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A união do funk com o sertanejo pra combater a bad

A junção do sertanejo com o funk não é uma novidade. Se a gente for parar pra pensar, existem várias parcerias, tipo “Ta Tum Tum“, do Kevinho com a Simone e Simaria; “Vai ter que Aguentar”, de Don Juan e Maiara e Maraísa; e vários outros hits. Mas, em 2019, a galera começou a fazer uns remixes de modão mandelado, unindo a sofrência com a putaria. Nós trocamos uma ideia com a galera que está conduzindo essa cena pra entender mais sobre a tendência que não vai sumir tão cedo. 

Um dos canais que mais publica esse tipo de mistura é o Ritmo dos Fluxos, e o dono, TH, explica um pouco sobre a junção: “Esses remixes surgiram de uma forma geral no final de 2019. O pessoal escolhe um sertanejo que esteja estourado, pega bem o refrão de sofrência e mescla com o funk. A ideia é manter as características mais fortes dos dois”, comenta ele.

É muito comum que eventos grandes de funk tenham alguns artistas do sertanejo nas programações. Isso sem falar que os próprios DJs às vezes também lançam uma sofrência pra galera. Somando tudo isso com as parcerias já existentes dos artistas, era natural que os ritmos se fundissem ainda mais, já que o público é praticamente o mesmo. 

Alguns dos sertanejos mandelados têm números bem expressivos. Destaque para a versão magrão de “Na Conta da Loucura”, do Bruno e Marrone, que é um dos remixes mais bombados ultimamente. A junção, feita pelo DJ Lucas Beat – outro cara que vem se destacando nesse fronte, tem rodado no Tik Tok desde maio e já passa de 14 milhões de visualizações no YouTube. “A ideia surgiu depois que do remix de ‘Tuts Tuts Quero Ver’ deu certo. Fiquei com vontade de tentar outro”, conta Lucas. 

O produtor foi além. A mistura do sertanejo com o rave-funk geralmente é assim: a música começa com o sertanejo, aí vem um corte e entram os MCs cantando. Já no remix do Lucas Beat, os ritmos se envolvem mais. “O que eu fiz foi baixar o BPM [batimentos por minutos] da música do Bruno e Marrone pra encaixar no beat magrão”, explica.

A música viralizou por causa das dancinhas das pessoas, mas o que ficou conhecido foi o começo da canção, que é a parte do sertanejo mesmo. Lucas lembra que grande parte da galera foi procurar o som inteiro no YouTube e nem sabia que tinha putaria: “O pessoal estranhou e comentava que preferia só a parte do sertanejo. Depois de um mês, acabei fazendo uma outra versão só de ‘Na Conta da Loucura’, remixado com funk, sem os MCs mesmo”. 

Ao longo desse mais de um ano, surgiram vários rave-funks misturados com sertanejo, muito remix com funk, e a tendência é continuar. TH se baseia em sua experiência com a Ritmo dos Fluxos para explicar o porquê dessa mistura ter sido tão aceita pelo público: “É difícil alguém que não escute sertanejo hoje, e o remixes pegam bem a parte da sofrência e une com a alegria do funk, meio que vem pra alegrar e trazer uma autoestima pra quem tá sofrendo”. 

Direito autoral

TH destaca que a grande parte desses remixes não são autorizados, ou seja, muitos DJs não têm a permissão de usar as músicas. “Muitos produtores soltam essas músicas sem monetização [sem ganhar nada por elas], porque às vezes eles nem querem ganhar dinheiro, fazem mais pra mostrar que é possível”. 

Por causa do direito autoral, alguns desses hits, que resultam da soma de sofrência com mandela, acabam saindo do ar. O que acontece é que os produtores e DJs que estão começando nem manjam sobre as leis de direitos autorais e acabam violando as regras, sem querer. “O mercado do sertanejo é mais organizado do que o funk. Muitas vezes, as gravadoras não entendem isso como falta de aprendizado. Acho que falta uma comunicação melhor entre as gravadoras e os produtores”, avalia. 

Mesmo assim, tem muita gente por aí que se diverte com os remixes, como é o caso do Bruno, da dupla Bruno e Marrone, que postou um vídeo dançando o “Na Conta da Loucura – Magrão”. “Eu achei que fosse tomar um processo ou coisa do tipo, mas não. Ele ainda postou um vídeo dançando”, comemora Lucas Beat. Outro caso recente foi o funkeiro curitibano Edy Lemond, que liberou sua obra pra um remix do DJ Lucas e aproveitou pra dizer que essas novas versões eram boas pra que outras pessoas pudessem conhecer a música dele. 

A união entre os estilos musicais, seja por meio de remixes ou parcerias, já tem dado certo há muito tempo, e artistas de diferentes nichos têm se abraçado mais. Ano passado, com o boom do rave-funk, surgiram muitos sons fazendo a ponte entre os ritmos, o que fez com que até o DJ Alok, um dos maiores do país, começasse a fazer feats com funkeiros, tipo o MC Ryan SP e o MC Hariel

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“Rave de Favela” mostra a união do funk e música eletrônica com MC Lan, Anitta e Major Lazer

Não chega a ser uma novidade nos fluxos o funk rave, novidade mesmo é a nova música do MC Lan, Anitta e Major Lazer, lançada hoje com direito a vídeo clipe gravado nós Estados Unidos. A música mistura o melhor do funk de favela, com o MC Lan, com a sensualidade da Anitta fechando com os timbres eletrônicos do grupo Major Lazer. Confira abaixo o resultado:

Essa não é a primeira vez que Lan experimenta lançamentos internacionais. No final de 2019, MC Lan lançou “Malokera” com Ludmilla, Ty Dolla $ign e Skrillex. Esse é mais um lançamento internacional do cantor que leva o espírito dos malocas nas músicas e letras.

Enquanto Anitta projeta uma carreira internacional há algum tempo, com músicas cantadas em espanhol e parcerias internacionais. Já o grupo Major Lazer, liderado pelo produtor musical Diplo, pega o melhor da música global em lançamentos pontuais. Essa é a segunda música do grupo com a Anitta, sendo o primeiro lançamento “Sua Cara” com Anitta e Pabllo Vittar.

Rave de Favela

O movimento é uma mistura de funk com música eletrônica. Há bastante tempo falamos dessa mistura que vem dando resultados e fazendo barulho nas pistas. MC Hollywood foi um dos pioneiros e tem o sucesso “É rave que fala” com Kevinho, no youtube há vários sets de “Rave dos Fluxos” chegando até o volume 4 e também já explicamos por aqui como os DJs de rua influênciam os bailes. Esse são fatores que levaram ao surgimento do movimento Rave de Favela.

Aproveite para conferir “Rave de Favela”, que está em todas as plataformas.

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MC Madan é sinônimo de megatron, fluxo e funk rave

Cria do megatron, Diego Vieira Marreiro dos Santos, vulgo MC Madan, tem apenas 24 anos e é morador do Bairro dos Pimentas, Guarulhos. MC Madan é dono de hits dedicados a favela, como: “Ibiza da Favela“, “Baile Funk Virou Rave“, “Rave do Sinalizador” e “Vrum Vrum Vral” na qual participa junto com o MC Lan e o mineiro MC Rick. Ao todo, o funkeiro já acumula mais de 5 milhões de visualizações (só no YouTube) em suas músicas. Prepara as umbrellas e vamos pra pista conhecer a história de mais um sonhador do movimento funk.

Faça com o que você tem em mãos nunca fez tanto sentido. Madan, que hoje é uma das novas promessas do funk paulistano, iniciou sua carreira gravando as músicas em um celular. “Comecei a fazer uns trabalhos em 2014, 2015 no celular mesmo. Era na época daquele V7, eu pegava o beat, gravava a voz no celular e desenrolava umas letras”. O que pouca gente sabe é que, além de MC, ele também é produtor. “Lá pra 2016 mais ou menos eu ganhei um notebook da minha mãe, aí que eu comecei fazer as primeiras produções, mas aquele notebook travava mais que tudo”.

Com muita persistência, o funkeiro jogou sua primeira música nas pistas. “Eu consegui estourar a música ‘Nóis Não é Famosinho‘ na minha quebrada”. Entretanto, como nada são flores na vida de um menor da quebrada e os momentos difíceis apareceram. Madan deixou o funk de lado por um tempo para cuidar da mãe. “Quando os trabalhos estavam começando andar minha mãe teve três AVCs. No mês seguinte, meu irmão foi preso por uma parada que ele não fez. Então ficou só eu pra tomar conta das minhas duas irmãs e da minha mãe doente. Ou eu continuava no funk ou cuidava delas, não tive outra opção. Abandonei o funk”.

Porque comigo? Essa era a pergunta de Madan ao universo. Revoltado, o MC não queria mais saber de música até ter a assistência dos seus amigos do megatron. “Eu não queria mais saber de funk, fiquei muito triste, tinha conseguido chegar em um status que muitos artistas queriam e abandonei tudo. Eu fiquei em casa desde 2016, quando aconteceu tudo, até agora, em 2018, quando eu comecei conversar com a galera do megatron e voltei a cantar”.

O caminho que seguiu na vida ausente do funk foi trabalhando fora dos palcos. “Nesse meio tempo eu trabalhei de tudo. Sempre gostei das paradas de design, então fui fazer umas montagens para casa de show, banner, flyer. Ajudava carregar carretas”. Esforçado, ele conquista um posto de confiança dentro de uma empresa de teleatendimento, o que auxiliava Madan a tocar as contas dentro de casa já que sua mãe se encontrava impossibilitada de trabalhar. “O que me ajudou bastante mesmo foi o telemarketing porque eu comecei como aprendiz e virei supervisor”.

Funk-rave e o preço da fama

Depois de passar muitos perrengues, MC Madan esta de volta aos palcos. Em pouco tempo, ele voltou a cena com “Ibiza da Favela“, se tornando um dos precursores da cena funk-rave. “Pra mim, a parada do funk-rave vem da animação do funk com a animação da batida eletrônica. Se juntar a intro de uma música eletrônica com a batida do funk dá tudo certo, as pessoas ficam esperando a parada vir fritando (que é a intro no caso) e quando vem, chega logo a batidona do funk. Então isso aí foi uma das chaves principais para montar esse novo gênero”.

Pro funkeiro, quem dita o as regras é a favela, os artistas só seguem a tendência. Não é à toa que a todo momento nascem novos talentos como o próprio MC Madan na cena. “A favela criou o mandelão. Se você reparar, todo ano o funk se renova e o estilo melhora”.

O talento pro funk de rua, somado ao momento do funk rave, levou Madan ao sucesso. “Eu sempre gostei de música eletrônica, então só uni o útil ao agradável. Não é à toa que todas as músicas que estou lançando são nesse estilo, fiquei conhecido como o ‘MC Madan das raves’. Na verdade mesclaram ‘Madan é sinônimo de megatron, fluxo e rave'”.

Por muito tempo a molecada da favela queria ser jogador de futebol. Hoje a profissão queridinha é a de MC. Por isso, assim como outros artistas, o cantor tem tomado cuidado já que é a inspiração para molecadinha. “O instagram é testemunha dos meus atos. Se eu for inspirar alguém eu quero inspira com coisa boas, para que lá na frente não tenha consequências de…. sei lá ‘O MC Madan canta putaria e é bem de vida’. Quero que as pessoas falem ‘ele não precisou somente disso para chegar aonde chegou’. Por isso eu estou diminuindo um pouco os palavrões, eu não preciso falar palavrão pra fazer um funk-rave mandelão”.

A fama vem, o interesse vem junto. Como separar os falsos amigos de quem realmente está correndo com você? Madan filtra suas amizades e novamente se pega meio perdido. “É difícil separar quem é de verdade e quem é de mentira. Às vezes a pessoa coloca uma roupa de coelho e você vai achar que é o lobo? Não dá né. Então eu tive que rever muito as minhas amizades, até dei uma chapada nisso, todo mundo que chegava para falar comigo eu achava que era interesse”.

Nada é por acaso. Entre fins e recomeços, decisões difíceis a serem tomadas, o trabalho duro no telemarketing, aprender a filtrar suas amizades e o encontro com os meninos do paredão Megatron, MC Madan amadureceu e se encontrou de vez no funk-rave, sendo hoje uma das promessas do funk paulistano. Histórias como a do funkeiro, nos ensina que tudo tem um preço a ser pago, principalmente o sucesso. E aí, você está disposto a pagar?!

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Como DJ GBR e DJ Tezinho criaram o Projeto Rave dos Fluxos

Nesse ano, DJ GBR, DJ Tezinho e outros produtores que já te apresentamos começaram a estourar em festas universitárias e bailes de favela, conquistando todas as classes sociais com uma mistura mais dura, porém de bom agrado, dessa junção de música eletrônica e funk que vinha sendo discreta até agora. Com cada vez mais trabalhos, músicas lançando e um movimento se formando, o Portal KondZilla te explica melhor esse momento do funk chamando de funk-rave.

Pra começar, vamos te falar do Projeto Rave dos Fluxos, esse é o som de maior sucesso dos produtores GBR e Tezinho. A música, que já tem até a parte 3, foi lançada em maio deste ano e a primeira parte tem mais de 4,1 milhões de visualizações no YouTube.

Nesses últimos tempos, o sucesso do funk-rave virou febre nos bailes em São Paulo, chopadas e jogos universitários, contando com participações dos principais MCs da cena, como MC GW, MC Kitinho e MC Rick.

Estes trabalhos foram planejados por TH, DJ Tezinho e DJ GBR, mas o que não estava nos planos deles era virar referência para uma nova sonoridade no funk. “Eu nunca imaginei que estaria onde estou no momento, é um sonho sendo realizado, pois nunca botei fé que esse estilo andaria tanto assim”, fala DJ GBR que é considerado um dos pioneiros do movimento.

O funk-rave, ritmo que mistura eletrônica com funk, têm sido implementado em vários hits que estão nas paradas principais e promete ser a próxima febre do momento. Recentemente, Kevinho e MC Hollywood lançaram “É Rave Que Fala Né”. O clipe, lançado há 5 meses, já tem mais de 20 milhões de visualizações. Aliás, Hollywood vêm apostando no ritmo há bastante tempo, por exemplo em “Tipo Rave Balança o Popô“, que está com 8,9 milhões de visualizações.

O trabalho feito pelos dois DJs no funk-rave se difere bastante do que os cariocas fazem com o 150BPM e até mesmo do miami bass, que influenciou o começo do funk carioca. O que antes era trazido somente como referência, hoje é feito com os próprios samples, ou melhor, pontinho das músicas eletrônicas. O som sempre começa com um grande hit de eletrônico e, na hora do drop, o público é surpreendido por uma batida de funk sonoramente metalizado e agressivo.

Projeto Rave nos Fluxos estourando no baile.

No entanto, GBR ainda não acha que está fazendo “sucesso”, mas que está no caminho certo. Já aos 12 anos, Gabriel Henrique Nogueira começou a se interessar pelo universo da produção musical. Ele praticava fazendo sons amadores para MCs da sua cidade em São José dos Campos, no interior de São Paulo, e começou a treinar mixagem de sets.

Gabriel começou a praticar com música eletrônica porque pensava que seria mais fácil de aprender. Por gostar muito do funk e já produzir para os MCs de sua cidade, ele começou a pensar se os dois ritmos não dariam um bom casamento. “Até hoje, eu sempre tento achar uma música em que a galera fica na espera do drop, depois vou fazendo o beat de acordo com as notas”, explica o DJ de 17 anos. Essa sacada conseguiu juntar dois públicos diferentes, mas que trazem a semelhança do gosto pela ritmo acelerado e graves pesados.

Já o grande sonho de DJ Tezinho, na verdade, era ser MC. Por conta da falta de grana, Tezinho começou a produzir suas próprias canções. Depois de uns anos, o controle do DJ de ter a sonoridade, batidas e o público das festas o pegou. Parou de cantar e se dedicou somente a isso.

Natural da zona leste de São Paulo, enquanto criança ouvia funk, mas também sempre curtiu a música eletrônica, assim como GBR. Somando sua vivência de quebrada com seus gostos musicais, anos depois criou, juntamente com seu empresário e do GBR, o Projeto Rave dos Fluxos. “O funk sempre foi mesclado por vários ritmos, incluindo eletrônica. Depois do 150 BPM, criei mais expectativa da rave no funk”, admite Tezinho.

Para GBR, o casamento entre essas duas vertentes foi perfeito. “O funk tem espaço pra tudo. É um ritmo que se você souber samplear algo que fique bom, a galera vai aceitar. O público do funk gosta de novidades, o importante é fazer todo mundo dançar.”

Com o sucesso, ambos os DJs realizam uma média de 30 shows por mês, tanto para o público universitário, quanto em bailes.

As famosas umbrellas, que surgiram nas raves, também foram pro baile.

Depois do MC Fioti no Tomorrowland, o caminho para a gringa se aproxima dos sonhos do produtor. “Meu foco tá sendo fazer as turnês levando esse estilo para todo canto do país, e em breve quero levar para o mundo”, projeta GBR, que já tocou em estados como Tocantins, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

A real é que a junção dos samples de DJ com a característica do funk casam desde os passinhos, até a agressividade do grave. Entre ruas, paredões e festas universitárias, DJ GBR, DJ Tezinho e até o MC Hollywood estão renovando o funk de São Paulo. “O nosso objetivo com o projeto é chegar a lugares onde nem conseguimos imaginar, levantar a bandeira rave-funk e sempre nos capacitar pra melhorias de todas as formas”, completa Tezinho.

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MC Hollywood conta sobre o momento funk-rave

Se você acompanha a KondZilla você deve tá ligado no MC Hollywood, já que ele tá na cena já tem um bom tempo. Do mandelão, o MC é um dos nomes certo quando falamos de funk de rua e de fluxo. Os sucessos que colocaram ele no radar do funk foram: “Bebendo e Fumando” (4 milhões de visualizações) 2017 e “Rapidamente Treme o Bumbum” (34 milhões) 2018. Agora, em 2019, o MC se joga na novidade de funk-rave. Se liga no papo que nós do Portal KondZilla tivemos com o MC. Nesta quinta (21), o Holly lança “Rave Que Fala”, parceria com o Kevinho. Essa é a segunda aposta do MC de funk-rave. Em 2018, ele lançou “Tipo Rave Balança o Popo”.

“Hoje to mais focado no rave-funk e querendo entrar nesse mercado, mas o que rola é o seguinte: pro povo que curte, rave e eletrônica é tipo uma religião, aí o funk ainda é discriminado porque os funkeiros que não tem criatividade pega as bases ou uns samples e bota uns palavrões em cima. Aí queima”, explica MC Hollywood. “Eu já faço de outro jeito, pego a referência e eu e o RD mudamos tudo, não usamos palavrão. É outro segmento.”

Holly aposta que a parceria com Kevinho pode ajudar o funk a achar seu caminho no mercado de rave. “Pode dar uma ajuda, até porque não colocamos palavrão, é uma música alegre. A gente não quer mudar o mercado, só mostrar que pode ser uma junção boa, tipo o sertanejo com o funk ou o funk com o rap. Música é música.”

Além de ser uma música alegre, “Rave Que Fala” ainda mostra as mina da terceira idade mandando o passinho, inclusive as mães de Kevinho e Holly. Ele conta que no começo, a mãe dele nem sempre apoiou a escolha do filho de seguir no funk. “Pelo fato de vir de uma origem pobre, sempre quis ser jogador de futebol, mas nunca tive apoio porque sempre foi máfia. No funk, nunca tive apoio familiar porque minha mãe me criou pra ser um cara honesto, não prejudicar as pessoas e trabalhar, aí naquela época, pra ela, o funk era só aventura, mas sempre foquei trabalhar no funk. Apoio assim eu nunca tive, mas ela sempre ajudou quando faltava dinheiro pra ir pro estúdio, me dava comida e amor, não era no sentido de: ‘vai pra cima'”.

“A gente tem que dar orgulho pras mães, não desgosto né? Foi sofrido pra ela me criar, ainda mais sozinha”, relembra ele. “Agora é diferente, né? Ela vê como tá agora e fica feliz”.

Sobre o funk paulistano, para Holly, o mais massa da cena é a criatividade. “Os caras criam música com tudo, com meme, com referência de outros sons, e tal. Mas o que mais me marcou mesmo foi o megatron, tanto que eu fiz a ‘Megatron tá Como'”.

“O funk de São Paulo aceita todos os estilos: veio o de Minas Gerais, do Rio, do Espírito Santo, e referências de outros países”, explica o MC sobre o momento atual do funk paulistano. “Tipo, hoje uma das mais tocadas aqui é “Parado no Bailão”, que é de Minas. Aqui não tem preconceito, se a música é boa, vai tocar.”

Falando em música boa, se você ainda não se liga muito no funk-rave, fica esperto que nesta quinta (21) chega “Rave Que Fala”, single dele com o Kevinho, que vai ser hit na certa. Para 2019, Hollywood ainda tem muita coisa na manga, e “Rave Que Fala” é só o começo. “Vai rolar muito som bom, muita parceria com os artistas da casa, que é surpresa. Não to pensando em nenhum estilo específico, comigo é assim: a ideia vem e eu faço. Não tem essa de planejar”.

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Mais próximo do eletrônico, surge o movimento funk-rave

Desde às origens, o funk tem influência de vertentes da música eletrônica global, como o miami bass, o electro de Chicago e o latin freestyle. Os DJs brasileiros beberam dessas fontes para criar sua própria batida, com um suingue tipicamente brasileiro — como os toques inconfundíveis de percussão afro do Tamborzão. O que acontece agora, quase 20 anos depois da criação da batida brasileira, é que o momento da música eletrônica de periferia é outro. Pra entender mais dessa tendências, bora ver alguns exemplos dessa aproximação na matéria do Portal KondZilla.

Vivemos o tempo das enormes festas de EDM (sigla em inglês para Música Eletrônica Dançante [Eletronic Dance Music]). Alavancado por estrelas como David Guetta, Calvin Harris, Tiësto, Avicii e o brasileiro Alok, esse tipo de sonoridade vem tornando-se referência de muitos produtores e cantores de todo o Brasil, em diferentes movimentos da nossa música periférica. Além disso, uma nova geração de produtores cariocas inovaram novamente trazendo a batida em 150BPM, quebrando com o formato de produção do funk carioca e também reinventando a batida carioca, que era em 130 BPM.

Ainda no Rio, aristas como a DJ e produtora Iasmim Turbininha, inspiraram o público e os produtores na aproximação de festas raves. Na música “Turbininha vs Baile do Jaca”, que ela incluiu no “podcast 009 — Todos os Ritmos”, temos um bom exemplo dessa proximidade de gêneros até então, distintos. Outro envolvido nessa história é o DJ Rogerinho 22, que por sua vez, remixou a música “Chuva”, hit psytrance do DJ Chapeleiro, acrescentando o sabor do famoso sample “Baile do Jaca”. E também o próprio Polyvox colou no estilo, variando as suas atabacadas com batidas, pontos e efeitos da eletrônica no “Polycast na Velocidade da Luz”.

“A ideia de misturar funk e eletrônica surgiu na rave. Achei os pontos e os timbres fodas demais e a velocidade me chamou atenção. Aí gostei tanto que procurei misturar em minhas músicas”, explica Polyvox.

Distante do calor carioca, no Sul do Brasil um novo movimento também vem bebendo das batidas da música eletrônica: o mega funk. Muito popular no Paraná e, principalmente, em Santa Catarina, o estilo é uma de evolução do antigo “Eletro funk” cheio de sintetizadores que ficou famoso no começo dos anos 2010 com o Edy Lemond e a MC Mayara.

Pra você sacar a diferença desses movimentos do Sul, separamos o conteúdo do DJ e produtor curitibano Matheus PR, que lança mixes mensais desse estilo em seu canal no YouTube. “O mega funk é bem parecido com o eletro funk, porém existe uma pequena diferença entre os dois: o mega funk é normalmente mixado somente a partir do refrão com vários estilos de bases house, eletrônica. Já o eletro funk é mixado desde o começo, como fazia o DJ Rodrigo Campos. O mega funk está vivendo um momento no Paraná e é comum encontrar carros de som reproduzindo essas músicas. Enquanto o (baile) funk que conhecemos do Rio e São Paulo não é tão comum assim, o som até empolga a galera nas festas, porém se soltar mixado no mega funk, anima bem mais”, completa o DJ.

DJ Rodrigo Campos – Foto: Divulgação // DJ Rodrigo Campos

Apesar de curtirem raves, nem Matheus PR, nem Polyvox sabem citar artistas ou músicas específicas que eles admiram e tomaram como referência de música eletrônica. Eles não escutam esse tipo de som de forma organizada. Matheus PR tira as bases de músicas para suas montagens de playlists, enquanto Polyvox pega tudo de uma pasta antiga de MP3s que achou na internet. Esse cenário muda quando vamos a Pernambuco, no nordeste do país, e conhecemos o produtor pernambucano DJ DG.

Talvez você conheça o trabalho do rapaz, ele ficou famoso ao produzir e ter MC Loma gritando seu nome em alto e bom som no hit “Envolvimento” (“E aí DG, escama só de peixe!”), mas não se engane achando que ele é um aventureiro, sua caminhada é longa.

Desde 2009 ele produz música eletrônica (psy, progressive house, hard electro e outras vertentes) sob o nome de Henrique G. Depois passou a fazer bases para bandas de arrochadeira e, há 9 meses, cria músicas para os MCs pernambucanos da cena bregafunk. Dois de seus maiores sucessos trazem a marca dos seus tempos de rave: “Enlouqueço”, do MC Tocha, e “Pode Balançar”, do MC Troia, que incluem a eletrônica na mistura de ritmos do bregafunk.

Como a internet trouxe uma fluidez de informação e novidades musicais sem precedentes, era de se esperar que uma galera que acompanha o movimento em regiões diferentes, entrassem nessa novidade também. O MC Tocha, de Recife-PE, pensou em fazer um brega-rave com toques de pagodão e propôs o desafio a DG. O cantor diz que sua principal referência para fazer “Enlouqueço” foi a banda ÀTTØØXXÁ, que estourou no carnaval com a música “Popa da Bunda” e também vem promovendo a união entre beats eletrônicos e a percussão do pagodão baiano (conhecido como Bahia Bass). “Nunca fui numa rave porque eu só escuto a batida. Sinto falta da voz, por isso tô tentando fazer essa mistura”, diz o cantor Tocha, que acaba de gravar com o grupo baiano para expandir a onda eletrônica.


A banda ÀTTØØXXÁ em ação – Foto: Reprodução // Facebook

É difícil dizer se a EDM colou de vez ou se é uma influência do momento. Fato é que, pelo menos por enquanto, os bailes estão mudados e a fritação rolando solta. Em São Paulo, o paredão Megatron é o principal expoentes dessa vertente, tanto que inspirou músicas de MCs como o Kitinho e o 7 Belo. Esse último já deu o recado: o fluxo não é mais baile, agora é rave. Uma rave que só existe nas periferias brasileiras.