ano: 2015

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Do baile da Vilarinho ao cavaco do Delano: uma história do funk mineiro

“Para falar a verdade, não houve primeiro contato meu com o funk. Houve primeiro contato do funk comigo”, diz o DJ Joseph. Mineiro de 52 anos, ele é um dos nomes envolvidos nos primórdios da cultura funk em Belo Horizonte. “Quando a gente começou a cantar, a fazer rap no Brasil, ainda não existia esse funk nacional. O que havia era alguns grupos no Brasil inteiro fazendo hip-hop. O rap tinha chegado, tinha bombado e a gente tava fazendo aqui no Brasil o que eles estavam fazendo lá no Bronx, nos Estados Unidos”.

No final da década de 1980, o Brasil estava assimilando as novidades do hip-hop e de vertentes da música eletrônica dançante, como o miami bass, o electro e o latin freestyle (também chamado de melody). Partindo das diversas influências internacionais, MCs e DJs buscavam uma identidade própria para seu som. De acordo com Joseph, foi a partir do carioca DJ Marlboro e sua série de discos Funk Brasil (1989) que o funk passou a ter uma cara nacional, com letras em português que falavam diretamente com o povo e influenciaram a todos.

Os bailes já aconteciam há algum tempo em BH desde o fim dos anos 1980, normalmente em quadras esportivas que nos fins de semana viraram o espaço de festa. Um dos maiores é o baile da Vilarinho, que existe desde 1982 no bairro de Venda Nova, Zona Norte da capital mineira, e continua na ativa. Os artistas locais já se apresentavam nessa festa, mas foi só nos anos 1990 que os funkeiros de BH apareceram para o Brasil.

O grupo Protocolo do Subúrbio representou a cena de BH com a música “Tonheta” no LP Funk Brasil Volume 2 (1990), do DJ Marlboro. No Funk Brasil 3 (1991) foi a vez do União Rap Funk com duas faixas: Melô da Paula e Dulcenira. Diante do crescimento do funk na capital mineira, a loja de LPs Black and White – localizada na Praça 7, centro da cidade – percebeu que estava na hora de lançar um disco de rap/funk totalmente produzido em Belo Horizonte. E assim surgiu Fábrica Ritmos em 1992, um marco do funk mineiro.

O LP foi produzido por três mãos: DJ Joseph, DJ A Coisa e Marcelo (integrante do União Rap Funk) com uma bateria eletrônica R8 e sintetizador W30, ambos da marca Roland. O álbum “Fábrica Ritmos” foi o primeiro disco a apresentar os MCs belo-horizontinos em um momento em que rap e funk eram tão próximos que se confundiam. “Não era um disco especificamente de funk, mas refletia essa época. Tinha miami, tinha house, tinha hip-hop. Tinha de tudo no disco. A gente achava que fazer um disco mais abrangente seria mais legal, uma música que agradasse a gregos e a troianos”, explica DJ Joseph, um dos produtores. “Foi um disco que marcou época, com certeza. Mas esse lance de fazer vários estilos no mesmo disco foi um equívoco nosso”. Um clássico daquele LP era a maliciosa “Pistola do Sargento”, do Evandro MC.

Desde então o funk só cresceu. Joseph lembra que o ano de 1992 foi o ápice: “Tinha baile para tudo que é lado, que nem no Rio de Janeiro. Devia ter cerca de 700 festas por fim de semana só em Belo Horizonte”. Em 1997, a Black and White lançou um outro álbum emblemático: “DJ Normandes Apresenta Hip-Hop Hits”, de outro pioneiro do movimento, responsável pelas primeiras festas de renome e pelos primeiros programas de funk, primeiro em rádios piratas e depois na FM Extra. Infelizmente, Normandes faleceu em 2009, mas deixou vários CDs gravados e uma legião de admiradores, que fazem festas em sua homenagem. Todos os funkeiros da antiga ainda o chamam de mestre. É possível baixar em MP3 as músicas que ele tocava na rádio aqui e aqui e conhecer o legado mineiro.

A INFLUÊNCIA DO RAP

O funk e o rap desenvolveram sonoridades bem distintas, mas em Belo Horizonte, conhecida como a terra do “funk consciente”, sempre foram muito próximos. Os Racionais MCs costumavam fazer show em BH e são citados como referência por diversos artistas locais, como o MC Jefinho, um dos nomes mais populares dos período entre o fim dos 1990 e primeira metade dos 2000, tanto em carreira solo quanto em dupla com o MC Léo (de 2000 a 2004).

Jefinho conheceu o funk na época dos melôs, mas sempre teve o hip-hop como influência. Estourou músicas na linha do consciente (“Moleque Correria” e “Lembranças“) e outras românticas (“Rebelde” e “Perfil“). “De BH eu ouvia SOS Periferia e de fora era muito Câmbio Negro, Racionais MCs, Xis, Doctor MCs, Visão de Rua, Rappin’ Hood e o grande Sabotage. Eu queria cantar. Qualquer coisa. Sou muito melódico, me achei nas melodias das músicas. Componho de tudo: pagode, sertanejo, gospel, rap. Mas me achei no funk”, diz ele, que também escreveu músicas que estouraram na voz de MC Caçula (“Segunda Chance“, “Amor de Mãe“), Menor do Chapa (“Papo de Milhão“), Yuri BH (“O Crime Não Presta“) e Nego Blue (“Solução Não é Problema” e “Chama os Mlk“).

Jefinho acredita que o funk do litoral paulista se encaixou bem em Minas e que isso exerceu uma influência no movimento mineiro, ainda que não tão determinante. A temática social e as letras com pegada rap dos funkeiros da Baixada Santista caíram no gosto de Belo Horizonte. As duplas Careca e Pixote, Bola e Betinho, Totto e Kbça e Danilo e Fabinho contavam com um público fiel na terra do pão de queijo. “Baixada era hino lá, nóis era rei lá [sic]. O consciente lá era f*da e ainda é. O público era um só, BH e Baixada”, diz o MC Danilo Boladão, que retomou há dois meses a parceria com Fabinho e já tem show marcado em BH.

“Quando a gente ia pra lá era mais rap tocando nos carro. Os bailes eram mais nos lugares periféricos. O funk era dentro de uma casa alugada, era numa quadra pequenininha, num barzinho. As casas grandona era só pagode e axé”, comenta Danilo, que tocou lá pela primeira vez em 2004. Porém, em 2006 ele encontrou uma situação bem diferente: “O bagulho foi evoluindo. Depois eu voltei lá e começou a expandir. Nos carros rolava funk, as casas de show já começaram a fazer funk também, fomos cantar mais no centro. Os caras ralaram e têm história”, diz, citando o trabalho dos DJs Treb Pesadão e Lebão (por muitos anos o DJ residente da Vilarinho).

Além de Jefinho e Léo, os MCs Tom e Jr., Moscão, Caçula eram os nomes fortes da cidade nos anos 2000. O MC Papo começou a curtir funk em 1996 e diz que a música Cobra Coral, de Tom Jr., foi um fenômeno local. “Foi o primeiro som de BH que todas as quebradas, todo mundo cantava. Ultrapassou o bairrismo. Inclusive eu tatuei ‘31 Cobra Coral’ no meu peito”, diz Papo.

O funk de Belo Horizonte delineou uma personalidade própria em termos de letras, mas por muito tempo o seu som era basicamente uma reprodução daquele consolidado em território paulista e carioca. MC Papo foi o primeiro cara a sacudir as estruturas e propor novidades. “Futuro Ex-Pobre” (2006), seu primeiro disco, era típico do funk mineiro, com músicas como “Eu Pixava Sim (Lembranças de Moleque)“. Já no álbum “El Magrelo Volume 1” (2009) ele rompeu com tudo e aproximou-se do reggaeton, um ritmo latino que é mais lento, suave e suingado do que o tamborzão.

Maior hit de Papo, “Piriguete” foi produzida pelo decano Joseph, que até então não conhecia nada de reggaeton. Papo ri ao lembrar a reação do parceiro quando lhe explicou o tipo de som que queria fazer: “Ele disse que eu era doido, que não ia funcionar, que a galera aqui gostava de funk ou de funk. Aí quando explodiu ele me disse: ‘Que bom que você não segue meus conselhos”.

Apesar do sucesso em todo país, Papo diz que a recepção da música em sua cidade natal “foi nula” e que a música fez sucesso no Norte e Nordeste, mas não em Minas. “Nenhum dos meus amigos DJs quis tocar porque não era 130 BPM. Todos me chamaram de louco”, explica. “E aí seis meses depois eu tava fazendo shows no interior do Pará e do Tocantins. Daí o bagulho foi se espalhando por todo o país”.

Para ele, o funk em BH ainda é muito conservador e rejeita mudanças. “A galera é bem tradicional. Eu sou uma exceção. Eu fazia o negócio misturado com reggaeton porque eu sou doido mesmo. Escutava uns negócios de fora e achava aquilo da hora. BH é muito tradicional, por isso a gente demorou para sair do freestyle, do consciente”, analisa.

Jefinho vai além e diz que os mineiros não reconhecem as suas próprias inovações. “BH aceita tudo que não é de BH, e o Papo por ser um cara muito antenado trouxe essa visão há muito tempo mesmo. A galera de BH só absorve se vier de fora. Vão para onde o vento sopra”, crítica.

Quase dez anos depois das misturas de Piriguete, Anitta, Simone & Simaria, Ludmilla emplacaram em todas as rádios do Brasil com músicas no ritmo de reggaeton. O DJ Marlboro está prestes a soltar o disco Raggafunk Brasil e até Michel Teló entrou na onda latina. E o funk com levadas de cavaquinho do jovem MC Delano também virou mania em todo o brasil. Papo conclui: “O funk mineiro custa a mudar, mas quando ele muda é para criar tendência, porque o bagulho é bão mesmo”.

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Entenda a evolução do funk de Minas Gerais

É o beat, o grave, o pandeiro e o cavaquinho”. Foi com essa receita que o MC Delano apresentou o funk de Minas para todo o Brasil. Multi-instrumentista, produtor e cantor, o mineiro de 20 anos nasceu em uma família de músicos e desde cedo mostrou seu talento. Toda sua experiência musical lhe serviu de base para os mega hits de 2015: “Na Ponta Ela Fica” e “Devagarinho”. Mas Minas Gerais não se resume apenas a um artista, temos também MC Jefinho BH, MC Papo, MC Rick, MC Caçula, Yuri BH e para ilustrar o movimento mineiro, o Portal KondZilla te explica como isso aconteceu e quem são os nomes fortes do movimento.

No âmbito nacional, os sucessos do MC Delano ajudaram a colocar Minas Gerais no radar do funk. Mas o impacto renovador para a cena mineira, que por anos teve funk nas periferias e era dominado pela vertente “consciente” e pelas batidas do Miami Bass e Melody, aconteceu agora com Delano e outros artistas. “Havia uma necessidade de fazer algo mais popular, mais atual. Delano veio do samba e teve uma sacada muito foda com o cavaco”, elogia o veterano MC Jefinho BH, da dupla Jefinho & Léo e autor de hits dos artistas: MC Caçula (Segunda Chance, Amor de Mãe) Menor do Chapa (Papo de Milhão), Yuri BH (O Crime Não Presta) e outros .

Atualmente o que pega em MG é a putaria, um dos principais nomes da capital é o MC Rick. “Acho que o som foi virando mais por causa dele [Delano], que começou com essa pegada aí. Ou talvez não foi ele que começou, mas o que mais estourou foi ele. Aí todo mundo veio com essa pegada e foi mais gente estourando e estourando, foi se atualizando”, destaca Rick, cujo maior sucesso da carreira (Sarrou, Gostou, de 2014) foi produzido por Delano.

Outro veterano do funk mineiro, MC Papo, vê o momento como um símbolo da mudança de espaço e de público do funk de Belo Horizonte. “Antes o funk era muito Zona Norte e os bailes eram em clubes e quadras. O funk já era uma cultura por aqui”.

“O que surgiu foram os bailes de favela, que começou agora, recentemente, quando a galera da Zona Sul entrou pro funk. Antes, era uma galera que na época (o pessoal em 1996 e depois o pessoal em 2005) não era do funk, era do pagode, do samba, do forró. Curtiam outros bagulhos. E aí, de uns cinco, seis anos pra cá esse pessoal começou a entrar pro funk”, diz, explicando que a Zona Sul é a região nobre da cidade (com bairros como Savassi, Belvedere e Lourdes), mas, paradoxalmente, também é onde estão as maiores favelas, que são bem próximas.

“Foi aí que começaram a surgir os bailes de favela, porque as favelas da Zona Sul são de maior porte e têm muitas pessoas frequentando que não são da favela deles. Na Zona Norte, a galera é muito bairrista. Quem é do Índio [na região da Pampulha], só vai no Índio, não fica indo na favela dos outros. E na Zona Sul tem muita gente de outras favelas que vai pra lá. Essa galera começou a fazer um movimento lá dentro das favelas, e como as favelas são muito grandes o movimento pode rolar solto. O acesso é mais fácil, mais próximo do centro, tem muito ônibus”, detalha Papo.

Inicialmente os bailes de favela ganharam força no Aglomerado da Serra, um enorme complexo composto por seis vilas e cerca de 80 mil habitantes na Zona Sul de BH, sendo um dos maiores conjuntos de favelas da América Latina. Mas hoje as festas se espalharam e há bailes de grande porte também na Zona Noroeste (como o do Subaco das Cobras, no bairro da Califórnia) e até na Norte (o famoso baile da Inestan, no bairro de Cachoeirinha), onde estão os tradicionais bailes de quadra.

E foi desses bailes nas quebradas que emergiu uma sonoridade totalmente nova: no lugar da batida grave do tamborzão, os DJs e produtores investem em arranjos mais espaciais e minimalistas, com maior destaque para o tons agudos, com um ritmo lento e cheio de reverb.

Não se sabe ao certo quem começou com esse som, mas o estilo é farto de hits locais, como “Viciei Nessa Garota” (do MC Dennin com produção dos DJs João da Inestan, TG da Inestan e Lukinhas da Inestan), “Raimunda” (de MC Rick com Everton Martins e DJ Cheab), “Onde as Piranhas Nascem” (de L da Vinte com DJ Swat e Gui Marques), “Da Maconha Eu Não Largo” (MCs Kaio, Zilu e GD com Swat e Marcus Vinícius), Nós é Bandido Vida Loka (MCs L da Vinte e AK com DJ João da Inestan e DJ TG) e “BH É Nóis” (Rick e Didi com DJ PH da Serra).

De todas estas faixas, “Viciei Nessa Garota” é uma das mais visualizadas, no Youtube e SoundCloud, e também teve divulgação pelo Detona Funk. A música é uma boa introdução ao novo som de Minas: uma flauta que desenha um melodia morna, um ponto minimalista e bem agudo. A batida tem um estranho som de vidro quebrando. No início há um sample que remete aos proibidões, mas no lugar de referências às facções de Rio e São Paulo, ele demarca a sua origem: “BH é nóis, sô. É Praça Sete, mané (…) Nóis nunca para, não, sô, nóis só dá um tempin”.

Ele é Bandido”, do MC Wellerzin com DJ Swat, e “Eu Quero é o Toba” (que tem os samples da música “La Españolita“do produtor de prog-trance Mandragora), do MC Rick com o DJ Cheab, são outras boas sínteses do novo som de Minas. A primeira é uma faixa melodiosa que lembra MC Livinho e faixas do atual R&B americano, mas o seu ritmo é muito esparso. A outra é uma putaria com uma série de beats difusos e um som atmosférico, bem ambientado.

Ninguém sabe dizer quem foi o pioneiro desse som, que ainda nem tem um nome definido – uns chamam de “garrafinha”, outros de “minimalista”, alguns falam apenas em “beat lento”. “Começou nas quebradas, só a favela tava tocando. Agora, graças a Deus, o público da classe alta aceitou esse ritmo aí e estamos fazendo baile até pra classe alta também. A boate abraçou”, explica entusiasmado Rick. “Outras cidades também abraçaram e estão procurando a gente aqui de BH”.

Mesmo sem um criador e sem um nome definido, o estilo minimalista se espalhou e sua influência pode ser sentida em sons dos paulistas MC Lan, MC WM e MC Pesadelo.

Contudo, o funk das favelas de Belo Horizonte sofre com a repressão da polícia. Organizadores e frequentadores dos eventos relatam invasões e fechamentos dos bailes pela polícia. “Há uns três anos temos esse formato de fluxo, parecido com o de São Paulo. Cola um carro de som e cola multidão. Os bailes bons costumam ter seis mil pessoas”, explica Kdu dos Anjos, MC e gestor do centro cultural Lá da Favelinha, uma das sete vilas que compõem o Aglomerado da Serra.

Os funkeiros de MG são resistentes e prosseguem o movimento como podem. “Vários bailes são fechados. Só que a cultura não morre, porque a juventude quer bailar”, celebra Kdu. O DJ Swat completa: “Estão fechando praticamente todos os bailes. Eles chegam jogando bomba, dando tiro de borracha em geral. Mas como diz a nossa frase: ‘nóis nunca para, só dá um tempinho’”. E para fazer o baile estremecer, MC Rick acaba de lançar a promissora “Claudete”: “Como as produções das minhas músicas mais estouradas foram do DJ Vinicin do Concórdia, Everton Martins e DJ Cheab, aí eu chamei os três pra produzir essa. É pra estourar mesmo!”.

https://www.youtube.com/watch?v=KiurMPSIm_Q

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